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ESPECIAL HP: Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire, 2005)

agosto 5, 2009

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Por Roberto Camargo

A primeira tomada é feita quase toda digitalmente. Nagini, a cobra de Lord Voldemort, atravessa, soberba e pixelizada, a tela. Essa é uma pequena amostra do que Harry Potter e o Cálice de Fogo pode proporcionar ao espectador. A quarta aventura do jovem bruxo, aliás, é o livro com maior potencial como material cinematográfico – em matéria de blockbuster repleto de efeitos especiais. Dragões, sereianos, o torneio tribruxo e o retorno de Lord Voldemort a uma forma física.

Na batuta, após a boa – porém breve – passagem de Cuarón, assume Mike Newell. O currículo desse inglês é bastante vasto, principalmente pela sua história na televisão. Entretanto, é nos filmes que ganha maior destaque. Em 1977, dirigiu O Homem da Máscara de Ferro. Décadas depois, lançou sucessos como Quatro Casamentos e um Funeral, Donnie Brasco e O Sorriso de Monalisa. Em 2005, foi convidado para dirigir a quarta aventura de Potter. Entregou-nos, na época, o melhor filme do bruxo.

Para quem não conhece a história, aí vai um pequeno resumo. No seu quarto ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, Harry Potter (Daniel Radcliffe) tem um novo encontro com a morte. Seu colégio recepciona um lendário torneio entre as três maiores escolas bruxas do mundo. Esse torneio reserva as mais perigosas missões, como enfrentar um dragão apenas armado com sua varinha. Tradicionalmente, são três apenas os competidores e todos devem ser maiores de 17 anos. Esse ano, no entanto, um quarto integrante figurou entre os competidores. E ganha um doce quem adivinhar quem foi…

A narrativa ganha cores logo na primeira sub-história: a Copa do Mundo de Quadribol. A paisagem da cena da chave do portal está belíssima, assim como a fotografia composta contra o sol. O design do estádio de quadribol lembra muito os estádios de futebol do nosso Primeiro Mundo. Tantos aspectos positivos terminam tão logo o ministro da Magia inicia a partida. Ao invés de mostrar a partida, o diretor corta a cena e vai direto para o pós-jogo. Tenho certeza que muitos fãs esperavam pela final entre Bulgária e Irlanda, e eu me incluo nessa porcentagem.

O elenco permanece o mesmo, com adicionais interessantes. Robert Pattinson, o atual queridinho das mulheres, dá vida a Cedrico Diggory, representante de Hogwarts na disputa pela taça tribruxa; Katie Leung encarna a insossa Cho Chang, por quem Harry tem uma paixonite; Clémence Poésy, como Fleur Delacour (sinceramente esperava uma atriz mais bonita para viver a Fleur…); Stanislav Ianevski representa o astro de quadribol Vitor Krum; Brendan Gleeson introduz o auror e novo professor de Defesa contra as Artes das Trevas, Olho-Tonto Moody; e Miranda Richardson vira Rita Skeeter, a sensacionalista repórter do Profeta Diário.

Depois de listar exaustivamente quase todo o elenco, você deve estar rogando pragas contra mim, pois esqueci, talvez, da maior figura entre os estreantes. Ralph Fiennes, sim, o Paciente Inglês, ressuscita a figura humana de Lord Voldemort. E como grande ator que é, encontra o tom perfeito para o frio lorde das trevas. Talvez a face ofídica que Rowling cita em seus livros tenha ficado exagerada, uma vez que sumiram com o nariz de Fiennes e colocaram uma fenda em seu lugar. Mas, exagerado mesmo, só os cabelos longuíssimos de Potter e Rony Weasley (Rupert Grint)…

Pitacos de cri-crítica a parte, o filme é muito bom, surpreendendo até mesmo aqueles que não vão com a cara dessa fantasia inglesa. Harry Potter e o Cálice de Fogo enche os olhos com seus efeitos digitais, faz rir de vez em quando e traz a morte de maneira sutil e, porque não, emocionante.

Minha nota: 8.0

Direção: Mike Newell
Gênero: Aventura/Drama/Suspense  
Duração:
157 minutos
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Alan Rickman, Tom Felton, Robert Pattinson, Ralph Fiennes, Robbie Coltrane, Maggie Smith, Clémence Poésy, Stanislav Ianevski, Brendan Gleeson, Miranda Richardson, Timothy Spall e Michael Gambon.

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ESPECIAL HP: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, 2004)

julho 27, 2009

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Por Roberto Camargo

Assim como Bruno, tenho grande simpatia pelo menino-que-sobreviveu. Acompanho as aventuras de Potter há um bom tempo. Lembro-me que primeiro vi o filme, depois comprei as quatro primeiras obras. E esperava ansiosamente pelo lançamento das continuações, fossem nas páginas dos gordos livros ou nas telonas. Se tenho um arrependimento relacionado a Harry, o único é ver o submarino  vender todos (sim, todos!) os sete livros por R$80,00! E pensar que gastei bem mais do que isso… Mas como lamentar não vai me ajudar em nada, muito menos fazer com que o tempo volte, vamos à crítica de Prisioneiro.

Para a grande maioria dos fans, as adaptações no cinema não chegam à altura das palavras de Rowling. J.K não é revolucionária em nada para a literatura, mas tem a capacidade de escrever uma história suficientemente interessante, bem amarrada, e, sobretudo, que agrada diferentes públicos. Chris Columbus (diretor da Pedra Filosofal e da Câmara Secreta), no entanto, delimita um pouco essa flexibilidade de público e nos entrega películas com teor mais infantilesco. O desgaste é percebido e, para o terceiro filme, a cadeira de diretor é substituída.

A escolha, sem dúvidas, foi uma grande surpresa: Alfonso Cuarón, um mexicano quase desconhecido, foi escalado. Seu currículo, na época, possuía apenas dois filmes de maior conhecimento do público brasileiro: A Princesinha e Y Tu Mamá También. Mesmo assim, não tão populares. A aposta, entretanto, deu certo. Diferente do antigo diretor, Cuarón escolheu tons mais escuros em sua paleta de cores, contrastando com a bela (e colorida) fotografia de paisagens. Assim, O Prisioneiro de Azkaban redefiniu a série e fez com que os outros filmes trilhassem por um caminho mais sombrio.

Nesse epísódio, Harry Potter (Daniel Radcliffe) volta a Hogwarts para cursar seu terceiro ano na escola de magia e, como de praxe, se envolve em mais uma grande aventura. Dessa vez, Sirius Black – um perigoso assassino – foge de Azkaban, de onde nenhum outro bruxo jamais havia fugido. A situação piora quando os rumores apontam que Sirius fugiu da prisão para matar Potter. O roteiro leva a história de maneira lenta, o que faz crescer a intensidade do desfecho. O tal desfecho, aliás, é a melhor parte do filme. A sequência dos dementadores no lago é tensa e emocionante.  

Os efeitos especiais, marca da série, mais uma vez são destaque. O lobisomem e o dementador, assim como Bicuço, não desapontam nenhum fan. O Salgueiro lutador ganha vários takes, ora agarrando um passarinho, ora perdendo suas folhas para o outono. Algo relacionado aos efeitos que me decepcionou foi a figura do sinistro. O cão que representa a morte, um mau agouro, não é tão assustador como deveria ser. Parece mais um cão vira-lata.

O time de atores, como de costume, é um dos trunfos do diretor. Os três adolescentes protagonistas não dão uma aula de atuação, mas suas imagens estão tão vinculadas a Harry, Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson), que não consigo mais imaginar qualquer outro ator para interpretar o trio de bruxos. Alan Rickman, como Severo Snape, e Michael Gambon, como Dumbledore, mostram domínio e conhecimento sobre suas personagens, sempre roubando a cena nas poucas oportunidades que aparecem. O terceiro filme inaugura ainda a participação de figuras mais famosas no meio cinematográfico. Gary Oldman encarna Sirius Black, e Emma Thompson dá cores à sua Trelawney. A atriz consegue imprimir um ritmo perfeito para sua personagem, que alia a loucura e presunção da professora.

Tantos elogios, no entanto, não apagam os erros de Cuarón. Talvez na tentativa de dar sua cara ao universo da magia, o diretor tropeça em algumas cenas que poderiam ser cortadas. As primeiras imagens mostram Harry na casa dos Dursley praticando uma magia de iluminação com sua varinha. Quem é fan sabe que os bruxos menores de 17 anos não podem praticar magia fora dos terrenos de Hogwarts, o que seria detectado pelo Ministério. Erro para o diretor. Outra cena que me incomodou foi a prévia do discurso de Dumbledore. Ao invés de colocar o chapéu seletor cantando ou escolhendo as casas dos calouros, Cuarón optou por um coral de alunos carregando sapos em seus colos. Na minha opinião, precipitado.

Como balanço final, vitória para os acertos. Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban marca o começo de uma nova fase nos filmes. Mas, por se tratar de uma continuação, não é recomendada aos não-iniciados. A terceira parte da série possui uma trama interessante, pistas para os cinéfilos mais atentos e um final surpreendente. E é a estreia de Cuarón na cadeira de diretor, mas também seu adeus.

Minha nota: 7.0

Direção: Alfonso Cuarón
Gênero: Aventura/Drama/Suspense  
Duração: 141 minutos
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Alan Rickman, Tom Felton, Emma Thompson, Gary Oldman, Robbie Coltrane, Maggie Smith, David Thewlis, Richard Griffiths, Matthew Lewis, Bonnie Wright, Timothy Spall e Michael Gambon.

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