Posts Tagged ‘Natalie Portman’

Thor (Thor, 2011)

novembro 30, 2011

Por Bruno Pongas

Hoje em dia temos filmes de super-herois para todos os gostos. Batman e Homem-Aranha aparecem na lista dos meus preferidos. Alguns, como Mulher-Gato, nem sequer mereciam ter saído do papel, tamanha a ruindade, e outros, como Homem de Ferro, trafegam num meio termo nem sempre cômodo entre o bom e o mais ou menos (no meu ponto de vista, claro).

É neste meio termo que se encontra Thor, um dos últimos super-herois a desembarcar nas telonas. O poderoso personagem, que já havia sido retratado fora dos quadrinhos em outras oportunidades (lembram-se do detestável e inexplicavelmente fraco Thor que aparece na saga dos Cavaleiros do Zodíaco?), ganhou sua vertente hollywoodiana através dos esforços de Kenneth Branagh.

A personagem Thor, em linhas gerais, segue à risca o que é dito sobre ela na mitologia nórdica – um homem forte, bondoso, honesto, mas ao mesmo tempo briguento e irresponsável. Também diz a mitologia que ele era faminto, o que também é retratado por Branagh, só que de forma descontraída e divertida. Neste ponto, o diretor acertou em cheio ao escolher Chris Hemsworth para o papel principal. Hemsworth, apesar de pouco conhecido do público, mostra talento e sabe dosar os tons cômico e sério muito bem.

Mas voltemos lá no começo, quando eu falava sobre o meio termo entre tramas de super-herois boas e ruins. Thor tem seus méritos, claro (falarei sobre eles adiante), mas derrapa em aspectos simples. Uma obra com tantos efeitos especiais merecia embates memoráveis, daqueles de tirar o fôlego. O que vemos, no entanto, é um conjunto de cenas pouco inspirado. Culpo aqui o diretor Kenneth Branagh, que poderia ter feito um melhor uso dos recursos disponíveis e dado mais vida à trama.

Além disso, o diretor abusa da câmera lenta para dramatizar certas passagens – recurso esse que deve ser utilizado com bastante cautela, pois em excesso pode deixar brega aquilo que deveria ser emocionante. Também achei o roteiro um pouco falho.  Faltaram detalhes ao introduzir a trama – detalhes esses que podem confundir o espectador pouco familiarizado com a história do super-heroi.

Por fim, acredito que alguns personagens mereciam mais destaque. Loki, que é muito bem interpretado pelo jovem Tom Hiddleston, tem papel fundamental na história, mas a subtrama que o envolve é pouco aprofundada. O mesmo vale para os outros guerreiros de Asgard. Nenhum deles é devidamente apresentado e o filme termina sem que nada saibamos sobre eles. Do outro lado do mundo, quem se destaca é Natalie Portman, que esbanja charme e a competência de sempre na pele de Jane Foster – a jovem nerd e inocente que se encanta por Thor na Terra.

Apesar dos erros, Kenneth Branagh consegue nos entreter durante as quase duas horas – o que é um grande mérito. Seu principal trunfo é o visual caprichado. Asgard está simplesmente exuberante, cheia  de vida, cores e detalhes. Os bons efeitos especiais aliados à maquiagem (os gigantes de gelo ficaram bastante realistas) contam pontos a favor do entretenimento. Os diálogos, ora cômicos, ora maduros, também merecem os devidos elogios – ponto para o diretor, que consegue juntar essas duas vertentes sem parecer forçado.

É claro que também devemos levar em conta a força do personagem. Thor, ao meu ver, é um dos super-herois mais legais dos quadrinhos. Neste caso, sobretudo quando uma obra sai do papel e vira filme, acredito que a empatia personagem/espectador conta muito. Apesar de arrogante, Thor é o tipo de heroi que todos gostam – é forte, bonito, confiante, leal e divertido. Por isso um filme em sua homenagem, mesmo que tenha seus defeitos, acaba ficando acima de média.

Minha Nota: 6.5

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Cisne Negro (Black Swan, 2010)

fevereiro 18, 2011

Por Bruno Pongas

Fiquei muito empolgado quando soube da nova empreitada do nova-iorquino Darren Aronofsky. Sua grande carreira, apesar de curta, me animou bastante para esse Cisne Negro, ainda mais depois do excelente O Lutador. Antes de checar o longa nas telonas, no entanto, me deparei com algumas (poucas) críticas que batiam na mesma tecla: falta de originalidade.

De fato, Cisne Negro passa longe de ser original, experimental, ou qualquer coisa que o valha. Sobre isso, deixo aqui uma pergunta para quem se interessar em responder: o que é original nos dias de hoje? Bem, posso citar dois exemplos de filmes que assisti recentemente. Scott Pilgrim Contra o Mundo, de Edgar Wright, traz o universo dos quadrinhos para o cinema de uma forma nunca antes vista. Carregado de referências modernas, temos aqui um bom exemplar de originalidade. Obra-prima? Longe disso…

O segundo vem lá de longe, da Tailândia. Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas, do experimental e premiado Apichatpong Weerasethakul, tem suas qualidades. A história é interessante, profunda, mas a trama é arrastada, regionalista. É um daqueles filmes, assim como Anticristo, de Lars Von Trier, que pede uma segunda leitura. O experimentalismo de Apichatpong tem seus pontos positivos, mas classificá-lo como magnífico é um tanto quanto exagerado.

Onde eu quero chegar com isso? É simples: nem tudo que é original é bom. É claro que filmes experimentais devem ser olhados com carinho e respeito, pois inovar é difícil, algo realmente para poucos – e bons. Contudo, vivemos num mundo, como eu disse, onde inovar é raridade. Faltam cabeças pensantes? Eu penso de outra forma. Os anos passam, muitos filmes chegam aos cinemas e as fórmulas cinematográficas, aos poucos, se esgotam. Se esgotam por quê? Porque já foram utilizadas por outro, que chupinhou a fórmula de outro, que se inspirou em outro e assim por diante.

Darren Aronofsky ao menos segue fiel às suas características. Em Cisne Negro, vemos muito do que foi visto em O Lutador. É claro que temos temáticas completamente distintas, mas o estilo do diretor é bem semelhante. Deixemos de lado a preferência por dramas familiares, mas falemos da câmera que segue a bailarina Nina (Natalie Portman) durante todo o longa. A câmera por detrás da personagem é a mesma que perseguiu Randy Robinson (Mickey Rourke) há pouco mais de dois anos.

Em Cisne Negro, todavia, o significado disso é mais representativo. Nina, deslumbrada com a chance de protagonizar o clássico O Lago dos Cisnes, começa a ficar paranóica com a presença de Lily (Mila Kunis), bailarina recém-chegada de San Francisco e a quem julga querer roubar seu posto no aclamado espetáculo. O que era pra ser um marco em sua carreira se transforma num pesadelo sem fim. Nina é perseguida em casa pelo protecionismo exacerbado de sua mae e na academia de balé pelo professor perfeccionista, sem falar da veterana Beth (Winona Ryder), que também bota suas manguinhas de fora com o passar da fita.

O suspense psicológico de Aronofsky nos fisga de maneira irresistível, especialmente nos 30 minutos finais – uma verdadeira sequência de tirar o fôlego. A alucinada Nina, outrora frágil e ingênua, mostra aos poucos que é capaz de tudo para se manter no papel principal do espetáculo. Ao espectador, resta a dúvida: o que é delírio e o que é real? A viagem pela demência da personagem de Natalie Portman é divertida e assustadora, nos envolve com a quebra de preconceitos e encanta de forma macabra no ato derradeiro do cisne negro.

Falando nela, Portman está nada menos do que brilhante, muito bem apoiada pelos coadjuvantes Vincent Cassel, Mila Kunis, Winona Ryder e Barbara Hershey. Com um elenco recheado de estrelas e uma trilha sonora mais do que adequada, Darren Aronofsky faz de Cisne Negro (mais) uma obra-prima em sua carreira.