Posts Tagged ‘Histórias em quadrinhos’

Trovão Tropical (Tropic Thunder, 2008)

junho 30, 2009

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Por Bruno Pongas

Criar expectativa em cima de qualquer coisa pode ser bastante perigoso, principalmente quando o assunto tratado é cinema. A maior armadilha é ler de uma série de especialistas, ou ouvir daquele amigo que você confia até debaixo d’água que um trabalho é bom, ótimo, estupendo, magistral, sensacional, magnífico… ou o que quer que seja. Sentei então no conforto do meu lar ansiosamente para assistir Trovão Tropical; “melhor trabalho de Ben Stiller”, “uma ótima crítica aos bastidores de hollywood”, “engraçadíssimo”, “merecia ter concorrido ao oscar”… bem, posso dizer que li coisas parecidas com essas internet à fora, sem exageros. E após assistir o longa, envolto em ótimas expectativas, confesso que me decepcionei, e muito!

A história é bastante original, e isso tenho que admitir. Um grupo de atores (muito bons, diga-se de passagem) vai até uma ilha (aparentemente no Vietnam ou em algum país ali por perto) para gravar um filme de guerra – que segundo eles seria o melhor filme de guerra da história! Após alguns dias de gravação sem muito sucesso, começam a surgir os primeiros rachas no elenco estelar. Com o grupo dividido, os problemas se agravam quando alguns milicianos locais capturam atores e os fazem reféns. Assim, os outros atores se veem obrigados a encarar um cenário real de guerra para libertar os que haviam sido sequestrados. Ou seja, o roteiro nos coloca diante de um filme dentro de outro filme, o que é bastante interessante – e aparentemente confuso.

Stiller inicia o trabalho muito bem e de forma bastante original e divertida. Somos apresentados logo de cara a uma série de traillers que fazem paródia aos grandes filmes hollywoodianos. O primeiro é um pesonagem chamado Lança Chamas, que tira sarro das grandes histórias em quadrinhos que têm sequências intermináveis apenas visando o lucro – como no caso de Homem-Aranha, Super-Homem… mesmo Batman e Homem de Ferro (que ganhará sequência após o grande sucesso do primeiro filme). Outro exemplo hilariante é um que fala de uma família com problemas de flatulência (pois é!), e todos os personagens são feitos por um único ator, no caso Jack Black, que interpreta a estrela e viciado em heroína, Jeff Portnoy. A sátira aqui é ao filme Professor Aloprado (quem assistiu ambos sabe do que estou falando).

É nesse embalo engraçadíssimo que somos iniciados ao enredo de Trovão Tropical. A parte divertida, no entanto, tem apenas mais alguns espasmos, como na cena em que há uma paródia ao trágico final do clássico de guerra, Platoon. O restante da trama é chata, entediante e com poucas (poucas mesmo!) passagens que realmente valham a pena. A sorte de Ben Stiller foi poder contar com um elenco recheado de estrelas, como Jack Black, Robert Downey Jr., Nick Nolte e Tom Cruise (apesar de estar irreconhecível). Esses realmente seguram as pontas e fazem com que o espectador aguente as quase duas horas de projeção sem se irritar profundamente com aquele montante de baboseiras sendo proferidas a todo o instante.  Falando em Tom Cruise, que atuação magnífica! Ele está melhor do que nunca e quase rouba o filme para si – a dancinha no final é algo assim… genial!

Trovão Tropical tem sim seus méritos; como crítica é excelente e é disparado o melhor trabalho de Ben Stiller como diretor – que antes havia feito Caindo Na Real e Zoolander. Contudo, o longa derrapa em alguns quesitos: em apelar e exagerar demais nas piadas, pois elas acabam se tornando fúteis e batidas, e em ser excessivamente escrachado sem que isso seja necessário. Tenho certeza que se Stiller tentasse se desviar um pouco desse foco absurdamente cômico, seu trabalho seria muito mais agradável. No entanto, como sua carreira se tornou o sucesso que é devido a esse tipo de filme, e como a máxima diz que em time que está ganhando não se mexe, você, leitor, pode tirar suas próprias conclusões.

Minha Nota: 5.5

Direção: Ben Stiller
Gênero: Comédia
Duração: 107 minutos
Elenco: Ben Stiller, Robert Downey Jr., Jack Black, Nick Nolte, Tom Cruise, Bill Hader, Jay Baruchel e Steve Coogan.

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Homem de Ferro (Iron Man, 2008)

fevereiro 23, 2009

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Por Bruno Pongas

Confesso que nunca fui dos mais interessados em histórias em quadrinhos; não pelo fato de não gostar de HQ’s, mas por não ter adquirido o costume de lê-los e também pela pouca divulgação veiculada aqui no Brasil.
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Até simpatizo com heróis como Batman, Homem-Aranha e Capitão América – só para citar alguns exemplos -, mas estou longe de ser daqueles aficcionados que conhecem de cor tudo sobre a personagem e são capazes de esperar horas a fio em uma fila de cinema para assistir uma estréia desse tipo.
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Pois bem; ontem, no conforto do meu lar, assisti ao blockbuster-mega sucesso de bilheteria, Homem de Ferro – baseado no HQ da Marvel. De início, sem dúvidas, houve um pouco de preconceito, já que, a não ser pelo pôster do filme, sequer conhecia a armadura do super-herói.
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Não há como não dizer que me assustei ao começar a ver o filme; parecia mais uma daquelas histórias em que detonam os países do Oriente Médio e ao mesmo tempo endeusam e inflam o ego dos norte-americanos. Nessa parte, felizmente me enganei. Contudo, o diretor Jon Favreau comete alguns deslizes que merecem ser citados.
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Me desculpem os fãs do HQ e os que acharam o filme um máximo, mas, sinceramente, achei a história e o roteiro um pouco defasados – parecem um pouco forçados e falta aquele quê a mais para o espectador. Outros defeitos que ao meu ver poderiam ter sido melhor trabalhados foram os trinta minutos finais da trama e principalmente o confronto derradeiro, que deixa muito a desejar – fica a impressão que foi tudo concluído com muita pressa e acabaram por atropelar a qualidade. Um último destaque negativo fica por conta da má utilização da atriz Gwyneth Paltrow; poderiam ter se aproveitado melhor do seu grande talento mas, infelizmente, seu papel ficou reduzido se comparado a outros dentro da trama.
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Mesmo assim, tenho de admitir que o resultado final me surpreendeu. Apesar de ter lido algumas boas críticas à respeito, não botava muita fé no homenzarrão de lata. Na pele, ou melhor, na armadura do personagem principal, está o excelente Robert Downey Jr. Interpretando o milionário descompromissado da indústria bélica, Tony Stark, Downey dá um colorido especial à trama. Seu carisma, aliado à sua competência, contribuem e muito para o andamento do filme. Além disso, apesar de não ser das melhores adaptações já feitas de quadrinhos para cinema – Batman e Spider Man ficam à frente -, Homem de Ferro está longe de ser um produto ruim.
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Outro e último ponto positivo a ser destacado é a trilha sonora; o HQ é embalado por um rock que vai desde os australianos lendários do AC/DC aos acordes modernos e contagiantes do Muse, que interpretam a bela música Invincible. Como não poderia deixar de ser, o som de encerramento fica por conta da também lendária banda Black Sabbath, que toca a inconfundível e propícia Iron Man.
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No final das contas, o diretor ainda deixa evidente seu posicionamento quanto à política armamentista também evidente norte-americana – eles próprios que fincanciam e lucram com as guerras pelo mundo. E ainda há quem diga que eles são os salvadores do planeta…
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Minha Nota: 7.0

Direção: Jon Favreau
Gênero: Ação
Duração: 126 minutos
Elenco: Robert Downey Jr., Terrence Howard, Jeff Bridges, Gwyneth Paltrow, Leslie Bibb, Shaun Toub e Faran Tahir.

Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008)

fevereiro 23, 2009

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Por Roberto Camargo

Quem teve a ousadia de me procurar no dia 18 de julho de 2008 não me encontrou. Para qualquer pessoa que aprecia um bom filme, esse dia havia se tornado feriado desde que foi anunciado como a estréia da continuação do renovado guardião de Gotham. Eu estava debaixo de uma máscara de morcego e envolto por uma capa preta. Mentira. Mas não nego que essa idéia chegou a passar pela minha cabeça.
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Muita expectativa foi gerada ao redor de Batman – O Cavaleiro das Trevas. Li inúmeras críticas relacionadas à película, a maioria positiva e uma ou duas que falavam alguma coisa de ruim. Sentei-me na sala de cinema pronto para ver uma atuação de Heath Ledger digna do Oscar. Esperava, novamente, por um show de ironia por parte do Alfred de Michael Caine. Rezava por uma Rachel Dawes mais convincente na pele de Maggie Gyllenhaal. Ansiava por Christian Bale e sua reinvenção do melhor herói dos quadrinhos.
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Vi exatamente o que esperava. E mais! Um Aaron Eckhart dando verossimilhança para seu Harvey Dent. E os também notáveis Lucius Fox de Morgan Freeman e comissário Gordon de Gary Oldman. Mas mais do que tudo, o que mais me entreteve foi o roteiro bem amarrado, um tabuleiro de xadrez no qual o movimento de uma única peça define o rumo de todo o jogo. Créditos para Christopher Nolan, que nos brindou com uma narrativa densa, atuações brilhantes e uma aula de ação com elementos de drama e comédia.
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A primeira cena do filme nos dá um gostinho de toda a insanidade que vem pela frente. Um assalto a banco feito por ladrões vestindo máscaras de palhaço. Um palhaço matando o outro, por ordens do chefe, para que a quantia roubada fosse dividida entre menos pessoas. O chefe é o Coringa. A segunda cena mostra uma transação entre os membros da Máfia e o vilão do primeiro filme, o Espantalho. A ação é interrompida por um grupo de Batmans armados. Após uns instantes de tiroteio, eis que surge o original.
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Nota para a visão colocada pelo diretor. Uma vez que uma pessoa normal coloca uma fantasia e resolve virar o herói da cidade, ele será seguido por outras pessoas que também acreditam poder carregar esse fardo. A realidade está bastante presente no longa. Dessa vez, o cavaleiro negro sai ferido. Bem ferido.
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Não posso contar mais nada. Bem que queria. Recomendo. Assistirei novamente sem dúvida. É um filme com cenas de ação que não deixarão com que pisquem. Um filme com um herói mais humano, mais fraco, mais covarde, mas mesmo assim, mais Batman do que nunca. Um filme que mostra a queda de um homem e o nascimento de um vilão. Um filme sobre esperança, sobre loucura, sobre coragem e sobre sacrifício. Um filme fúnebre, como a morte de seu mais talentoso filho. Um filme dark, como Batman mostrou que deve ser.
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Entrei no cinema com a esperança de ver o melhor filme da temporada. Saí com a certeza. E não pensem que se esquecerão com facilidade da risada de Heath Ledger, para sempre Coringa. Descanse em paz.
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Direção: Christopher Nolan
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 144 min
Elenco: Christian Bale (Bruce Wayne), Heath Ledger (Coringa), Michael Caine (Alfred Pennyworth), Aaron Eckhart (Harvey Dent), Morgan Freeman (Lucius Fox), Gary Oldman (Jim Gordon), Maggie Gyllenhaal (Rachel Dawes).

Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008)

fevereiro 23, 2009

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Por Guillermo Lagreca

Este com certeza foi o filme mais esperado para o ano de 2008. Muita expectativa em torno do último filme terminado por Heath Ledger, além de contar a parte da história do Batman que mais agrada aos fãs do mascarado. E deixou a desejar, e muito. O diretor Christopher Nolan parece perdido. Tornou o filme tão longo que a principal sensação que tive foi a de que o filme poderia começar na metade e não mudaria em nada a evolução da trama. Tive a companhia de minha amiga Fernanda durante a epopéia e esta desferiu um comentário extremamente perspicaz: “Já não lembrava do começo do filme quando estava perto do fim”.
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Bom, vamos tentar encontrar os pontos positivos do filme. O elenco está recheado de atores brilhantes. Christian Bale como Batman, Heath Ledger como Coringa, Michael Cane como Alfred, Aaron Eckhart como Harvey Dent, Maggie Gyllenhaal substituindo para melhor o papel de Rachel Dawes, da fraca Katie Holmes, Gary Oldman como Jim Gordon e Morgan Freeman como Lucius Fox. E estes não fazem feio, mas, tirando o papel do falecido Heath Ledger, não há espaço para brilhantismo na história das personagens.
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A história concentra-se na disputa interminável de Batman com seu principal inimigo, o Coringa. É uma história já muito conhecida pelos fãs e acredito que o diretor poderia ter dado outro enfoque. Quem gosta de Batman já conhece o final da história e esperar três horas para ver isso acontecer é, no mínimo, maçante. Pelo menos, depois da primeira hora de filme, é ação atrás de ação. Para aquele que não liga muito para as entrelinhas da película isso pode ser um atrativo.
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Agora sim falo do chamariz deste filme e da grande atração de Batman – O Cavaleiro das Trevas. Trata-se de Heath Ledger. O falecido ator realmente incorpora a personagem e nos brinda com um Coringa macabro, sarcástico e até certo ponto, profundo. Fica muito mais fácil entender o que se passa na mente do palhaço psicopata, mesmo que seja algo doentio. Sua atuação é digna de todos os prêmios possíveis. O Jack Nicholson que me desculpe, mas agora sim temos um Coringa digno de ser o arquiinimigo do morcegão.
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Para finalizar, quero deixar registrada minha insatisfação com o Batman deste filme. No primeiro filme do mesmo diretor, o que mais agradou aos fãs era o Batman impiedoso apresentado, um Batman “do mal”, mil vezes melhor que os outros já encenados. Neste filme ele volta a amolecer. Nem quando cutucam sua ferida ele se parece com o Batman de Batman Begins. Foi triste, muito triste.
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Sempre acompanhei a história do morcego paladino da justiça e também aguardava ansiosamente a estréia deste filme. Desapontamento é a melhor palavra. Usando o modelo do nosso ávido colaborador Bruno Pongas, vou dar minha nota – 3,5.
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Direção: Christopher Nolan
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 144 min
Elenco: Christian Bale (Bruce Wayne), Heath Ledger (Coringa), Michael Caine (Alfred Pennyworth), Aaron Eckhart (Harvey Dent), Morgan Freeman (Lucius Fox), Gary Oldman (Jim Gordon), Maggie Gyllenhaal (Rachel Dawes).