Posts Tagged ‘Daniel Radcliffe’

ESPECIAL HP: Harry Potter e a Ordem da Fênix (Harry Potter and the Order of the Phoenix, 2007)

agosto 11, 2009

Ordem Da Fênix

Por Bruno Pongas

A série do bruxinho mais querido do mundo passou por uma grande metamorfose durante todos esses anos. No início, sob a batuta de Chris Columbus, era bem fiel aos livros e perdia muito tempo expondo as maravilhas daquele mundo fantasioso. No terceiro filme, Alfonso Cuarón deu start num processo de amadurecimento da série – e foi bem recebido pelos fans e pela crítica. Harry Potter e o Cálice de Fogo tinha tudo para ser a grande obra-prima até aqui, mas falhou em alguns aspectos: sua primeira metade ficou enfadonha, perdendo muito tempo naquele vai-e-vem entediante de hormônios adolescentes. A segunda parte, no entanto, é eletrizante; o torneio tribruxo dá uma gás extra ao episódio. Mike Newell pouco durou na cadeira do diretor, deu lugar ao inexperiente David Yates – que para mim endireitou de vez a série.

Harry Potter e a Ordem da Fênix até aquele momento era o capítulo mais sombrio entre os que já haviam sido feitos. O clima criado por Yates, para os que têm boa memória, é bastante parecido com o do filme sucessor (Enigma do Príncipe). As brincadeiras pré-adolescentes ficam um pouco de lado; em seu lugar, entram personagens mais maduros, mais interessantes. A volta do Lorde das Trevas acompanha a série para uma temática completamente distinta do que já havia sido feito. Assim, posso afirmar categoricamente que o quinto filme introduz o espectador ao caos instalado no mundo bruxo a partir do retorno de Voldemort. O diretor recria esse clima muito bem, sempre auxiliado por uma ótima fotografia e efeitos especiais de primeira linha – alguns deles até impressionam pela extrema realidade.

Na parte da história, o roteirista Michael Goldenberg assumiu o lugar de Steve Kloves. Aqui, ele trabalha com um pouco mais de liberdade, mais distante da obra original. Ainda assim, algumas partes ganham contornos estranhos, como no próprio início: Duda vai provocar Harry Potter, o bruxo se invoca e do nada aparecem dementadores. No livro é ao contrário: antes dos dementadores aparecerem, Harry vê o primo se despedir dos amigos e vai atrás dele para atazaná-lo… vai entender esses roteiristas? De resto, Goldenberg vai bem, escolhe boas passagens e faz um filme interessante até para os menos familiarizados com a obra de J.K Rowling. Mesmo assim, a saga do bruxinho nos cinemas continua sendo voltada única e exclusivamente para os fans – infelizmente.

A partir do Cálice de Fogo, vemos que os atores evoluíram bastante, especialmente Emma Watson e Rupert Grint. Daniel Radcliffe, por sua vez, é pouco carismático, parece amedrontado com o tamanho do seu personagem e é um dos elos fracos dessa série; seu relacionamento com Cho Chang é simplesmente risível (e a atriz pouco colabora para isso mudar). O elenco mais experiente, pelo menos, sempre segura a bronca: Michael Gambon, Jason Isaacs, Helena Bonham Carter, Gary Oldman, Alan Rickman, Maggie Smith… se há uma coisa boa para os que detestam Harry Potter é o elenco de apoio, pois conta com astros de primeira grandeza. Em Harry Potter e a Ordem da Fênix também vemos novos personagens, como o da professora Dolores Umbridge, interpretada por Imelda Staunton. A atriz consegue achar o tom certo para a insuportável bruxa, ora irritantemente serena, ora diabólica – um ótimo papel! Quem também merece suas ressalvas é Ralph Fiennes. Mesmo deformado e com a aparência ofídica, ele nos entrega um um lorde das trevas macabro e aterrador.

Harry Potter e a Ordem da Fênix marca a estreia de David Yates no comando da série. Com competência, o diretor faz um dos melhores filmes até aqui, bem mais maduro, menos bobinho e mais sombrio. Como de praxe, o figurino e a trilha sonora merecem elogios, bem como as cenas de luta. Aquela batalha final contra os comensais da morte e o duelo entre Dumbledore e Voldemort gozam de uma beleza imensurável – pelo menos o alto investimento é justificado de alguma maneira. Há, contudo, que se esperar pelos dois últimos episódios; os fans, como esse que vos fala, esperam por duas obras-primas, cheias de energia, bem contadas e de tirar o fôlego. Vamos esperar…

Minha Nota: 8.0

Direção: David Yates
Gênero: Aventura/Drama/Suspense
Duração: 138 minutos
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Imelda Staunton, Michael Gambon, Gary Oldman, Ralph Fiennes, Alan Rickman, Maggie Smith, Emma Thompson, Jason Isaacs, Helena Bonham Carter, Julie Walters, Brendan Gleeson, Richard Griffiths e Bonnie Wright.

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ESPECIAL HP: Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire, 2005)

agosto 5, 2009

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Por Roberto Camargo

A primeira tomada é feita quase toda digitalmente. Nagini, a cobra de Lord Voldemort, atravessa, soberba e pixelizada, a tela. Essa é uma pequena amostra do que Harry Potter e o Cálice de Fogo pode proporcionar ao espectador. A quarta aventura do jovem bruxo, aliás, é o livro com maior potencial como material cinematográfico – em matéria de blockbuster repleto de efeitos especiais. Dragões, sereianos, o torneio tribruxo e o retorno de Lord Voldemort a uma forma física.

Na batuta, após a boa – porém breve – passagem de Cuarón, assume Mike Newell. O currículo desse inglês é bastante vasto, principalmente pela sua história na televisão. Entretanto, é nos filmes que ganha maior destaque. Em 1977, dirigiu O Homem da Máscara de Ferro. Décadas depois, lançou sucessos como Quatro Casamentos e um Funeral, Donnie Brasco e O Sorriso de Monalisa. Em 2005, foi convidado para dirigir a quarta aventura de Potter. Entregou-nos, na época, o melhor filme do bruxo.

Para quem não conhece a história, aí vai um pequeno resumo. No seu quarto ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, Harry Potter (Daniel Radcliffe) tem um novo encontro com a morte. Seu colégio recepciona um lendário torneio entre as três maiores escolas bruxas do mundo. Esse torneio reserva as mais perigosas missões, como enfrentar um dragão apenas armado com sua varinha. Tradicionalmente, são três apenas os competidores e todos devem ser maiores de 17 anos. Esse ano, no entanto, um quarto integrante figurou entre os competidores. E ganha um doce quem adivinhar quem foi…

A narrativa ganha cores logo na primeira sub-história: a Copa do Mundo de Quadribol. A paisagem da cena da chave do portal está belíssima, assim como a fotografia composta contra o sol. O design do estádio de quadribol lembra muito os estádios de futebol do nosso Primeiro Mundo. Tantos aspectos positivos terminam tão logo o ministro da Magia inicia a partida. Ao invés de mostrar a partida, o diretor corta a cena e vai direto para o pós-jogo. Tenho certeza que muitos fãs esperavam pela final entre Bulgária e Irlanda, e eu me incluo nessa porcentagem.

O elenco permanece o mesmo, com adicionais interessantes. Robert Pattinson, o atual queridinho das mulheres, dá vida a Cedrico Diggory, representante de Hogwarts na disputa pela taça tribruxa; Katie Leung encarna a insossa Cho Chang, por quem Harry tem uma paixonite; Clémence Poésy, como Fleur Delacour (sinceramente esperava uma atriz mais bonita para viver a Fleur…); Stanislav Ianevski representa o astro de quadribol Vitor Krum; Brendan Gleeson introduz o auror e novo professor de Defesa contra as Artes das Trevas, Olho-Tonto Moody; e Miranda Richardson vira Rita Skeeter, a sensacionalista repórter do Profeta Diário.

Depois de listar exaustivamente quase todo o elenco, você deve estar rogando pragas contra mim, pois esqueci, talvez, da maior figura entre os estreantes. Ralph Fiennes, sim, o Paciente Inglês, ressuscita a figura humana de Lord Voldemort. E como grande ator que é, encontra o tom perfeito para o frio lorde das trevas. Talvez a face ofídica que Rowling cita em seus livros tenha ficado exagerada, uma vez que sumiram com o nariz de Fiennes e colocaram uma fenda em seu lugar. Mas, exagerado mesmo, só os cabelos longuíssimos de Potter e Rony Weasley (Rupert Grint)…

Pitacos de cri-crítica a parte, o filme é muito bom, surpreendendo até mesmo aqueles que não vão com a cara dessa fantasia inglesa. Harry Potter e o Cálice de Fogo enche os olhos com seus efeitos digitais, faz rir de vez em quando e traz a morte de maneira sutil e, porque não, emocionante.

Minha nota: 8.0

Direção: Mike Newell
Gênero: Aventura/Drama/Suspense  
Duração:
157 minutos
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Alan Rickman, Tom Felton, Robert Pattinson, Ralph Fiennes, Robbie Coltrane, Maggie Smith, Clémence Poésy, Stanislav Ianevski, Brendan Gleeson, Miranda Richardson, Timothy Spall e Michael Gambon.

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ESPECIAL HP: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, 2004)

julho 27, 2009

siriuslupin

Por Roberto Camargo

Assim como Bruno, tenho grande simpatia pelo menino-que-sobreviveu. Acompanho as aventuras de Potter há um bom tempo. Lembro-me que primeiro vi o filme, depois comprei as quatro primeiras obras. E esperava ansiosamente pelo lançamento das continuações, fossem nas páginas dos gordos livros ou nas telonas. Se tenho um arrependimento relacionado a Harry, o único é ver o submarino  vender todos (sim, todos!) os sete livros por R$80,00! E pensar que gastei bem mais do que isso… Mas como lamentar não vai me ajudar em nada, muito menos fazer com que o tempo volte, vamos à crítica de Prisioneiro.

Para a grande maioria dos fans, as adaptações no cinema não chegam à altura das palavras de Rowling. J.K não é revolucionária em nada para a literatura, mas tem a capacidade de escrever uma história suficientemente interessante, bem amarrada, e, sobretudo, que agrada diferentes públicos. Chris Columbus (diretor da Pedra Filosofal e da Câmara Secreta), no entanto, delimita um pouco essa flexibilidade de público e nos entrega películas com teor mais infantilesco. O desgaste é percebido e, para o terceiro filme, a cadeira de diretor é substituída.

A escolha, sem dúvidas, foi uma grande surpresa: Alfonso Cuarón, um mexicano quase desconhecido, foi escalado. Seu currículo, na época, possuía apenas dois filmes de maior conhecimento do público brasileiro: A Princesinha e Y Tu Mamá También. Mesmo assim, não tão populares. A aposta, entretanto, deu certo. Diferente do antigo diretor, Cuarón escolheu tons mais escuros em sua paleta de cores, contrastando com a bela (e colorida) fotografia de paisagens. Assim, O Prisioneiro de Azkaban redefiniu a série e fez com que os outros filmes trilhassem por um caminho mais sombrio.

Nesse epísódio, Harry Potter (Daniel Radcliffe) volta a Hogwarts para cursar seu terceiro ano na escola de magia e, como de praxe, se envolve em mais uma grande aventura. Dessa vez, Sirius Black – um perigoso assassino – foge de Azkaban, de onde nenhum outro bruxo jamais havia fugido. A situação piora quando os rumores apontam que Sirius fugiu da prisão para matar Potter. O roteiro leva a história de maneira lenta, o que faz crescer a intensidade do desfecho. O tal desfecho, aliás, é a melhor parte do filme. A sequência dos dementadores no lago é tensa e emocionante.  

Os efeitos especiais, marca da série, mais uma vez são destaque. O lobisomem e o dementador, assim como Bicuço, não desapontam nenhum fan. O Salgueiro lutador ganha vários takes, ora agarrando um passarinho, ora perdendo suas folhas para o outono. Algo relacionado aos efeitos que me decepcionou foi a figura do sinistro. O cão que representa a morte, um mau agouro, não é tão assustador como deveria ser. Parece mais um cão vira-lata.

O time de atores, como de costume, é um dos trunfos do diretor. Os três adolescentes protagonistas não dão uma aula de atuação, mas suas imagens estão tão vinculadas a Harry, Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson), que não consigo mais imaginar qualquer outro ator para interpretar o trio de bruxos. Alan Rickman, como Severo Snape, e Michael Gambon, como Dumbledore, mostram domínio e conhecimento sobre suas personagens, sempre roubando a cena nas poucas oportunidades que aparecem. O terceiro filme inaugura ainda a participação de figuras mais famosas no meio cinematográfico. Gary Oldman encarna Sirius Black, e Emma Thompson dá cores à sua Trelawney. A atriz consegue imprimir um ritmo perfeito para sua personagem, que alia a loucura e presunção da professora.

Tantos elogios, no entanto, não apagam os erros de Cuarón. Talvez na tentativa de dar sua cara ao universo da magia, o diretor tropeça em algumas cenas que poderiam ser cortadas. As primeiras imagens mostram Harry na casa dos Dursley praticando uma magia de iluminação com sua varinha. Quem é fan sabe que os bruxos menores de 17 anos não podem praticar magia fora dos terrenos de Hogwarts, o que seria detectado pelo Ministério. Erro para o diretor. Outra cena que me incomodou foi a prévia do discurso de Dumbledore. Ao invés de colocar o chapéu seletor cantando ou escolhendo as casas dos calouros, Cuarón optou por um coral de alunos carregando sapos em seus colos. Na minha opinião, precipitado.

Como balanço final, vitória para os acertos. Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban marca o começo de uma nova fase nos filmes. Mas, por se tratar de uma continuação, não é recomendada aos não-iniciados. A terceira parte da série possui uma trama interessante, pistas para os cinéfilos mais atentos e um final surpreendente. E é a estreia de Cuarón na cadeira de diretor, mas também seu adeus.

Minha nota: 7.0

Direção: Alfonso Cuarón
Gênero: Aventura/Drama/Suspense  
Duração: 141 minutos
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Alan Rickman, Tom Felton, Emma Thompson, Gary Oldman, Robbie Coltrane, Maggie Smith, David Thewlis, Richard Griffiths, Matthew Lewis, Bonnie Wright, Timothy Spall e Michael Gambon.

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ESPECIAL HP: Harry Potter e a Câmara Secreta (Harry Potter and the Chamber of Secrets, 2002)

julho 22, 2009

Secret Chamber

Por Bruno Pongas

O que dizer da literatura da britânica J.K Rowling? Fútil? Boba? Pouco Inteligente? Bem, isso é o que muita gente acha. Particularmente, eu penso que ela é boa no que faz. Poucos (poucos mesmo!) são capazes de produzir algo como ela: voltado para as crianças ao mesmo tempo que conquista também o público adulto (sim, há adultos que adoram as fábulas de Harry Potter). É claro que não podemos cair no erro de uns e outros por aí, que usam o lendário Shakespeare como parâmetro. Rowling está longe de ser uma lenda, no entanto, é competente o suficiente para fazer bons livros a ponto de se tornar uma das escritoras mais influentes do mundo. Alguém provavelmente dirá que Paulo Coelho também é influente, bom, ou qualquer coisa do tipo… essa já é outra história, prefiro me abster.

Harry Potter e a Câmara Secreta, assim como seu antecessor, conta com muitos erros e alguns acertos, mas em suma, continua sendo uma obra irregular e sem magia. Mesmo o altíssimo investimento (100 milhões de dólares) foi insuficiente para trazer algo de novo e realmente encantador ao filme, que no final das contas acabou sendo apenas comum. Ao meu ver, creio que na época os produtores deviam ter escolhido um diretor com mais cacife, como Steven Spielberg – que chegou a ser cogitado para o trabalho. Chris Columbus, infelizmente, é fraco e teve muitas dificuldades em fazer os dois primeiros longas – tanto que foi substituído no terceiro episódio.

Falando em seu trabalho, Columbus repete mais uma vez os erros do capítulo anterior (Harry Potter e a Pedra Filosofal). Algumas cenas continuam muito mal dirigidas e o final deixa a desejar mais uma vez: é pouquíssimo emocionante, não envolve o espectador e tem atores pouco inspirados (ou mal dirigidos mesmo). De quebra, sentimos claramente que há algo no segundo episódio muito parecido com o primeiro; como assim? Sabemos que se tratam de histórias distintas, mas caso contrário, jamais conseguiríamos diferenciar os dois filmes, pois tirando alguma cena aqui e ali, é tudo muito igual, o clima é o mesmo. No terceiro longa, no entanto, isso ganha novos contornos e muda consideravelmente, até porque é um diretor diferente que comanda a trama – o mexicano Alfonso Cuarón.

No quesito roteiro, Steve Kloves optou mais uma vez por ser fiel à história original. Ainda assim, podemos observar alguns furos: Lord Voldemort continua mal explicado e o relacionamento de Hagrid com Aragogue também é pouco aprofundado, sem muitos detalhes, bem como o envolvimento de Alvo Dumbledore com Tom Riddle.  Muito por isso, os iniciantes devem se confundir – ou até mesmo se entediar – já que mesmo sendo fiel ao livro, algumas coisas ficam bem confusas (e os 161 minutos de filme pouco ajudam nesse caso). Para os fans, no entanto, Harry Potter e a Câmara Secreta é outro prato cheio (me incluo nesse grupo). Esse é o grande lance da série: é um trabalho direcionado muito mais para os aficionados do que para os que nunca leram os livros, diferente de Senhor dos Anéis, por exemplo, que consegue interar os iniciantes com muito mais propriedade.

O elenco vai mais uma vez muito bem. Podemos notar que o trio principal evoluiu se comparado à primeira empreitada; no entanto, o destaque aqui é inteiramente para o elenco mais experiente. Jason Isaacs consegue interpretar um Lucius Malfoy igualzinho ao que imaginamos quando lemos as histórias. Sua arrogância e prepotência (marcas de seu personagem) ganham ótimos contornos na pele do ator. Kenneth Branagh, que também faz sua estréia, executa muito bem o papel do Professor Gilderoy Lockhart – que rende, talvez, as cenas mais divertidas do longa. Falar de Alan Rickman (Severus Snape) é chover no molhado. A nota triste fica por conta de Richard Harris – o carismático Professor Dumbledore. O ator morreu em 2002 vítima de câncer no sistema linfático – o que foi uma grande perda para o cinema mundial. No seu lugar entrou o também experiente Michael Gambon, que para mim faz um Dumbledore ainda melhor.

Por fim, Harry Potter e a Câmara Secreta marca um ligeiro retrocesso da série. Ainda assim, podemos notar alguns quesitos que obtiveram grande melhora, como os efeitos especiais, que aqui gozam de uma realidade incrível – basta ver o elfo doméstico Dobby, extremamente bem feito. O jogo de luzes usado pelo diretor também está melhor, e fica bem evidente em algumas passagens, como no rosto de Lucius Malfoy no finalzinho (quando ele está no escritório de Dumbledore). O figurino, a fotografia e a trilha sonora continuam com a mesma qualidade da série, e as paisagens contêm uma beleza imensurável – bem típica de filmes desse tipo. O segundo trabalho cinematográfico da mitologia de J.K Rowling vale a pena para os veteranos, e talvez somente a eles; no entanto, ainda recomendo aos iniciantes, pois a trama tem lá suas qualidades.

Minha Nota: 6.5

Direção: Chris Columbus
Gênero: Aventura/Drama/Suspense
Duração: 161 minutos
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Richard Harris, Maggie Smith, Alan Rickman, Kenneth Branagh, Robbie Coltrane, Fiona Shaw, Richard Griffiths, Jason Isaacs, John Cleese, Bonnie Kathleen Wright, Robert Hardy, Julie Walters e Tom Felton.

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ESPECIAL HP: Harry Potter e a Pedra Filosofal (Harry Potter and the Sorcerer’s Stone, 2001)

julho 20, 2009

hpnovinhos

Por Bruno Pongas

O início da era Harry Potter foi em 2001. Naquela época, já sabiamos que cada livro teria seu respectivo filme, o que nos livra daquela ideia de longas feitos com o único objetivo de ganhar mais e mais dinheiro (sobram exemplos nesse caso). A história do bruxinho, que teve os pais assassinados e foi deixado na casa dos tios (trouxas), é contada nesse primeiro capítulo de forma bem completa e interessante, embora também tenha seus erros – o que é normal, já que adaptar um livro como esses, adorado por milhares de pessoas, nunca será das tarefas mais fáceis.

Steve Kloves, roteirista da série, faz um primeiro trabalho com bastante competência. O principal aspecto, ao meu ver, foi se apegar completamente à história original. Assim, Kloves consegue agradar tanto aos aficionados que reclamam das partes cortadas quanto os que nunca sequer ouviram falar do bruxinho mais famoso do mundo – que têm a chance de se interar sobre os principais eventos da trama. O que ajuda os iniciantes é o tamanho do longa; quase duas horas e quarenta foram mais do que suficientes para explicar muita coisa, embora passagens importantes mereciam um maior aprofundamento: “Quem é especificamente Lord Voldemort?”, “E aquele dragão do Hagrid, o Norberto?”. Alguns desses detalhes ganham novas perspectivas nos próximos episódios, mas é possível que os marinheiros de primeira viajem fiquem ligeiramente confusos.

Para os já calejados fans da série, vale a pena se deliciar com os diálogos – alguns deles idênticos aos do livro (“cabelos ruivos, vestes de segunda mão… você deve ser um Weasley”). No entanto, se o roteiro merece aplausos por ser fiel à obra literal, é difícil dizer o mesmo do diretor Chris Columbus. Alguns cortes excessivamente rápidos prejudicam o andamento da trama, que é mal dirigida em muitas passagens e no final pouco emociona. A batalha de xadrez vencida por Ron Weasley tinha tudo para ser a mais bonita, rica e divertida, mas sob a tutela de Columbus se tornou apenas uma cena legal. O mesmo podemos dizer do encontro entre Harry Potter e o Lorde das Trevas, que era para ser empolgante, aterrador; no entanto, é monótono, chato.

Se Harry Potter e a Pedra Filosofal fica devendo em alguma coisa (e fica!), a culpa passa longe de ser dos garotos. Ainda jovens (vide foto), nem adolescentes, meros meninos recém-saídos da infância, eles fazem um trabalho muito interessante. Longe de ser admirável, é verdade, pois nessa época ainda tinham muito o que aprender, mas bem  determinados e carismáticos. Emma Watson consegue fazer uma Hermione Granger perfeita: transmite toda sua chatice e convencimento do primeiro episódio com propriedade. Daniel Radcliffe e Rupert Grint, por sua vez, também demonstram talento, nada de mais, mas promissor. No primeiro filme ainda vemos que Alan Rickman cai como luva na personagem do enigmático Severo Snape – pra mim o melhor da série!

Harry Potter e a Pedra Filosofal tem ótimos momentos, contudo, nada merecedor de grandes ressalvas. O clima, que nos episódios posteriores é mais sombrio e adulto, aqui ainda é infantil, direcionado mais para os jovens do que propriamente para os mais velhos. O figurino é belíssimo, assim como em toda a série, além de uma trilha sonora que embala o longa de maneira muito gostosa. Os efeitos especiais têm ótima qualidade, justificando a quantia milionária investida. Por fim, A Pedra Filosofal é um excelente início na saga do bruxinho Harry Potter; tem seus erros, como já era de se esperar, mas no final, seu saldo é positivo: agrada aos fans mais experientes e também aos que querem se iniciar nesse maravilhoso mundo de fantasia.

Minha Nota: 7.0

Direção: Chris Columbus
Gênero: Aventura/Drama/Suspense
Duração: 152 minutos
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Tom Felton, Richard Harris, Maggie Smith, Robbie Coltrane, Alan Rickman, John Hurt, Fiona Shaw, Richard Griffiths, Harry Melling, Ian Hart, Warwick Davis e Julie Walters.

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