Archive for the ‘Comédia’ Category

Inquietos (Restless, 2011)

dezembro 9, 2011

Por Bruno Pongas

A morte é um tema recorrente no universo cinematográfico e popular entre as mais variadas culturas. Nossa curiosidade é infinita, sobretudo quando se trata de algo desconhecido. Quem nunca parou e pensou: o que acontece depois que morremos? Para muitos a vida acaba de vez, voltamos ao pó e fim de papo. Para outros há uma sequência, o paraíso, o renascimento…

Por ser impossível saber para onde vamos (se é que vamos para algum lugar) é que a morte acaba tendo tanta popularidade. Inquietos poderia ser apenas mais um dentre tantos filmes que se apoiam nesta temática, mas Gus Van Sant vai além e busca alternativas ao lugar comum. A morte aqui é apenas um pano de fundo. O que importa, na verdade, é como as pessoas lidam com ela.

Logo de cara somos apresentados ao jovem Enoch, que tem como passatempo (acreditem!) acompanhar velórios de pessoas desconhecidas. Pode soar estranho, mas apesar do mórbido hobbie, Enoch tem problemas para lidar com a morte. É num desses velórios que ele conhece a igualmente jovem Annabel. Podemos dizer que Annabel é o oposto do seu par. Enquanto ele convive com a morte de uma forma secundária, mas psicologicamente problemática, ela encara seu destino naturalmente – Annabel tem câncer e está em estado terminal, tendo apenas mais três meses de vida.

O japonês Hiroshi completa a trinca de personagens principais. Difícil explicar ou entender o que passou pela cabeça de Gus Van Sant ao incluí-lo na história. Hiroshi é o melhor amigo de Enoch, mas um melhor amigo um pouco incomum – ele é um fantasma! Fica claro desde o início que existe um laço fraternal entre os dois, laço esse que é marcado por brincadeiras (batalha naval!), conselhos e também por uma pitada de ciúmes.

Falando assim até parece que estamos diante de mais uma daquelas tramas sem pé nem cabeça, mas a aparente loucura serve como alicerce para algo maior. Gus Van Sant faz um ótimo trabalho atrás das câmeras e consegue extrair o máximo de seus comandados – 0 casal está muito convincente! Mérito dos atores? Também! Tanto Mia Wasikowska quanto Henry Hopper transmitem uma bela dose de realismo, mas acredito que o diretor tem sua “culpa” neste aspecto – ainda mais por se tratar de uma dupla de jovens, menos experientes. Vale lembrar que Henry é filho do grande Dennis Hopper, ator e diretor que participou de dezenas de filmes em Hollywood e a quem o longa é dedicado (Dennis morreu em 2010 vítima de um câncer de próstata).

Esse realismo de que falo é retocado por diálogos inspirados. Geralmente este tipo de filme traz consigo doses carregadas de sentimentalismo ou piadas pasteurizadas. Inquietos é essencialmente diferente. O relacionamento entre as personagens é natural porque os diálogos têm identidade, originalidade. Claro que o perfil do casal contribui, pois ambos apresentam traços de personalidade incomuns em obras do gênero. O mérito neste caso vai para o roteirista Jason Lew. Falando nele, sabiam que a história do longa é baseada numa experiência real do próprio Lew? Coisa de doido mesmo…

Ah, e é quase impossível encerrar a crítica sem elogiar a trilha sonora de Danny Elfman, figurinha carimbada nos filmes de Tim Burton e autor da emblemática música de abertura dos Simpsons. Elfman bolou uma trilha discreta, recheada de baladinhas pop/rock e embalada pela clássica Two of Us, dos Beatles. Nem é preciso dizer que os acordes alternativos combinam – e muito – com os protagonistas, né?

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Ervas Daninhas (Les Herbes Folles, 2008)

janeiro 27, 2010

Por Bruno Pongas

Alain Resnais é um cara singular. Seus filmes têm característica própria e geralmente trazem à tona um universo completamente seu. Isso tem lá seus motivos. Resnais sempre foi de trabalhar com roteiristas ao invés de inventar os seus roteiros. Isso lhe deu uma característica única, por isso a singularidade que eu citei acima. Trabalhando assim, ele tem a dádiva de inventar, de colocar o seu próprio ponto de vista em cima de uma história.

É divertido, sabe ser bem humorado e ao mesmo tempo consegue ter prazer naquilo que faz. Ervas Daninhas é o máximo exemplo disso. É a prova cabal de que um cineasta pode, ao mesmo tempo, fazer um filme para o público e se divertir com aquilo tudo. Esse exercício de liberdade, no entanto, conta com suas restrições, que serão devidamente descritas ao longo desta resenha.

Há alguns meses atrás, neste mesmo espaço, desenrolei linhas e mais linhas contra Lars Von Trier e o seu terapêutico Anticristo. Para mim, a obra do conceituado dinamarquês também é única, só que única para o próprio Trier, já que ele fez um filme exclusivamente para ele, jamais para o público. A tentativa de chocar é uma descarga de seus sentimentos depressivos, ao passo que uma história que poderia ser interessante e inteligente é jogada no ralo em detrimento de preciosismo próprio.

Resnais faz algo semelhante em seu drama/comédia. Ele cria um trabalho para si e visivelmente sente prazer nisso. Por mais que seja uma investida interessante, assim como foi a de Trier, o longa se esvai a medida que os minutos transcorrem. A história se torna sem sentido e se perde numa eventual diversão aqui e ali. Tudo é absolutamente nonsense: o roteiro, os personagens, o desfecho… mas falta uma cara para o trabalho, falta um quê, um desfecho pretensioso, aquelas coisas todas que façam valer a pena.

É claro que algumas jogadas valem o ingresso. Há trechos impagáveis sim! O principal deles é já no finalzinho, quando sobe aquela música clássica dos filmes norte-americanos e um “FIM” piscante entra em cena. A metalinguagem desse trecho é divertida e realmente prova que Resnais é um cara merecedor de todas as honras como cineasta. Além disso, vale dizer que tecnicamente o filme é genial.

Sacadas de câmara, ótimos ângulos, cortes na hora certa… tudo isso faz parte do cartel de um diretor que sabe como montar suas cenas. Vale registrar também o fato de que Resnais sabe o que quer de seus comandados. Em Ervas Daninhas, ele exprime o máximo dos atores, que correspondem à altura. É impossível não se deliciar com as passagens de André Dussollier; um legítimo doido, psicótico. É extremamente divertido vê-lo em cena, e é por essas e por outras que eu nunca iria me arrepender de ter gastado nove valiosos reais num ingresso.

Para resumir em poucas linhas, Resnais sabe o que faz com uma câmera nas mãos, o que torna sua nova obra legítima e compreensível. Apesar de ter saído do cinema ligeiramente decepcionado, reconheço que acompanhei mais um trabalho de um cara único, daqueles que surgem de tempos em tempos e marcam seus nomes na história do cinema.

Minha Nota: 7.0

Direção: Alain Resnais
Duração: 104 minutos
Gênero: Comédia/Drama
Elenco: Sabine Azéma, André Dussolier, Mathieu Amalric, Emmanuelle Devos, Sara Forestier, Anne Consigny, Nicolas Duvauchelle, Edouard Baer e Vladimir Consigny

A Verdade Nua e Crua (The Ugly Truth, 2009)

setembro 28, 2009

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Por Bruno Pongas

O bom e velho gênero das comédias românticas produz anualmente uma quantidade infindável de filmes. A qualidade deles, no entanto, é discutível na maioria dos casos, pois raramente vemos uma que definitivamente valha a pena. Com finais óbvios, personagens bobos e roteiros canhestros, o gênero se desgasta cada vez mais, a p0nto de afastar os próprios fans das salas de cinema. A boa notícia é que de vez em quando aparece uma grata surpresa; foi assim com A Propostaalguns meses atrás – e agora com A Verdade Nua e Crua.

É bem verdade que a fita passa longe da originalidade que tanto se cobra do gênero, mas tem bons momentos suficientes para sobreviver num campo disputadíssimo. Pois é… e o ponto de partida para isso é a química entre o casal de protagonistas (Gerard Butler e Katherine Heigl). Sempre que em cena, Butler e Heigl enchem os olhos do espectador, já que em certos momentos chegam a fazer chorar de rir. A dupla segura o fraco roteiro com bastante habilidade, e mesmo que a comédia seja óbvia, ela se diferencia pelo bom desempenho do par principal.

Tenho para mim que o maior objetivo desse tipo de longa é divertir. Sou contra aquele pensamento que dá valor apenas ao cinema reflexivo. A sétima arte também surgiu como forma de entretenimento para as massas… sabendo disso, qual o mal em garantir boas risadas com algo fútil e estúpido? Nenhum! A Verdade Nua e Crua cumpre seu papel exemplarmente, sempre com o apoio de piadas pesadas e cenas escrachadas – que algumas vez até extrapolam o limite do bom senso.

Elogiei bastante a obra, mas como crítico devo apontar alguns defeitos que em minha leitura foram prejudiciais à história. O primeiro deles, claro, é o roteiro. Como é difícil sair do óbvio, buscar novos horizontes, tentar algo diferente… os roteiristas de comédias românticas parecem acomodados demais para pensar, pois chupinhar o que já existe é bem mais fácil mesmo… o filme caminha num ritmo muito bom até a metade, enquanto a personagem de Gerard Butler tenta aconselhar Katherine Heigl a conquistar o ‘homem perfeito’. Contudo, quando o enredo parte para outro viés e tudo é manipulado para acabar ‘bonitinho’, há uma queda abrupta de qualidade, o que deixa o espectador enfadonho e com um ar: “Poxa, já vi isso umas mil vezes antes!”.

Apesar desse deslize e do amontoado de clichês, A Verdade Nua e Crua ainda é forte o bastante para divertir sem compromisso; sem dúvidas uma ótima pedida para um casal num domingo à noite sem muito o que fazer. E lhe garanto, caro leitor, o emaranhado de cenas sugestivas e instigantes mexem com os hormônios, e fazem, de alguma maneira, valer o ingresso. Tá aí a dica!

Minha Nota: 6.5

Simplesmente Feliz (Happy-Go-Lucky, 2008)

setembro 15, 2009

Simplesmente Feliz

Por Bruno Pongas

Se todos nós tivéssemos um pouco da alegria embutida na personalidade de Poppy estariamos feitos. Ela, que leva sua vidinha simples em meio aos problemas do cotidiano, jamais deixa de ser uma pessoa alegre, bonita e encantadora. A personagem faz o que muitos de nós deixamos passar batido em nosso dia-a-dia: encara as coisas com naturalidade, sempre sorrindo e tentando achar o lado bom da vida. Mesmo que tal alegria possa soar artificial e irritante em alguns momentos, a excelente Sally Hawkins consegue nos brindar com um ótimo papel – uma verdadeira fábula indicada, sobretudo, aos mal-humorados.

Na história, Poppy é uma professora de escola primária, que, como já dito, procura ver o lado bom da vida em tudo. No dia em que sua bicicleta é roubada, ao invés de ficar furiosa como qualquer ser humano ‘normal’, ela simplesmente sorri, e vai atrás de uma auto-escola para aprender a dirigir. Seu instrutor, o carrancudo Scott (Eddie Marsan), é completamente o oposto dela… sempre mal-humorado, irritado e de mal com a vida. No entanto, ao conhecer a garota as coisas mudam, e é a partir daí que vemos a trama ganhar seu colorido especial.

Sob a batuta de um diretor qualquer, Simplesmente Feliz fatidicamente cairia no senso comum das comédias românticas: personagens estúpidos, roteiro fraco e final altamente previsível. A habilidade e experiência de Mike Leigh, contudo, faz do filme um pequeno achado dentro de 2008. Os personagens, quando em cena, aparecem de forma genial. Leigh os construíu com cuidado, com destaque especial, é claro, para Poppy, que goza de uma profundidade extrema. O introspectivo instrutor é outra grande figura, e nos remete a pensamentos mais pessoais: “será que também somos assim? até que ponto levamos a vida com seriedade exagerada?”. Scott é como um reflexo do nosso cotidiano… um pouco caricato, é claro, mas com atitudes que nos instiga a refletir.

É por essas e por outras que Mike Leigh é um cineasta respeitadíssimo. Mesmo com uma obra que custou pouco – praticamente um trabalho secundário em sua carreira – ele nos condecora com uma história divertida e tocante… sempre à sua maneira. O roteiro, que também é assinado por ele, se diferencia bastante do que temos costumeiramente no gênero. Além dos ótimos diálogos, Leigh compensa a certa previsibilidade do argumento com um trabalho firme, maduro e gostoso de assistir. Uma pena que os personagens secundários tenham ficado um pouco limitados… eles mereciam um tempinho a mais em cena. Falando neles, talvez seja esse o grande mérito do diretor: criar pessoas extremamente interessantes e verossímeis, daquelas que podemos tranquilamente encontrar em nosso cotidiano, no trabalho, na faculdade… onde quer que seja.

Simplesmente Feliz, assim como sua personagem principal, se destaca pela simplicidade. Sem grandes maneirismos, efeitos mirabolantes ou coisas de outro mundo… muito pelo contrário! Vemos aqui a arte em estado puro, de uma maneira que é difícil encontrar no cinema hoje em dia. Mike Leigh, juntamente com Sally Hawkins, merecem todos os créditos. Vale se ligar também na trilha sonora, que se encaixa como luva no colorido mundo da simpática Poppy.

Minha Nota: 7.5

Direção: Mike Leigh
Gênero: Comédia/Drama
Duração: 118 minutos
Elenco: Sally Hawkins, Alexis Zegerman, Andrea Riseborough, Samuel Roukin, Sinead Matthews, Kate O’Flynn, Sarah Niles e Eddie Marsan.

Brüno (Brüno, 2009)

setembro 8, 2009

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Por Bruno Pongas

O humor negro e nonsense de Sacha Baron Cohen inovou a maneira de se fazer comédia com o carismático Borat, em 2006. Nesse ano (2009), foi a vez de Brüno – um repórter gay austríaco que tenta a vida na América – chegar ao circuito mundial. Se o primeiro foi um sucesso justamente por ser inovador, o segundo fica devendo e muito nesse quesito. Seguindo basicamente o mesmo modelo de Borat – muito porque Sacha repete a parceria com o diretor Larry Charles e com alguns dos (vários) roteiristas – Brüno só acaba se salvando por raros momentos inspirados – o que veremos no decorrer desse texto.

Hei de confessar a vocês, caros leitores, que tenho um ligeiro preconceito com filmes desse tipo. Há quem ame comédia escrachada, eu respeito, mas é um tema que eu já olho torto logo de cara. Contudo, quando vi o aparentemente ingênuo repórter Borat Sagdiyev aprontando poucas e boas, ainda por cima com uma excelente crítica à ignorância do povo norte-americano (todos os povos têm seus ignorantes, é sempre bom frisar), achei divertidíssimo, rolei de rir e me despi de qualquer tipo de pré-conceito. No entanto, com o arrogante repórter austríaco tive uma experiência completamente distinta. Sem carisma, o personagem decepciona e garante pouquíssimas risadas.

Estruturalmente falando, vemos muito de Borat em Brüno. Por que? É simples: a narrativa de ambos é praticamente idêntica, o que dissipa qualquer suspiro de originalidade pretendida pelo longa. Trocando o estilo da personagem e algumas piadas aqui e ali, é praticamente impossível distinguí-los. Outro ponto que pode aborrecer o espectador é o fato de ninguém saber até que ponto o que acontece é totalmente verdadeiro. Obviamente existem algumas partes montadas para encher o roteiro… sem elas, a obra, que já é curta, viraria quase um média-metragem (penso que seria bem melhor assim… menos artificial e muito mais hilariante).

Como em todo filme de comédia, Brüno, apesar de ruim, também tem os seus momentos de glória. Posso enumerar alguns que me fizeram abrir um ligeiro sorriso. O primeiro, e para mim disparado o melhor de todos, é quando Cohen vai a um programa de TV com seu bebê – o africano O.J. A plateia, majoritariamente negra, fica furiosa com os absurdos proferidos pelo ator: “troquei o bebê por um Ipod… do U2! acham que é pouca coisa?”, diz ele tentando explicar como conseguiu o garoto… é genial! Outra passagem que garante boas risadas é a do exército. A cara dos oficiais ao ver o novo recruta é im-pa-gá-vel! O final, com uma centena de homens em polvorosa pelo discursso homofóbico da personagem (que ‘vira’ hetero, pasmem!), além de divertido, mostra como ainda existem pessoas com esse tipo de racismo lamentável.

Apesar de alguns bons momentos, a trama demora a decolar e carece muito de carisma. Nem mesmo o bom trabalho de Sacha Baron Cohen salva o longa, que só escapa de ser um completo fiasco pelos raros lampejos de genialidade que já citei. Como crítica à sociedade, Brüno também deixa a desejar. Há uma única parte em que realmente ficamos abismados: quando ele tenta contratar um bebê para fazer uma série de coisas estapafúrdias. O pior é saber que os próprios pais sujeitariam seus filhos a qualquer coisa só por causa do dinheiro: “Tudo bem vestir seu filho de nazista e empurrar um outro bebê vestido de judeu para o forno?”… “Para o forno? Claro, sem problema algum”… é muita ganância, ou estupidez mesmo…

Minha Nota: 5.0

Direção: Larry Charles
Gênero: Comédia
Duração: 81 minutos
Elenco: Sacha Baron Cohen, Gustaf Hammarsten, Clifford Bañagale, Chibundu Orukwowu, Josh Meyers, Bono Vox, Elton John, Chris Martin, Slash, Snoop Dogg, Paula Abdul, Harrison Ford, Sting e Miguel Sandoval.

A Noiva Cadáver (Corpse Bride, 2005)

agosto 25, 2009

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Por Bruno Pongas

Fatidicamente todos devem lembrar do Rei Midas, ou King Midas para os que estudaram a historinha em inglês. Para os que não lembram ou nunca sequer ouviram falar de tal pessoa, o Rei Midas é um famoso personagem da mitologia grega. Sua fama é associada ao ouro: na antiguidade, reza a lenda que as coisas tocadas pelo monarca viravam ouro… impressionante, né? Falei tudo isso com um único objetivo – e se engana quem já está pensando que a fábula da noiva cadáver tem alguma coisa ligada ao famoso rei da mitologia. Muito pelo contrário! Introduzi a pequena história somente para associar sua imagem à de Tim Burton. Por que? É simples! Alguém já viu algum trabalho ruim de Burton? Alguém já viu algum filme dele que tenha sido um fracasso? Acho difícil, afinal, tudo que ele se envolve também vira ouro, ou seja, se torna um grande sucesso.

Bobagens à parte, admiro Tim Burton por diversos motivos. O primeiro porque me identifico bastante com seu estilo. Aquela mescla de alternativo, surreal, macabro e psicodélico me encanta bastante. Segundo porque ele sabe escalar um elenco como poucos (aqui falo também como um fan, já que Johnny Depp e Helena Bonham Carter são dois dos meus atores prediletos). Por fim, fico admirado com sua capacidade de criar fábulas imaginárias extremamente originais e fantásticas, daquelas que você acaba mergulhando completamente como se fosse um mundo paralelo extremamente criativo.

Em A Noiva Cadáver podemos observar todos esses elementos juntos. Temos o alternativo (a história incomum e diferente), o surreal (o mundo dos mortos em paralelo com a terra), o macabro (mortos que andam, cantam e falam como se fossem humanos), o bom elenco (Depp, Bonham Carter, Albert Finney), e por fim, o enredo original. Esse amontoado de qualidades fazem do longa um trabalho interessante. Em aspectos técnicos é praticamente perfeito, tem um roteiro seguro e umas passagens muito divertidas (aquele cachorro Scrubs é genial!). Aliás, Tim Burton é mestre em juntar elementos sombrios com uma alta carga de humor – Sweeney Todd é outro grande exemplo, um musical divertido e aterrador. Para encerrar o ciclo de elogios, a trilha sonora de Danny Elfman é bem elaborada e cai como uma luva no filme.

Há quem diga que A Noiva Cadáver tem uma história boba e sem sal. No entanto, podemos enxergar isso sob óticas distintas. Se analisarmos cruamente, hei de concordar com essa teoria. Aquele esquema de casamento arranjado que desencadeia a vinda de mortos para o ‘mundo real’ é bem simples. Nada comparado à ousadia do assustador Coraline e o Mundo Secreto, por exemplo. Contudo, se pensarmos um pouco, temos a chance de ver o outro lado da moeda. Como assim? Para mim, o grande lance desse trabalho de Tim Burton é a simplicidade. Nem sempre uma trama engenhosa é sinal de qualidade, e fazer o simples, às vezes, é a grande chave do sucesso.

Em nenhum momento a aventura deixa de ser interessante, e algumas passagens agregam muito ao longa (as partes cantadas, por exemplo). O roteiro também tem qualidade, embora pouco se preocupe em maquiar o seu desfecho. No final das contas, A Noiva Cadáver é um passatempo divertidíssimo e um colírio para os olhos (visualmente muito bonito). No entanto, se comparado a obras mais recentes do gênero, como as da Pixar (Wall-E, Ratatouille…) e o já citado Coraline, a fantasia de Tim Burton é inferior. Também pudera, competir com essas é um pouco difícil…

Minha Nota: 8.0

Direção: Tim Burton e Mike Johnson
Gênero: Animação/Comédia/Musical/Terror
Duração: 77 minutos
Elenco: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Emily Watson, Tracey Ullman, Joanna Lumley, Albert Finney, Richard E. Grant, Christopher Lee, Michael Gough, Jane Horrocks, Enn Reitel e Danny Elfman.

Kill Bill – Volume 1 (Kill Bill: Vol. 1, 2003)

julho 28, 2009

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Por Bruno Pongas

Sabe quando você vê um filme e nem precisa esperar subir os créditos para identificar quem é o diretor? Quentin Tarantino é um desses caras, de talento único e estilo facilmente reconhecível. Fazem parte do seu extenso repertório os roteiros nada lineares e banhos de sangue bem abundantes. Nesse ponto, aliás, Tarantino não decepciona os sanguinários de plantão, e mesmo seus personagens mais inspiradores passam por maus bocados. Algumas vezes o excesso de sangue jorrando das veias toma lugar das visceras escapando dos corpos, o que de certa forma até suaviza o conteúdo da trama; e vou mais além: no caso de Kill Bill, essa brincadeira com o sangue torna o filme até mais divertido, com uma ótima pitada de comédia.

Como todos sabem, o trabalho recebeu inúmeras críticas por ser dividido em duas partes (Volume 1 e Volume 2). Tarantino foi acusado de mercenário, de só pensar no dinheiro, disso e daquilo… particularmente eu penso o contrário. Em um único longa, o diretor teria que fazer muitos cortes para condensar uma obra de mais de três horas em pouco mais de 120 minutos. Seria um trabalho árduo e sacrificante, pois eliminar determinadas passagens deve ser das tarefas mais incômodas para um profissional desse tipo. Assim, o cineasta teve liberdade dentro da produtora, a Miramax, e pôde fazer o que queria: dois longas, completos, sem muitos cortes. Há quem diga, no entanto, que desta maneira Kill Bill – Volume 1 ficou sem um final decente. Mais uma vez eu penso diferente, pois afirmar isso é o mesmo que recriminar todos os filmes que possuem uma sequência – Senhor dos Anéis, por exemplo.

Na parte técnica, o longa é exemplar; deveria servir de exemplo para muitos profissionais iniciantes. Tarantino sabe brincar com efeitos de luz, sombra, cores… uma legítima aula de como se fazer cinema. Falando nisso, basta lembrar da cena em que a sempre bela Uma Thurman luta contra uma centena de pessoas (ou quase isso!). O efeito em preto e branco ali usado serve praticamente para suavizar aquele conteúdo excessivamente violento e deveras exagerado – integrante do mundo particular de Quentin Tarantino. Antigamente, esse tipo de recurso servia para que os filmes pudessem passar pela censura, pois sem isso alguns deles jamais seriam aprovados. É com essa brincadeira de referências que o diretor baseia a maior parte de seus trabalhos, inclusive sua obra-prima: Pulp Fiction.

A saga da noiva heroína (ou anti-heroína, como preferir) que busca se vingar dos seus ex-companheiros tem um roteiro e uma montagem bem semelhantes às cultuadas tramas antecessoras do cineasta. Há quem diga que em Kill Bill a ordem dos fatores pouco importa e que se a história fosse contada com linearidade nada seria mudado. Está errado quem fez esse tipo de julgamento, pois basta uma breve analisada com bom senso para que as dúvidas sejam completamente dissipadas. Com linearidade, o filme teria seu ápice muito cedo e um final pouco emocionante – justamente por isso que Tarantino optou pela montagem fora de ordem.

Falando nisso, os 20 minutos finais, que envolvem a já citada luta de Uma Thurman contra os membros da Yakuzasão simplesmente eletrizantes e muito bem dirigidos. A violência nua e crua dos primeiros capítulos dá lugar a um toque mais artístico, mais refinado, fazendo com que o espectador se renda à beleza daquelas pessoas se degladiando, se mutilando, sem que essas cenas se tornem chocantes ou estarrecedoras. Tudo isso ganha forte auxílio de uma belíssima fotografia. Aliás, a parte artística do longa é primorosa, desde os recursos técnicos até o anime que introduz a personagem interpretada por Lucy Liu, que é de uma estética impressionante e extremamente violenta – até mais do que o próprio filme.

Kill Bill é uma das primeiras obras-primas dos anos 2000, ao lado da trilogia de J.R.R Tolkien e do gângster Os Infiltrados (entre outros). Contribuem para isso a inteligência de Quentin Tarantino, o desempenho pungente de Uma Thurman, um elenco inspirado e uma história envolvente. Tudo isso aliado a uma trilha sonora muito gostosa e adequada – uma das características do diretor. Além disso, o segundo volume mantêm o nível do primeiro episódio, o que é um pouco raro nos dias de hoje. E só para finalizar, uma atriz local pouco conhecida me despertou bastante interesse e achei seu trabalho muito interessante; trata-se da japonesa Chiaki Kuriyama, que dá vida à terrível Gogo Yubari e garante uma das melhores cenas de luta do longa.

Minha Nota: 10.0

Direção: Quentin Tarantino
Gênero: Ação/Comédia/Drama
Duração: 111 minutos
Elenco: Uma Thurman, Sonny Chiba, Chiaki Kuriyama, Julie Dreyfus, Michael Madsen, David Carradine, Daryl Hannah, Vivica A. Fox, Lucy Liu e Michael Parks.

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A Proposta (The Proposal, 2009)

julho 13, 2009

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Por Bruno Pongas

Está aqui um gênero que é subestimado pelos críticos e por boa parcela do público que se diz entendedor de cinema. A comédia romântica é vista com maus olhos por muita gente, mas atinge em cheio outra parcela generosa do mercado: talvez os casais apaixonados ou os românticos de carteirinha. Enfim… A Proposta pode ser facilmente considerado mais do mesmo, muito pelo seu roteiro óbvio ou por se ater a detalhes já batidos em qualquer longa do tipo. O trabalho da diretora Anne Fletcher tem pouca coisa inovadora – ou quase nada mesmo -, e por isso, talvez merecesse uma nota ruim, já que segue um modelo pré-estabelecido pela indústria cinematográfica. No entanto, há pontos positivos que fazem com que a trama valha a pena (vejamos no restante do texto).

A história por si só é clichê… temos a executiva bem sucedida que é ‘má’ e pisa em todos os seus funcionários – podemos associar a personagem de Sandra Bullock com a editora Miranda Priestly (Meryl Streep), de O Diabo Veste Prada. Ao mesmo tempo, temos o subordinado (Ryan Reynolds) que é feito de capacho pela chefe e tem sua competência contestada a todo o momento. Acho que nem precisamos dizer que por algum motivo milagroso os dois se juntam e formam um casal. No início ambos se odeiam, mas com o tempo sentem que têm algo em comum. O que era ódio vira amor, num esquema bem semelhante às outras comédias românticas.

Para salvar o trabalho e o roteiro precário, contamos com um desempenho inspirado da carismática dupla de protagonistas. E como Sandra Bullock se sai bem nesse tipo de papel… na pele da durona Margaret Tate, ela nos rende as cenas mais divertidas e hilárias da trama – para mim, o filme é dela! Assim como em Miss Simpatia, onde seu trabalho é impecável. E quem pensa que ela só leva jeito para comédia está enganado, é só lembrar do dramático Crash – No Limite. Ryan Reynolds, por sua vez, se consolida cada vez mais como um ator de filmes ‘bobinhos’, longe disso ser um demérito, já que ele se sai muito bem nesse tipo de personagem – vale lembrar Três Vezes Amor, por exemplo.

Além do bom trabalho do elenco em geral, podemos dizer que as piadas funcionam, temos alguns ótimos momentos e muitas sacadas inteligentes (como a da parte em que os dois se veem obrigados a deitar de conchinha). Uma pena que em determinadas passagens o filme seja escrachado demais, o que ao meu ver é o grande defeito das comédias de hoje em dia. A necessidade de fazer rir coloca a originalidade ladeira abaixo, e o que deveria ser natural acaba se tornando falso, bobo… talvez seja por isso que é cada vez mais difícil ver um bom longa desse gênero.

Por fim, ainda acho que A Proposta seja um filme recomendável. As qualidades superam os defeitos e as cenas impagáveis – a maioria delas vindas de Sandra Bullock – fazem com que o caro dinheiro do ingresso acabe valendo a pena. Se você procura um filme pura e simplesmente para se divertir, sem precisar pensar e refletir durante horas e horas, vá assistir, sem compromisso, sem expectativa… caso contrário, creio que é melhor ficar em casa mesmo.

Minha Nota: 7.0

Direção: Anne Fletcher
Gênero: Comédia/Romance
Duração: 108 minutos
Elenco: Sandra Bullock, Ryan Reynolds, Mary Steenburgen, Craig T. Nelson, Betty White, Denis O’Hare, Malin Akerman, Oscar Nuñez, Aasif Mandvi e Michael Mosley.

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A Era do Gelo 3 (Ice Age: Dawn of the Dinosaurs, 2009)

julho 9, 2009

Era do Gelo 3

Por Bruno Pongas

Quando vejo que uma sequência irá estrear nas telonas logo começo a tremer de medo e fico com os dois pés atrás. Minha desconfiança tem lá sua procedência, já que sobram exemplos de péssimas continuações por aí: Jogos Mortais, Efeito Borboleta, Matrix Revolution e Reloaded e o mais recente X-Men Origens: Wolverine são apenas alguns exemplos de que esse tipo de filme é feito apenas para angariar mais e mais lucro. E de fato, eles atingem o objetivo e arrecadam quantias inimagináveis de dinheiro.

Ao comprar meu ingresso para assistir Era do Gelo 3 fiquei meio reticente, e confesso que nem iria prestigiar a animação se não tivesse lido algumas críticas positivas de pessoas confiáveis. Pois bem, ainda bem que fui, porque o novo trabalho de Carlos Saldanha e Mike Thurmeier é excelente! Para mim é de longe o melhor da série. A história é inteligente, original – foge de tudo que havia sido proposto nos filmes anteriores. Além disso, a qualidade dos efeitos gráficos está melhor do que nunca. O visual é deslumbrante, belíssimo, um trabalho muito bem feito.

Neste novo episódio da série, a mamute Ellie – esposa de Manny – está grávida. Sid continua o mesmo de sempre – uma figura. Temos um Diego cheio de dúvidas (ele acha que está ficando molenga por andar muito com o grupo), e por fim o carismático Scrat continua atrás de sua noz – dessa vez com a companhia de uma bela fêmea (como podemos ver no trailler). A história se difere das outras a partir do momento em que Sid descobre ovos de dinossauro escondidos numa parte subterrânea do local. O caricato personagem resolve adotar os tais ovos para si, como filhos, sem imaginar o tamanho do problema que iria causar. Com o nascimento dos bebês (as coisas mais bonitas que existem, vale dizer), tem início uma viagem por uma terra antes desconhecida pela turma – o mundo subterrâneo dos dinossauros.

Em Era do Gelo 3 as piadas continuam semelhantes aos episódios anteriores; no entanto, ainda divertem e fazem rir com propriedade. A ida a um mundo novo dá um gás a mais à franquia, já que um novo episódio passado somente na era do gelo poderia se tornar cansativo – muito igual aos outros. Vale ressaltar também que a trama ganha novos personagens, como o velho Buck, uma doninha esperta que vive há muito tempo no perigoso mundo dos dinossauros e ajuda a turma a conquistar seus objetivos.

Era do Gelo 3 rende ótimos momentos (como a parte do riso) e é um ótimo programa para pais, filhos, tios, avós… para toda a família. O filme ainda vale pela bela mensagem que passa, de amizade, companheirismo e amor – um belo acerto dos produtores. À quem ainda vai assistir ao longa, recomendo que optem pelo 3D, pois aqui, as belas imagens ganham mais contornos, formas e se tornam ainda mais exuberantes.

Minha Nota: 9.0

Direção: Carlos Saldanha e Mike Thurmeier
Gênero: Animação/Comédia
Duração: 94 minutos
Elenco: Ray Romano, John Leguizamo, Denis Leary, Queen Latifah, Chris Wedge, Simon Peggg, Josh Peck, Seann William Scott, Karen Disher, Carlos Saldanha e Bill Hader.
Dublagem: Diogo Vilela, Tadeu Mello, Márcio Garcia, Cláudia Jimenez e Alexandre Moreno.

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Speed Racer (Speed Racer, 2008)

julho 4, 2009

speedracer

Por Roberto Camargo

Corra Speed! Corra!

Primeiramente, peço perdão aos fãs da série original, pois nunca assisti a um episódio sequer do piloto e seu lendário Mach 5. O que pude fazer foram pesquisas sobre o famoso anime da década de 60, antes de escrever essa crítica. Logo, vou me ater a comentar o filme, sem muitas comparações com o desenho.

Os irmãos Wachowski, as mentes que nos entregaram Matrix (as duas sequências não são tão dignas de nota), retornaram às telonas com o longa Speed Racer. E junto ao filme, vieram novas abstrações de Larry e Andy. Para começar, o mundo das corridas idealizado pelos diretores é uma experiência psicodélica e surrealista. Cores quentes e vivas que parecem se movimentar dão o tom de velocidade. Os carros e pistas são totalmente inventivos – mas fiéis aos desenhos de Tatsuo Yoshida. As personagens são caricaturas, com destaque para o núcleo de humor, protagonizado pelo simpático Gorducho (o desconhecido Paulie Litt), irmão mais novo de Speed, e seu chimpanzé Chim Chim.

O figurino também ultrapassa a linha do real e parece ser muito forçado – tudo dentro do universo de Speed. Mas o maior diferencial da fita são os truques utilizados pelos diretores. Aí vai a receita: coloca-se um ator real em primeiro plano e o fundo da imagem é preenchido por conteúdo 2D. A manobra dos Wachowski é uma clara homenagem ao desenho original. Além disso, utilizam-se de um recurso pouco comum. Ao invés de fazer cortes na passagem de uma cena para outra, a transição é feita através do movimento do rosto em close de alguma personagem, arrastando consigo o próximo plano. Sim, é bastante confuso de se ler. Mas entenda como um tipo de encadeamento de imagens. Ou vá logo assistir ao filme!

A história – sim, ainda há uma história – começa na infância do protagonista, Speed Racer (sim, seu nome de verdade é Speed, interpretado por Emile Hirsch), quando seu irmão mais velho, Rex Racer (Scott Porter), é um grande piloto de corrida, arrojado e campeão. Após a morte do irmão, o filme salta para o futuro e mostra Speed numa jornada para se igualar a Rex. O rapaz mostra talento no volante aliado à coragem e instinto, o que fez com que vencesse uma corrida e despertasse o interesse de grandes escuderias.

A Royalton oferece ao jovem uma proposta tentadora, mas ele recusa, provando lealdade à montadora de seu pai (John Goodman), a Racers Motors. Contrariado, o dono da Royalton resolve provar que o mundo das corridas é, e sempre foi, uma grande armação, um verdadeiro jogo de bastidores. A partir daí, a missão de Speed é lutar contra as gigantes montadoras, vencer o Grand Prix e mostrar a todos que uma corrida se vence na pista e não nos bastidores.

O roteiro não é o grande trunfo da película. Diversas pistas durante a trama deixam claro seu desenlace. No entanto, o conjunto geral resulta num bom filme. No elenco, nota para Susan Sarandon, como a mãe do herói, e Christina Ricci, como Trixie, a namorada do rapaz. E curiosidade para os brasileiros: a Petrobrás faz uma ponta no longa!  

Speed Racer é por vezes engraçado, futurista ou emocionante, mas sempre simpático. Um programa para toda a família, além, é claro, para amantes do entretenimento – como eu.

Direção: Larry e Andy Wachowski
Gênero: Ação/Comédia/Esporte
Duração: 135 minutos
Elenco: Emile Hirsch, Susan Sarandon, John Goodman, Christina Ricci, Matthew Fox, Scott Porter, Roger Allam, Richard Roundtree.

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