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Três Homens em Conflito (Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo, 1966)

janeiro 2, 2011

Por Bruno Pongas

O gênero Western possui um público restrito. Paisagens desertas, personagens caricatos, tiros, mortes, trapaças. É um verdadeiro prato cheio de testosterona. Embora seja um estilo rejeitado por muitos, temos que tirar o chapéu para algumas obras, como Três Homens em Conflito, do italiano Sergio Leone. O fato é que poucos sabem filmar um “bangue-bangue” como Leone, justamente reconhecido como o mestre do faroeste.

Em Três Homens em Conflito, temos ingredientes de sobra para uma boa trama. Leone, que aqui nos brinda com um trabalho magnífico, esbanja paciência na hora de contar sua história, tanto que o primeiro diálogo da fita demora quase dez minutos para dar as caras.

Somos, aos poucos, apresentados aos personagens. Apesar das alcunhas de Bom, Mau e Feio, nenhum dos três é flor que se cheire, nem mesmo Blondie, o Bom, interpretado aqui por um jovem e quase irreconhecível Clint Eastwood.

Eastwood, aliás, dá vida a um dos personagens mais legais da história do cinema. É impossível torcer contra o Bom, mesmo ele sendo um trapaceiro de primeira. Blondie é aquele clássico anti-herói. É o mau caráter do bem, se é que podemos chamá-lo assim. Por mais que sua conduta seja moralmente incorreta, fica difícil resistir ao seu carisma.

Lee Van Cleef, o Mau, e Eli Wallach, o Feio, também entregam ótimos papéis. Enquanto o primeiro transborda frieza e antipatia, o segundo é o alívio cômico da trama. Cleef, que na história recebe o nome de Angel Eyes, é o que menos aparece durante os 161 minutos. No entanto, só a cena em que ele é apresentado já seria o bastante, pois é, de longe, uma das melhores do filme. Wallach, por sua vez, atende pelo nome de Tuco e é caracterizado por um punhado de frases de efeito, como na passagem em que está tomando banho numa banheira e recebe uma visita inesperada: “Quando tiver que atirar, atire, não fale!”

Por fim, é impossível falar de Três Homens em Conflito sem rasgar elogios ao seu desfecho. A cena em que os três apontam suas armas um para o outro é tensa e parece interminável. Os cortes, aqui, aparecem na medida certa. O enquadramento perfeito mostra a agonia e o suor escorrendo frio pelo rosto dos pistoleiros. Antes de os créditos subirem, ainda sobra tempo para a melhor frase do longa: “Existem dois tipos de homens no mundo: os que têm uma arma e os que cavam. Você cava!”.

O excelente roteiro, que conta com reviravoltas na medida certa, aliado ao desempenho fantástico de seus atores, faz de Três Homens em Conflito uma obra-prima. É um filme que deve ser apreciado por qualquer um, pois transcende as barreiras estereotipadas do gênero Western. Sergio Leone consegue como ninguém derrubar esse muro de estereótipos. Para isso, seus aliados aparecem das mais variadas formas, mas os principais deles têm um quê característico: os diálogos, oriundos do bom roteiro de Luciano Vincenzoni e do próprio Leone, e a estupenda trilha sonora, do compositor romano Ennio Morricone – um verdadeiro show à parte.

Minha Nota: 10,0

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