Archive for the ‘Terror’ Category

Anticristo (Antichrist, 2009)

setembro 4, 2009

Anticristo

Por Bruno Pongas

“Eu sou o maior cineasta do mundo” / “Anticristo foi feito com aproximadamente 50% da minha inteligência habitual”

Por mais carregadas de ironia que essas frases possam estar, o controverso diretor dinamarquês, Lars von Trier, mostra nelas uma dose exagerada de pedantismo. O mesmo pedantismo, que aliás, permeia o seu Anticristoobra que vem dividindo críticos e espectadores pelo mundo. No meu conceito, obras-primas caminham lado-a-lado com fiascos pretensiosos… “nunca dê um passo maior do que a perna”, é o que diz o ditado popular. Von Trier, ao meu ver, quis ser maior do que pensa que é, usou artifícios simples e apelativos para chocar e construíu uma trama ideologicamente sem grande sentido. O resultado? Muito burburinho e um objetivo cumprido: divulgar seu novo longa.

Posso estar aqui errado, mas ninguém irá me convencer de que o diretor usou e abusou do apelo/violência sexual apenas porque estava deprimido. Vemos em Anticristo uma obra interessante, com potencial, que aborda temas pertinentes, só que muito, mas muito mal explorada. Ao observar os créditos subindo embalados por uma música pesada, o primeiro sentimento que me ocorreu foi: “que desnecessário!”. O bom público, que esperava ansioso pelo longa, saiu da sala aparentemente decepcionado. Durante os minutos finais (onde o bicho realmente pega) podia ouvir comentários breves a cada absurdo que surgia na tela.

Sou conservador? Se isso que estou dizendo pode ser chamado de conservadorismo, admito essa postura com muito orgulho. No meu ponto de vista, existem formas e formas de se fazer chocar, de causar impacto… sou fervorosamente contra a arte levada ao extremo, ainda mais quando se usam artifícios como esses para deixar o público em polvorosa. Lars von Trier tenta justificar de qualquer maneira e a todo custo sua mente deturpada e o estado insano pelo qual passava. O resultado disso é discutível. Pouco funciona como filme de terror, pois se utiliza de artimanhas manjadas para assustar (até diretores de quinta-cartegoria iriam melhor nesse quesito). Como drama, no entanto, admito que é mais eficiente, embora perca o rumo depois de um tempo.

Toda essa crítica, acredite, é de alguém que havia criado grande expectativa em torno desse filme. Me esforcei bastante para simpatizar com ele, e confesso que até gostei de algumas partes. O prólogo, composto pela bela música de Händel, é das coisas mais lindas do cinema contemporâneo. Toda aquela cena, retocada pela fotografia em preto e branco, goza de uma classe única, de um estilo elogiável e inconfundível (possivelmente faz parte dos 50% da inteligência do diretor). Gostei também dos personagens pecaminosos, especialmente da mulher – espetacularmente interpretada por Charlotte Gainsbourg. Sua profundidade é extrema, assim como sua maldade – é como se tudo o que há de ruim no mundo fosse canalizado em uma só pessoa. E era esse mesmo o objetivo: a mulher, o feminicídio, a maldade, o éden, a natureza, o caos… que potencial jogado no lixo!

Lars von Trier consegue com seu novo trabalho um exemplar único, só que infelizmente da maneira errada. O diretor que costumeiramente soca, espanca, incomoda, provoca – tudo isso de uma vez –  dessa vez atinge somente um de seus objetivos: chocar. Se era isso mesmo que ele queria, aqui há por merecimento uma nota louvável, um dez sem nem pensar duas vezes. Contudo, como o próprio se recusa a explicar sua obra, tenho que me pautar apenas pela minha linha de raciocínio (o que é muito pouco, eu sei). E nos meus humildes pensamentos, Anticristo nada mais é do que um retrato desnecessário vindo de uma mente, naquele momento, doentia.

Minha Nota: 4.5

Direção: Lars von Trier
Gênero: Drama/Terror
Duração: 100 minutos
Elenco: Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg.

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FilmeFobia (FilmeFobia, 2008)

maio 20, 2009
Bernardet joga partida de pôquer sangrenta com o diretor Kiko Goifman, que tem fobia de sangue e chegou a desmaiar durante as filmagens.

Bernardet joga partida de pôquer sangrenta com o diretor Kiko Goifman, que tem fobia de sangue e chegou a desmaiar durante as filmagens.

 Por Alessandra Marcondes

Mais do que um filme de terror, FilmeFobia desmembra o modo de fazer cinema, brincando com seus elementos – seria um documentário, um making of, ou puro retrato mal feito de uma realidade manipulável? Entretanto, o longa é bem menos do que um filme de terror quando produz um trailler aterrorizante, servindo de chamariz para público semelhante ao da saga de Jogos Mortais, sem fornecer o que os sadomasoquistas de plantão desejam realmente: terror, suspense, e uma trama que os impeça de sair da sala. Pois bem! Mesmo que o filme se perca em alguns momentos, se valendo de fobias desinteressantes ou de diálogos que direcionam o espectador para uma linha de raciocínio óbvia, a experiência analítica de FilmeFobia vale a pena. O longa se transforma em uma espécie de aula de psicologia, e os pobres mortais, que não conseguem se identificar com medos bizarros como o de botões, podem pensar  melhor a respeito do encademento de situações-limite entre os seres humanos.

Na trama, um diretor interpretado por Jean Claude Bernardet – um dos principais estudiosos de cinema no Brasil – busca a imagem ‘verdadeiramente autêntica’ passada por um homem diante de sua fobia. Com o auxílio da trilha sonora de Lívio Tragtenberg e das geringonças projetadas por Cris Bierrenbach, cobaias com os mais diferentes medos são ‘obrigadas’ a enfrentá-los, em circunstâncias construídas artificialmente com tremenda criatividade – no caso da fobia de sexo, por exemplo, o ato é simulado por carrinhos de controle remoto amarrados a vibradores que batem desenfreadamente na garota nua, suspensa no meio da sala. Porém, a linha entre ficção e realidade é turva desde o início: Jean-Claude, hoje com AIDS e com a ameaça de perder a visão, interpreta a si mesmo discutindo a relação entre os fóbicos do filme e seu medo da cegueira iminente, e justifica seu aparente sadismo com a desculpa de procurar pela imagem perfeita enquanto ainda pode enxergá-la.

O rumo para making of é traçado: a todo o tempo, diálogos intermináveis entre a equipe do filme demonstram a preocupação com o encaminhamento ético do experimento. Cada um expõe seu sentimento quanto às cenas das fobias, pois de forma no mínimo estranha – para não dizer doentia – o grupo continua agindo da maneira esperada: um filma, enquanto o outro discoteca, e uma terceira fotografa, não importando o nível de descontrole atingido pelo fóbico. Nas circunstâncias mais absurdas, o real diretor do filme, Kiko Goifman, desmaia várias vezes enfrentando sua própria fobia de sangue e, ainda assim, continua a se submeter ao sentimento horroroso catalisado pela dor em seus olhos, que foram mantidos abertos por fitas adesivas, para bloquear sua única forma de defesa. Ao mostrar também a fobia de palhaços, na qual o fóbico não teve reações aparentes e, portanto, ‘não deu certo’, o longa se diz legitimamente documental, mostrando seus acertos acompanhados de suas dificuldades, apimentadas pela discussão na qual o fóbico chama Jean-Claude de sádico.

Porém, depois das cenas desnecessárias de injeções no olho do pseudodiretor, e de muitas desistências na sala, o espectador que se manteve ali tem sua recompensa: descobre que foi enganado. A câmera flagra Jean-Claude dando instruções para uma atriz de como ela deveria agir de acordo com a fobia de cabelos e, logo depois, somos confrontados com uma atuação bem convincente dela como fóbica. Pergunta-se então: assisti a um filme inteiramente mentiroso? Infelizmente, é difícil responder à questão. No próprio making of, há o depoimento da fóbica de cabelos indignada com o experimento, e a claustrofobia interpretada por Bernardet, que desce em um poço de sete metros de profundidade e grita sufocado lá embaixo, sai em catarse, mas depois de acabada a cena, sorri, abraça Goifman e diz que foi “marravilhoso”.

FilmeFobia não é o primeiro falso documentário que manipula a realidade de forma assumida;  Jogo de Cena (Eduardo Coutinho) utilizou o recurso como proposta inicial ao misturar mulheres desconhecidas a atrizes, enquanto João Moreira Salles viu a chance de pedir desculpas ao mordomo falecido assumindo seus erros na documentação de Santiago. Entretanto, como se espera dos grandes nomes por trás do longa, FilmeFobia faz raciocinar além de seu roteiro sádico-ou-não-sádico: chama a atenção para a era frenética de reprodução de imagens que vivemos hoje, fazendo um apelo ao senso crítico existente nos homens, para que estes abandonem o consumo de informações fáceis para construir uma consciência sólida diante das manifestações midíaticas. As câmeras focadas na preparação detalhada das fobias também dão uma boa aula de cinema, na qual se aprende a pensar em cada elemento de uma cena, para que o objetivo da mensagem não se perca – fóbicos completamente nus transmitem a imagem de indefesos, enquanto o esteriótipo do diretor doente que resolve transmitir dor aos outros o coloca no lugar perfeito de sádico, sem esquecer da participação de Zé do Caixão, que agrega ao filme mais marcas de terror.

Direção: Kiko Goifman
Gênero: Terror
Duração: 80 minutos
Elenco: Jean-Claude Bernardet, Cris Bierrenbach, Hilton Lacerda, Lívio Tragtenberg, Kiko Goifman

P2 – Sem Saída (P2, 2007)

fevereiro 23, 2009
p2
Por Bruno Pongas
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P2 – Sem Saída é mais um dos filmes que eu já assisti faz um bom tempo. Tinha ido ao cinema ver um outro filme que não me recordo muito bem agora, e passou o trailler do P2. Achei empolgante e assustador ao mesmo tempo; foi o suficiente para fazer eu voltar ao cinema na semana seguinte.
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Só que, o filme dirigido por Frack Khalfoun é mais um daqueles filmes que tem um trailler empolgante, que faz você ir até o cinema para prestigiar a película, mas que seu produto final deixa um pouco a desejar.
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A história gira em torno de Angela Bridges (Rachel Nichols), uma executiva ávida por promoção que resolve ficar até mais tarde trabalhando na véspera do natal. Como em todo filme de terror, algo dá muito errado para a personagem não conseguir voltar para casa. É ai que entra Thomas (Wes Bentley – Beleza Americana), segurança do estacionamento do prédio onde Angela trabalha. Como tudo dá sempre errado com a mocinha, ela se direciona à seu carro para voltar para casa, e para a surpresa (ou não) de todos, seu carro decide não pegar no tranco. Thomas oferece ajuda e simpaticamente até convida a moça a passar a véspera de natal em sua humilde residência, que é no próprio estacionamento. A partir daí começa uma verdadeira caça pelo estacionamento no melhor estilo Tom & Jerry.
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P2 não chega a ser um grande filme. Segue os moldes da maioria das películas de terror/suspense; aquela fórmula na qual o protagonista passa por poucas e boas durante quase toda a história e no final acaba se dando bem. É daqueles que acaba passando batido pela memória por não ser marcante em nenhum sentido. Não é digno de se lembrar por ser um péssimo filme, mas, também está a anos luz de ser algo bom.
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Minha Nota: 5.5
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Direção: Franck Khalfoun
Gênero: Terror
Duração: 98 minutos
Elenco: Wes Bentley, Rachel Nichols, Simon Reynolds e Grace Lynn Kung.

Sweeney Todd (Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, 2007)

fevereiro 23, 2009

sweeneytodd2

Por Bruno Pongas

Bom, na minha estréia aqui no blog, vou falar desse filme que já assisti faz algum tempo, mas por indisponibilidade de tempo só estou postando agora sobre ele. Vale lembrar que não entendo nada de filmes técnicamente falando, nesse ponto sou leigo no assunto, mas, como amante do cinema, também gosto de dar meus pitacos a respeito dos filmes.
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Muita gente pode virar a cara ao saber que o longa é baseado em um musical (De Stephen Sondhein e Hugh Wheeler); eu mesmo pensei duas vezes antes de comprar meu ingresso, já que não saberia o que estava por vir. Tenho que admitir que me surpreendi muito com o filme e que ele é bem melhor do que eu esperava, também, dirigido por Tim Burton, coisa ruim não poderia ser.
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Benjamin Barker (Johnny Depp) é um cidadão pacato, que leva uma vida comum e feliz ao lado de sua esposa, Lucy (Laura Michelle Kelly) e sua filha Johanna (Jayne Wisener). Entretanto, o homem mais poderoso da cidade, o juiz Turpin (Alan Rickman), se interessa pela esposa de Barker e manda prendê-lo e exilá-lo da cidade. Após 15 anos, Barker volta a Londres com uma nova identidade, agora na pele do malvado e rancoroso Sweeney Todd. Já em Londres, ele descobre o terrível destino de sua esposa e de sua filha, e é ai que a trama toda se desenvolve. Todd volta a trabalhar como barbeiro na rua Fleet, na parte de cima da lojinha da Sra. Lovett (Helena Bonham Carter), uma espécie de cozinheira que fazia as piores tortas da cidade. Enquanto Todd aguarda ansiosamente e com sede de vingança a ida de Turpin à sua barbearia, ele vai matando um a um seus clientes em um festival de sangue para todos os lados. Misteriosamente, a loja da Sra Lovett, que vendia tortas horríveis e nada saborosas, se torna um sucesso e toda a cidade passa a frequentá-la.
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É um filme que mescla terror com algumas partes bastante engraçadas, recomendo para qualquer um, independente de gostos ou preconceitos contra musicais. Sweeney Todd concorreu a três Oscars – Direção de arte, melhor ator e melhor figurino – venceu o de melhor direção de arte.
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Curiosidade I:
A atriz Helena Bonhan Carter é noiva do diretor Tim Burton, e um dos filhos do casal (Billy), aparece em uma das cenas do filme.
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Curiosidade II: O ator Sacha Baron Cohen pode passar despercebido na trama interpretando o Signor Adolfo Pirelli, mas, vale lembrar que ele ficou famoso na pele de Borat – um personagem do ator para a TV que acabou se tornando um filme de bastante sucesso.
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Minha Nota: 9.0
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Direção: Tim Burton
Gênero: Terror/Musical/Comédia
Duração: 116 minutos
Elenco: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman e Sacha Baron Cohen.

1408 (1408, 2007)

fevereiro 23, 2009

1408

Por Roberto Camargo

O conceito para filmes de terror se perdeu em algum lugar do tempo entre Drácula e um dos milhares de garotos que já reencarnaram o coisa ruim. O espectador que é fã desse gênero conta com poucas opções para apreciar um bom filme, ou tomar um grande susto. De um lado da balança temos ótimas películas, como O Exorcismo de Emily Rose e Sweeney Tood. Do outro, refilmagens saturadas de antigos longas ou de clássicos nipônicos.

1408 não me pareceu candidato a entrar na seleta lista dos melhores terrores do ano. O que me incentivou a assisti-lo foi um único nome: John Cusack. O ator consagrado é sinônimo de boas atuações e garante sempre um bom entretenimento. Além disso, o elenco conta com a presença de outro medalhão de Hollywood, Samuel L. Jackson, que participa num papel secundário.

O roteiro, em linhas gerais, mostra o trabalho do autor de livros sobrenaturais Mike Enslin (Cusack). Seus livros desmistificam lugares que são tidos como assombrados. Em uma de suas investidas rumo ao desconhecido, acaba recebendo um bilhete que dizia para não entrar no quarto 1408 do Dolphin Hotel, em Nova York. Ou seja, um convite tentador para visitar a terra do Central Park, do antigo World Trade Center e dos Friends.

Quando chegou ao hotel, foi levado ao gerente (Jackson) que tenta convencê-lo de todas as maneiras que não é uma boa idéia pernoitar naquele quarto. De nada adiantou a insistência, uma vez que o destemido escritor não mudaria de opinião, não perderia sua história.

A partir daí, o filme se passa inteiro dentro do quarto. Dentro da proposta que o diretor Mikael Hafström abraçou, o filme pode ganhar uma crítica positiva. Câmeras fechadas tornam a perspectiva claustrofóbica, o som da respiração do protagonista causa sensação de sufoco. Mas o produto como um todo não funciona. Segundo uma amiga minha, “1408 é um filme feito com o único intuito de nos assustar”.

Sem dúvida o é. Mas nem  mesmo a proposta de nos assustar funciona tão bem. A adaptação do romance do mestre do terror, Stephen King, não rende uma boa película. Assista se quiser um terror mais psicológico. Ou se já estiver cansado de torturas em quartos escuros e ligações que te matam em uma semana.

Direção: Mikael Hafström
Gênero: Terror
Duração: 104 minutos
Elenco: John Cusack, Samuel L. Jackson, Mary McCormack, Jasmine Jessica Anthony e Christopher Carey.