Posts Tagged ‘Christian Bale’

Inimigos Públicos (Public Enemies, 2009)

setembro 7, 2009
O filme mostra a época em que gângsters eram tratados como heróis pela mídia e pelo povo.

O filme mostra a época em que gângsters eram tratados como heróis pela mídia e pelo povo.

Por Alessandra Marcondes

Inimigos Públicos tem todas as características necessárias a um blockbuster: um trailler energizante, atores-estrela mega competentes (Johnny Depp, Marion Cotillard e Christian Bale), um bandido que mais parece mocinho e uma história de amor de arrasar corações. Mas é com dor no coração que eu afirmo: mesmo assim, o filme simplesmente não dá certo. Como toda película baseada em livro que por sua vez é baseado em história real, o longa se preocupa demais em reproduzir fielmente os fatos, com sua abundância de personagens, sem ter tanto tempo para explicá-los. Resultado? Mesmo o espectador mais atento acaba confundindo os bandidos do grupo de John Dillinger (Depp) com os policiais de Melvin Purvis (Bale) nas horas de ação, e fica sem saber que lado está ganhando a cada homem que cai baleado.

Não é exagero. O filme parece eterno em suas 2 horas e 20 minutos, porque vemos Depp umas três vezes capturado, escapando de três prisões diferentes, e sendo pego outras três. Bastava dar uma amostra de cada, desde que bem feita. Lembro que muita gente criticou a extensão interminável do filme A Troca, e depois de assistir, o defendi – ainda acredito que cada pedacinho dele tenha uma razão de existir. Já em Inimigos Públicos, digo com toda a certeza que isso não acontece. A Troca mostra as tantas vezes em que a mãe quase encontra o filho perdido pois a realidade é exatamente assim, e é esse detalhe – da esperança ora dada, ora tirada – que torna a vida das famílias de crianças desaparecidas tão desesperadora. Já Inimigos Públicos não acrescenta grandes coisas à trama em seu vai-e-vem, e se torna chato para quem olha de minuto a minuto o relógio torcendo para que chegue logo o final.

A história remete a uma época distante e mitológica, que talvez nunca tenha existido de fato: em tempos de fome e miséria trazidos pela Grande Depressão de 1929, surge o bandido com síndrome de Robbin Hood, se vingando dos poderosos bancos que tiram mais e mais de quem já pouco tem. Também se utiliza de elementos já apropriados por vários filmes deste estilo, fazendo uma espécie de homenagem ao cinema gângster, com seu glamour ultrapassado e eterno ao mesmo tempo. Mesmo assim, o longa não passa de um apanhado sem graça da história, e só não é mais desinteressante devido à força das atuações. Foi boa, por exemplo, a escolha de mostrar tanto John Dillinger quanto o agente Purvis como homens decentes, de moral: fica a critério do espectador decidir se está do lado do primeiro, que defende a moça de um almofadinha que exige o seu casaco, ou do segundo, que a resgata da sessão de tortura mesmo que isso custe a fuga de seu inimigo.

O filme é carregado de ambiguidades, encarnando na ordem e no caos um pouco do sentimento confuso daquela época de transições. Porém, ao romancear demais a trama, Michael Mann mudou o foco do livro, pouco importando se aquilo tudo existiu e tem íntima relação com o que vivemos hoje, desde que nutra nosso saudosismo e nossos anseios por uma sociedade cor-de-rosa. A saga de Dillinger nunca seria possível em tempos de FBI, CIA e comunicação global, e ao cortar a conexão da trama com o nosso andar histórico, Inimigos Públicos joga fora o potencial de raciocínio e questionamento próprio do cinema para se tornar vazio, de facilidade semelhante à novela da globo ou aos programa de auditório de domingo. Entretenimento e pipoca, só.

O trailler me prometeu um filme de ação à moda antiga, com Johnny Depp encarnando o charme de Clark Gable em Vencidos pela Lei. Acenderam as luzes, subiram os créditos, e eu fiquei esperando mais cenas do bandido pelo qual torci, aquele que assalta bancos mas é piedoso com seus funcionários, cavalheiro e romântico com as mulheres, que tem o charme triplicado pelo clima de perigo. Senti falta inclusive de mais música (para quê escolher a genial Ten Million Slaves, de Otis Taylor, se era para explorar tão pouco?). Talvez o erro tenha sido meu; já deveria imaginar que, em tempos de torturadores, psicopatas, maníacos e estupradores, um filme com bandido belo e íntegro não me convenceria. O triste é que Inimigos Públicos tem a pretensão de contar a história, homenagear o cinema e saciar nosso imaginário com um belo romance, mas faz tudo pela metade e acaba não significando coisa alguma.

“Eu posso roubar um banco a qualquer momento
Eles tem que ficar alertas a todo momento.
Nos divertimos hoje e não pensamos no amanhã,
Por isso estamos no topo do mundo.”

Direção: Michael Mann
Gênero: Drama/Policial
Duração: 140 minutos
Elenco: Christian Bale, Johnny Depp, Marion Cotillard, Channing Tatum, Stephen Dorff, Giovanni Ribisi, Lili Taylor, Leelee Sobieski e Billy Crudup.

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Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008)

fevereiro 23, 2009

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Por Roberto Camargo

Quem teve a ousadia de me procurar no dia 18 de julho de 2008 não me encontrou. Para qualquer pessoa que aprecia um bom filme, esse dia havia se tornado feriado desde que foi anunciado como a estréia da continuação do renovado guardião de Gotham. Eu estava debaixo de uma máscara de morcego e envolto por uma capa preta. Mentira. Mas não nego que essa idéia chegou a passar pela minha cabeça.
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Muita expectativa foi gerada ao redor de Batman – O Cavaleiro das Trevas. Li inúmeras críticas relacionadas à película, a maioria positiva e uma ou duas que falavam alguma coisa de ruim. Sentei-me na sala de cinema pronto para ver uma atuação de Heath Ledger digna do Oscar. Esperava, novamente, por um show de ironia por parte do Alfred de Michael Caine. Rezava por uma Rachel Dawes mais convincente na pele de Maggie Gyllenhaal. Ansiava por Christian Bale e sua reinvenção do melhor herói dos quadrinhos.
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Vi exatamente o que esperava. E mais! Um Aaron Eckhart dando verossimilhança para seu Harvey Dent. E os também notáveis Lucius Fox de Morgan Freeman e comissário Gordon de Gary Oldman. Mas mais do que tudo, o que mais me entreteve foi o roteiro bem amarrado, um tabuleiro de xadrez no qual o movimento de uma única peça define o rumo de todo o jogo. Créditos para Christopher Nolan, que nos brindou com uma narrativa densa, atuações brilhantes e uma aula de ação com elementos de drama e comédia.
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A primeira cena do filme nos dá um gostinho de toda a insanidade que vem pela frente. Um assalto a banco feito por ladrões vestindo máscaras de palhaço. Um palhaço matando o outro, por ordens do chefe, para que a quantia roubada fosse dividida entre menos pessoas. O chefe é o Coringa. A segunda cena mostra uma transação entre os membros da Máfia e o vilão do primeiro filme, o Espantalho. A ação é interrompida por um grupo de Batmans armados. Após uns instantes de tiroteio, eis que surge o original.
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Nota para a visão colocada pelo diretor. Uma vez que uma pessoa normal coloca uma fantasia e resolve virar o herói da cidade, ele será seguido por outras pessoas que também acreditam poder carregar esse fardo. A realidade está bastante presente no longa. Dessa vez, o cavaleiro negro sai ferido. Bem ferido.
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Não posso contar mais nada. Bem que queria. Recomendo. Assistirei novamente sem dúvida. É um filme com cenas de ação que não deixarão com que pisquem. Um filme com um herói mais humano, mais fraco, mais covarde, mas mesmo assim, mais Batman do que nunca. Um filme que mostra a queda de um homem e o nascimento de um vilão. Um filme sobre esperança, sobre loucura, sobre coragem e sobre sacrifício. Um filme fúnebre, como a morte de seu mais talentoso filho. Um filme dark, como Batman mostrou que deve ser.
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Entrei no cinema com a esperança de ver o melhor filme da temporada. Saí com a certeza. E não pensem que se esquecerão com facilidade da risada de Heath Ledger, para sempre Coringa. Descanse em paz.
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Direção: Christopher Nolan
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 144 min
Elenco: Christian Bale (Bruce Wayne), Heath Ledger (Coringa), Michael Caine (Alfred Pennyworth), Aaron Eckhart (Harvey Dent), Morgan Freeman (Lucius Fox), Gary Oldman (Jim Gordon), Maggie Gyllenhaal (Rachel Dawes).

Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008)

fevereiro 23, 2009

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Por Guillermo Lagreca

Este com certeza foi o filme mais esperado para o ano de 2008. Muita expectativa em torno do último filme terminado por Heath Ledger, além de contar a parte da história do Batman que mais agrada aos fãs do mascarado. E deixou a desejar, e muito. O diretor Christopher Nolan parece perdido. Tornou o filme tão longo que a principal sensação que tive foi a de que o filme poderia começar na metade e não mudaria em nada a evolução da trama. Tive a companhia de minha amiga Fernanda durante a epopéia e esta desferiu um comentário extremamente perspicaz: “Já não lembrava do começo do filme quando estava perto do fim”.
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Bom, vamos tentar encontrar os pontos positivos do filme. O elenco está recheado de atores brilhantes. Christian Bale como Batman, Heath Ledger como Coringa, Michael Cane como Alfred, Aaron Eckhart como Harvey Dent, Maggie Gyllenhaal substituindo para melhor o papel de Rachel Dawes, da fraca Katie Holmes, Gary Oldman como Jim Gordon e Morgan Freeman como Lucius Fox. E estes não fazem feio, mas, tirando o papel do falecido Heath Ledger, não há espaço para brilhantismo na história das personagens.
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A história concentra-se na disputa interminável de Batman com seu principal inimigo, o Coringa. É uma história já muito conhecida pelos fãs e acredito que o diretor poderia ter dado outro enfoque. Quem gosta de Batman já conhece o final da história e esperar três horas para ver isso acontecer é, no mínimo, maçante. Pelo menos, depois da primeira hora de filme, é ação atrás de ação. Para aquele que não liga muito para as entrelinhas da película isso pode ser um atrativo.
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Agora sim falo do chamariz deste filme e da grande atração de Batman – O Cavaleiro das Trevas. Trata-se de Heath Ledger. O falecido ator realmente incorpora a personagem e nos brinda com um Coringa macabro, sarcástico e até certo ponto, profundo. Fica muito mais fácil entender o que se passa na mente do palhaço psicopata, mesmo que seja algo doentio. Sua atuação é digna de todos os prêmios possíveis. O Jack Nicholson que me desculpe, mas agora sim temos um Coringa digno de ser o arquiinimigo do morcegão.
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Para finalizar, quero deixar registrada minha insatisfação com o Batman deste filme. No primeiro filme do mesmo diretor, o que mais agradou aos fãs era o Batman impiedoso apresentado, um Batman “do mal”, mil vezes melhor que os outros já encenados. Neste filme ele volta a amolecer. Nem quando cutucam sua ferida ele se parece com o Batman de Batman Begins. Foi triste, muito triste.
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Sempre acompanhei a história do morcego paladino da justiça e também aguardava ansiosamente a estréia deste filme. Desapontamento é a melhor palavra. Usando o modelo do nosso ávido colaborador Bruno Pongas, vou dar minha nota – 3,5.
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Direção: Christopher Nolan
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 144 min
Elenco: Christian Bale (Bruce Wayne), Heath Ledger (Coringa), Michael Caine (Alfred Pennyworth), Aaron Eckhart (Harvey Dent), Morgan Freeman (Lucius Fox), Gary Oldman (Jim Gordon), Maggie Gyllenhaal (Rachel Dawes).