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O Cavaleiro das Trevas e o IMAX

março 26, 2009

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Por Roberto Furuya

Depois de meses na geladeira, estou de volta para mais análises parciais, críticas furrecas, muitos blockbusters e comédias românticas. E para começar de onde parei, nada melhor que retomar minha última postagem. Era julho de 2008 e eu rasgava elogios ao injustiçado filme de Christopher Nolan. Digo injustiçado por saber dos resultados do Oscar 2009. Das oito categorias em que concorreu, venceu apenas duas: edição de som e ator coadjuvante. Nada mais justo do que dar o prêmio póstumo – o segundo apenas na história da Academia – para Heath Ledger.

Mas o que tinha de ser falado sobre o Cavaleiro das Trevas já foi dito inúmeras vezes. Venho lhes passar minhas impressões sobre o novo formato de cinema, pioneiro no Brasil na sala do Shopping Bourbon, em São Paulo. O IMAX, originalmente Image Maximum, é a resposta da indústria cinematográfica para a queda crescente de espectadores nas salas de exibição.

Não é mais segredo o fato de que as pessoas vão menos ao cinema, seja pela internet e sua facilidade em baixar filmes, seja pelo valor elitista estipulado por grande parcela das redes cinematográficas. Mas, a verdade é uma: o cinema perdeu um pouco de seu glamour e muito de sua aura. Além das perdas essenciais, o que mais se perdeu foram as cifras das produtoras.

Para atrair seu antigo público e, por que não, uma nova legião de fãs, o cinema se reciclou. Mas sem nenhuma revolução. O IMAX é mais do mesmo, mas em proporções muito maiores. Numa comparação real, a maioria das telas medem cerca de 12 metros de comprimento por cinco metros de altura. A tela do Unibanco IMAX, em São Paulo, mede singelos 21 metros de comprimento por 14 de altura. O som também é diferenciado. Sem mais as antigas caixinhas de som. Com a nova tecnologia, o som é surround – três vezes mais potente que o antigo. Outra diferença impressionante está na resolução da imagem – incríveis dez mil por sete mil pixels enchem sua tela de texturas, cores e vida. Para fazer a comparação, as telas antigas compartilhavam 2048 por 1080 pixels. Mas a cereja do bolo ainda não foi citada; a grande cartada do IMAX é sua compatibilidade com o 3D. Com uma tela mais côncava, torna-se mais fácil a adequação desse formato.      

Uma experiência sensorial de pura imersão. Essa é a palavra de especialistas sobre a experiência IMAX. Tenho de concordar. A primeira cena de Batman, um assalto a banco, revela tomadas aéreas da cidade de Gotham. Assistir à cena foi como observar uma paisagem numa lente grande-angular gigante. Para quem nunca tinha visto tela tão grande, foi difícil assimilar tanta informação de uma só vez. Imagine então quando as primeiras legendas apareceram, discretas, na parte de baixo do telão. Não sabia se lia, se olhava para o lado esquerdo, para cima, para baixo… Mas a sensação de estar perdido cessa em poucos minutos e você se acostuma à novidade. Acostuma-se de tal maneira que todas as outras salas nunca mais serão boas o suficiente.

Eu recomendo, apesar do preço salgado cobrado pelo ingresso. Quem quiser apreciar a sétima arte ao cubo terá de desembolsar R$ 30,00. Um valor alto demais para os padrões econômicos da maioria da população. Mas não entrarei nessa discussão. Limito-me a bancar o advogado do diabo.

Direção: Christopher Nolan
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 144 min
Elenco: Christian Bale (Bruce Wayne), Heath Ledger (Coringa), Michael Caine (Alfred Pennyworth), Aaron Eckhart (Harvey Dent), Morgan Freeman (Lucius Fox), Gary Oldman (Jim Gordon), Maggie Gyllenhaal (Rachel Dawes).

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Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008)

fevereiro 23, 2009

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Por Roberto Camargo

Quem teve a ousadia de me procurar no dia 18 de julho de 2008 não me encontrou. Para qualquer pessoa que aprecia um bom filme, esse dia havia se tornado feriado desde que foi anunciado como a estréia da continuação do renovado guardião de Gotham. Eu estava debaixo de uma máscara de morcego e envolto por uma capa preta. Mentira. Mas não nego que essa idéia chegou a passar pela minha cabeça.
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Muita expectativa foi gerada ao redor de Batman – O Cavaleiro das Trevas. Li inúmeras críticas relacionadas à película, a maioria positiva e uma ou duas que falavam alguma coisa de ruim. Sentei-me na sala de cinema pronto para ver uma atuação de Heath Ledger digna do Oscar. Esperava, novamente, por um show de ironia por parte do Alfred de Michael Caine. Rezava por uma Rachel Dawes mais convincente na pele de Maggie Gyllenhaal. Ansiava por Christian Bale e sua reinvenção do melhor herói dos quadrinhos.
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Vi exatamente o que esperava. E mais! Um Aaron Eckhart dando verossimilhança para seu Harvey Dent. E os também notáveis Lucius Fox de Morgan Freeman e comissário Gordon de Gary Oldman. Mas mais do que tudo, o que mais me entreteve foi o roteiro bem amarrado, um tabuleiro de xadrez no qual o movimento de uma única peça define o rumo de todo o jogo. Créditos para Christopher Nolan, que nos brindou com uma narrativa densa, atuações brilhantes e uma aula de ação com elementos de drama e comédia.
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A primeira cena do filme nos dá um gostinho de toda a insanidade que vem pela frente. Um assalto a banco feito por ladrões vestindo máscaras de palhaço. Um palhaço matando o outro, por ordens do chefe, para que a quantia roubada fosse dividida entre menos pessoas. O chefe é o Coringa. A segunda cena mostra uma transação entre os membros da Máfia e o vilão do primeiro filme, o Espantalho. A ação é interrompida por um grupo de Batmans armados. Após uns instantes de tiroteio, eis que surge o original.
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Nota para a visão colocada pelo diretor. Uma vez que uma pessoa normal coloca uma fantasia e resolve virar o herói da cidade, ele será seguido por outras pessoas que também acreditam poder carregar esse fardo. A realidade está bastante presente no longa. Dessa vez, o cavaleiro negro sai ferido. Bem ferido.
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Não posso contar mais nada. Bem que queria. Recomendo. Assistirei novamente sem dúvida. É um filme com cenas de ação que não deixarão com que pisquem. Um filme com um herói mais humano, mais fraco, mais covarde, mas mesmo assim, mais Batman do que nunca. Um filme que mostra a queda de um homem e o nascimento de um vilão. Um filme sobre esperança, sobre loucura, sobre coragem e sobre sacrifício. Um filme fúnebre, como a morte de seu mais talentoso filho. Um filme dark, como Batman mostrou que deve ser.
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Entrei no cinema com a esperança de ver o melhor filme da temporada. Saí com a certeza. E não pensem que se esquecerão com facilidade da risada de Heath Ledger, para sempre Coringa. Descanse em paz.
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Direção: Christopher Nolan
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 144 min
Elenco: Christian Bale (Bruce Wayne), Heath Ledger (Coringa), Michael Caine (Alfred Pennyworth), Aaron Eckhart (Harvey Dent), Morgan Freeman (Lucius Fox), Gary Oldman (Jim Gordon), Maggie Gyllenhaal (Rachel Dawes).

Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008)

fevereiro 23, 2009

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Por Guillermo Lagreca

Este com certeza foi o filme mais esperado para o ano de 2008. Muita expectativa em torno do último filme terminado por Heath Ledger, além de contar a parte da história do Batman que mais agrada aos fãs do mascarado. E deixou a desejar, e muito. O diretor Christopher Nolan parece perdido. Tornou o filme tão longo que a principal sensação que tive foi a de que o filme poderia começar na metade e não mudaria em nada a evolução da trama. Tive a companhia de minha amiga Fernanda durante a epopéia e esta desferiu um comentário extremamente perspicaz: “Já não lembrava do começo do filme quando estava perto do fim”.
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Bom, vamos tentar encontrar os pontos positivos do filme. O elenco está recheado de atores brilhantes. Christian Bale como Batman, Heath Ledger como Coringa, Michael Cane como Alfred, Aaron Eckhart como Harvey Dent, Maggie Gyllenhaal substituindo para melhor o papel de Rachel Dawes, da fraca Katie Holmes, Gary Oldman como Jim Gordon e Morgan Freeman como Lucius Fox. E estes não fazem feio, mas, tirando o papel do falecido Heath Ledger, não há espaço para brilhantismo na história das personagens.
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A história concentra-se na disputa interminável de Batman com seu principal inimigo, o Coringa. É uma história já muito conhecida pelos fãs e acredito que o diretor poderia ter dado outro enfoque. Quem gosta de Batman já conhece o final da história e esperar três horas para ver isso acontecer é, no mínimo, maçante. Pelo menos, depois da primeira hora de filme, é ação atrás de ação. Para aquele que não liga muito para as entrelinhas da película isso pode ser um atrativo.
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Agora sim falo do chamariz deste filme e da grande atração de Batman – O Cavaleiro das Trevas. Trata-se de Heath Ledger. O falecido ator realmente incorpora a personagem e nos brinda com um Coringa macabro, sarcástico e até certo ponto, profundo. Fica muito mais fácil entender o que se passa na mente do palhaço psicopata, mesmo que seja algo doentio. Sua atuação é digna de todos os prêmios possíveis. O Jack Nicholson que me desculpe, mas agora sim temos um Coringa digno de ser o arquiinimigo do morcegão.
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Para finalizar, quero deixar registrada minha insatisfação com o Batman deste filme. No primeiro filme do mesmo diretor, o que mais agradou aos fãs era o Batman impiedoso apresentado, um Batman “do mal”, mil vezes melhor que os outros já encenados. Neste filme ele volta a amolecer. Nem quando cutucam sua ferida ele se parece com o Batman de Batman Begins. Foi triste, muito triste.
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Sempre acompanhei a história do morcego paladino da justiça e também aguardava ansiosamente a estréia deste filme. Desapontamento é a melhor palavra. Usando o modelo do nosso ávido colaborador Bruno Pongas, vou dar minha nota – 3,5.
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Direção: Christopher Nolan
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 144 min
Elenco: Christian Bale (Bruce Wayne), Heath Ledger (Coringa), Michael Caine (Alfred Pennyworth), Aaron Eckhart (Harvey Dent), Morgan Freeman (Lucius Fox), Gary Oldman (Jim Gordon), Maggie Gyllenhaal (Rachel Dawes).