Archive for the ‘Action’ Category

Thor (Thor, 2011)

novembro 30, 2011

Por Bruno Pongas

Hoje em dia temos filmes de super-herois para todos os gostos. Batman e Homem-Aranha aparecem na lista dos meus preferidos. Alguns, como Mulher-Gato, nem sequer mereciam ter saído do papel, tamanha a ruindade, e outros, como Homem de Ferro, trafegam num meio termo nem sempre cômodo entre o bom e o mais ou menos (no meu ponto de vista, claro).

É neste meio termo que se encontra Thor, um dos últimos super-herois a desembarcar nas telonas. O poderoso personagem, que já havia sido retratado fora dos quadrinhos em outras oportunidades (lembram-se do detestável e inexplicavelmente fraco Thor que aparece na saga dos Cavaleiros do Zodíaco?), ganhou sua vertente hollywoodiana através dos esforços de Kenneth Branagh.

A personagem Thor, em linhas gerais, segue à risca o que é dito sobre ela na mitologia nórdica – um homem forte, bondoso, honesto, mas ao mesmo tempo briguento e irresponsável. Também diz a mitologia que ele era faminto, o que também é retratado por Branagh, só que de forma descontraída e divertida. Neste ponto, o diretor acertou em cheio ao escolher Chris Hemsworth para o papel principal. Hemsworth, apesar de pouco conhecido do público, mostra talento e sabe dosar os tons cômico e sério muito bem.

Mas voltemos lá no começo, quando eu falava sobre o meio termo entre tramas de super-herois boas e ruins. Thor tem seus méritos, claro (falarei sobre eles adiante), mas derrapa em aspectos simples. Uma obra com tantos efeitos especiais merecia embates memoráveis, daqueles de tirar o fôlego. O que vemos, no entanto, é um conjunto de cenas pouco inspirado. Culpo aqui o diretor Kenneth Branagh, que poderia ter feito um melhor uso dos recursos disponíveis e dado mais vida à trama.

Além disso, o diretor abusa da câmera lenta para dramatizar certas passagens – recurso esse que deve ser utilizado com bastante cautela, pois em excesso pode deixar brega aquilo que deveria ser emocionante. Também achei o roteiro um pouco falho.  Faltaram detalhes ao introduzir a trama – detalhes esses que podem confundir o espectador pouco familiarizado com a história do super-heroi.

Por fim, acredito que alguns personagens mereciam mais destaque. Loki, que é muito bem interpretado pelo jovem Tom Hiddleston, tem papel fundamental na história, mas a subtrama que o envolve é pouco aprofundada. O mesmo vale para os outros guerreiros de Asgard. Nenhum deles é devidamente apresentado e o filme termina sem que nada saibamos sobre eles. Do outro lado do mundo, quem se destaca é Natalie Portman, que esbanja charme e a competência de sempre na pele de Jane Foster – a jovem nerd e inocente que se encanta por Thor na Terra.

Apesar dos erros, Kenneth Branagh consegue nos entreter durante as quase duas horas – o que é um grande mérito. Seu principal trunfo é o visual caprichado. Asgard está simplesmente exuberante, cheia  de vida, cores e detalhes. Os bons efeitos especiais aliados à maquiagem (os gigantes de gelo ficaram bastante realistas) contam pontos a favor do entretenimento. Os diálogos, ora cômicos, ora maduros, também merecem os devidos elogios – ponto para o diretor, que consegue juntar essas duas vertentes sem parecer forçado.

É claro que também devemos levar em conta a força do personagem. Thor, ao meu ver, é um dos super-herois mais legais dos quadrinhos. Neste caso, sobretudo quando uma obra sai do papel e vira filme, acredito que a empatia personagem/espectador conta muito. Apesar de arrogante, Thor é o tipo de heroi que todos gostam – é forte, bonito, confiante, leal e divertido. Por isso um filme em sua homenagem, mesmo que tenha seus defeitos, acaba ficando acima de média.

Minha Nota: 6.5

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Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009)

janeiro 11, 2010


Por Alessandra Marcondes

Uma grande vingança. É assim que digeri o filme Bastardos Inglórios, o último super-novo mas não tão novo assim de Quentin Tarantino. Ao som de uma música nervosa, o trailler já dá a dica: assistiremos a quase 2 horas e meia do queridinho Brad Pitt arrancando os escalpos das cabeças nazistas (ou o ‘cucuruto’, no bom e velho português) como quem separa gordura da carne tentando ser light. Acostumada com o banho de sangue tarantinista, preparei meu estômago e esperei encontrar aquele cineasta que eu já conhecia, o mesmo de sempre. Não encontrei, e gostei.

Tarantino cresceu, meus caros. A começar pela primeira cena, percebemos a evolução: não é preciso tanto barulho para passar um nível desesperador de tensão a quem assiste. O diálogo de abertura acontece entre um fazendeiro pai de família e o coronel Hans Landa, que foi até a casa para averiguar se ele não estava escondendo judeus por lá. A cena crua não se apressa a terminar, mas não dá nenhuma dica certa de qual será o desfecho. É um jogo de pique-esconde eterno entre o que acontece na tela e as indagações do espectador, e a dosagem dos fatos sendo revelados é cuidadosamente calculada para manter a curiosidade de todos. Quando descobrimos que os judeus estão sob o assoalho, achamos que seu protetor não vá entregá-los; quando o coronel tem Shosanna em sua mira, acreditamos fielmente que ele vá matá-la; assim como na cena da taverna, é impossível que a atriz Bridget Von Hammersmark não convença a nós mesmos que tem compaixão pelo soldado que acabara de se tornar pai de gêmeos. E por aí vai…

Os mais cricris vão falar (ou já falaram) que está errado tratar um tema como a Segunda Guerra mundial, que trouxe sofrimento a tantos, de maneira engraçada. Já para os fãs de carteirinha, Tarantino se perdeu nos diálogos e nas cenas paradas, faltando a sensualidade de Uma Thurman e o deus-nos-acuda de porradaria e referências pop. Que seja. Não vi em momento algum povos sendo desrespeitados pela película, e a criação de personagens bastante caricatos e sarcásticos, para mim, foi exatamente o que proporcionou um resultado brilhante sobre um tema que já andava tão batido. Aliás, nos pegar no pulo enquanto nos divertimos frente a cenas de horror não é nenhuma novidade: alguém se lembra da cena de tortura de Cães de Aluguel?

O mais importante é que Tarantino ainda está lá, na cenografia exuberante da noite de estréia no cinema de Shosanna, no cuidado com os movimentos de câmera e no uso das músicas de faroeste que já marcaram bastante Kill Bill, mas que também se encaixaram muito bem aqui. Li vários elogios sobre a atuação espetacular de Christoph Waltz (que interpreta o coronel nazista Hans Landa) – e sim, ela é tão espetacular que, até agora, sinto pavor do rosto frio e cruel do assassino de judeus. Mas também destaco no mesmo patamar a caracterização de Brad Pitt na pele do tenente Aldo Raine, um sujeito debochado, sincero e de sotaque carregado que me fez rolar de rir fingindo ser da Itália enquanto arranhava um péssimo italiano. A parisiense graciosa Mélanie Laurent também foi excepcional no papel de garota inocente-mas-não-tanto que decide se vingar dos culpados pelo extermínio de sua família. Que time, hein?

A história é de ficção e se inspira nos fatos reais para seguir uma trajetória diferente. Certos detalhes merecem atenção, como o fato de justo os americanos tomarem as atitudes mais drásticas na película, enquanto na real Segunda Guerra eles foram os últimos a sujar as mãos. Também pode ser considerada uma grande homenagem ao cinema, não só por causa dos recursos metalingüísticos, mas pela maneira de constituir seu final: usar o cinema para dar cabo a um evento de tamanha importância como a guerra mundial mostra o envolvimento da sétima arte com as questões históricas, detalhe que passa desapercebido em roteiros ‘bobinhos’ de ficção hollywoodianos. E ainda digo que a arrogância de Tarantino em mudar o percurso da história (a queda do Partido Nazista e as mortes de seus componentes seguem um enredo totalmente diferente do real em Bastardos) foi a cereja do bolo neste filme: que atire a primeira pedra quem nunca desejou infernizar a vida de um cara como Hitler e explodi-lo dentro de um cinema junto com todos os torturadores daquela época. Muito obrigada, fomos vingados.

Direção: Quentin Tarantino
Duração:
153 minutos
Gênero: Drama/Guerra
Elenco: Brad Pitt, Christoph Waltz, Mélanie Laurent, Eli Roth, Diane Kruger

Avatar (Avatar, 2009)

dezembro 21, 2009

Por Bruno Pongas

Depois de muito tempo ausente por aqui, com outros projetos para tocar e um pouco de falta de tempo aliado a preguiça de ir ao cinema, estou de volta para comentar uma obra que achei maravilhosa e impressionante. Sim, vou falar do blockbuster-megasucesso-de-bilheteria, Avatar.

E James Cameron é um cara engraçado, né? Muita gente fala mal de Titanic, que é brega, que é isso, que é aquilo, mas é outro filme muito bom, à frente de seu tempo em diversos aspectos. Para mim não merecedor de tantos prêmios, claro, mas isso quem deve julgar são os especialistas. Nós, meros blogueiros cinéfilos, apenas brincamos de comentar cinema, e nos divertimos com isso, óbvio.

Mas Avatar é uma experiência como eu nunca antes tinha vivenciado no cinema. Uma técnica exuberante, efeitos especiais de deixar qualquer um boquiaberto e uma trama, querendo ou não, eficiente. Críticos de cinema, por mais que muitos deles tenham estudado para isso, adoram encontrar defeitos onde simplesmente não existem. Falar que o roteiro é fraco? Tudo bem, é um argumento aceitável, pois a história pouco foge da tão desgastada “saga do herói”, em que uma pessoa vem do nada e aos poucos vai construindo um mito ao seu redor até terminar como o grande salvador do mundo.

Só que temos que parar e pensar. Uma coisa é utilizar um roteiro assim e construir uma história chata, pouco interessante, tediosa, arrastada… outra coisa é transformar um enredo simples em algo fascinante, e acho que está aqui o grande trunfo de James Cameron. Um roteiro para ser bom não precisa ter mil reviravoltas e um final imprevisível. Um roteiro bom consegue prender o espectador durante quase três horas na cadeira e fazer com que essa mesma pessoa fique na expectativa e torcendo profundamente para a sorte dos personagens.

Avatar é bem costurado, tem o toque de humor na hora certa, tem o toque de drama na hora certa e é eficiente na hora de distribuir as cenas eletrizantes. A música é bem utilizada, a maquiagem é de outro mundo e os efeitos especiais dispensam comentários. Trata-se de um trabalho moderno, em que o espectador simplesmente imerge naquele mundo cheio de vida e cores. É até triste quando sobem os créditos, pois, como o personagem principal, vivemos toda a experiência intensamente, como se estivéssemos fazendo parte daquela tribo.

Confesso que comprei meu ingresso esperando algo inovador, e garanto que saí do cinema com a certeza de que assisti um dos mais belos e magníficos filmes dos últimos tempos, onde o coletivo se sobressai perante o individual. Ou seja, não há nenhum destaque específico, nenhum ator é melhor do que o outro, simplesmente o conjunto é que se destaca. James Cameron me surpreendeu positivamente; assistiria ao longa mais umas duas ou três vezes com todo o prazer.

O retrato de uma humanidade perdida

James Cameron foi bem cuidadoso na hora de abordar o tema. O retrato ali exposto é semelhante ao que vivemos nos dias de hoje. Vemos potências mundiais brigando desumanamente por jóias raras da natureza, observamos ganância e lamentamos o fato de presenciarmos tudo isso sem a possibilidade  de fazer nada.

É difícil apontar alguma diferença evidente entre a raça humana que invade Pandora e os Estados Unidos, que assolam o Iraque procurando petróleo. Há pouca diferença entre os seres humanos do filme e os seres humanos de cérebro pequeno que arquitetam um jeito de se infiltrar na amazônia brasileira.

Mas ao pensar bem, talvez haja alguma diferença. No mundo real as coisas são feitas apoiadas em desculpas esfarrapadas. O Iraque foi invadido sob a ideia de depôr a sanguinário ditador Saddam Hussein. Verdade? Mentira. Querem colocar bases militares na Amazônia para controlar o narcotráfico. Verdade? Mentira! As grandes potências apoiam Israel numa guerra religiosa onde ambos têm razão. Para tudo há um jogo estúpido e ganancioso de interesses.

Avatar realmente tem uma história que pode ser considerada clichê, mas as metáforas ali contidas são muitas. Piedade? Essa palavra não existe no imperialismo. Natureza? Ela não é necessária quando se tem dinheiro. É esse pensamento que rege a humanidade nos dias de hoje. A lógica capitalista faz as pessoas perderem qualquer tipo de discernimento e as torna cegas a ponto de fazê-las passar por cima dos outros sem tomar conhecimento.

Água e vida em outros planetas são constantemente procuradas em investimentos gigantescos. Há dinheiro e ganância de sobra para isso. Quem pensa que o objetivo é apenas desvendar os mistérios do universo está enganado. Há dinheiro em jogo. Tudo que for necessário para obter mais e mais lucro será feito. O ser humano é ingrato com a vida, com a natureza, com tudo. A humanidade está perdida… talvez não caminhe para o fim, como muitos teóricos do apocalipse pregam, mas seu fim moral já está decretado faz tempo.

Ultimamente tenho sido bem generoso com as notas, mas com Avatar é impossível ser rígido; merece nota máxima.

Minha Nota: 10.0

Direção: James Cameron
Duração: 162 minutos
Gênero: Ação/Drama/Suspense
Elenco:
Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi, Joel Moore.

Rota Comando (Rota Comando, 2009)

setembro 23, 2009

Rota Comando

Por Bruno Pongas

A violência da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) é velha conhecida dos cidadãos paulistanos. A polícia que atira antes de perguntar aterrorizou bandidos e inocentes nos idos das décadas de 1980 e 1990. Nos últimos tempos, no entanto, a tropa de elite da polícia paulista vem tentando apagar a péssima imagem construída ao longo dos anos. O temor do carro cinza e dos homens de boina já foi maior um dia, mas é inegável que ainda hoje eles gozam de um respeito impressionante – grande parte dele conquistada na base da força.

O filme Rota Comando, de Elias Junior, tenta retratar de forma ficcional o cotidiano desses homens pelas ruas de São Paulo. À primeira vista, é inegável uma semelhança com Tropa de Elite – premiado longa de José Padilha. Com o passar do tempo, vemos que ambos têm bem mais coisas em comum do que se possa sugerir. A temática, claro, é a mesma… mas além disso, Elias Junior faz questão de repetir a fórmula que fez do filme carioca um sucesso: a interminável luta entre policiais e bandidos, as subtramas infindáveis, a pseudo-lição de moral e até a narração em off –  que aqui é uma nítida cópia (desnecessária) do roteiro de Tropa de Elite. Desta maneira, podemos tranquilamente classificar Rota Comando como o primo pobre entre os dois. Também pudera… o orçamento precário de pouco mais de 500 mil reais justifica a falta de qualidade.

Falando nisso, poderia gastar linhas e mais linhas falando mal da trama, já que tecnicamente ela é nada mais do que sofrível. Pois é, caro leitor, se você sentar na poltrona esperando algo bem trabalhado e rebuscado, pode procurar outra coisa melhor para fazer. Tudo vai de mal a pior com o passar do tempo… a direção é fraca, o roteiro é péssimo e o desempenho do elenco é tenebroso (salvo raras excessões). Diálogos rasos, trilha sonora inadequada, técnica de quinta categoria… definitivamente a trama carece de um cuidado maior. O conjunto da obra é fraquíssimo, as subtramas se perdem de tal forma – auxiliadas por uma montagem bisonha – que só com muita boa vontade é possível aceitar tamanho besteirol.

Como de costume em filmes desse tipo, temos o famoso julgamento moral durante as passagens. De acordo com o pensamento da polícia – e por consequência do diretor – tudo bem matar bandido, afinal, é um a menos dentro da sociedade. Mas pera lá! Como uma de nossas autoridades pode usar um argumento desses no melhor estilo ‘os fins justificam os meios’? Se Tropa de Elite se preocupava em maquiar esse lado fascista com um pseudo-conflito moral da personagem principal, Elias Junior nem sequer se dá ao trabalho disso. É mais realista? Sem dúvidas, e até mais honesto… mas jamais justificável. O problema da nossa sociedade é outro: é político! Contudo, é preferível passar por cima disso e mostrar que o melhor remédio para a nossa realidade é somente erradicar os causadores da desordem. Que grave erro, que falta de bom senso…

Para finalizar, é claro que Rota Comando tem lá os seus pontos positivos. Talvez o principal deles seja conseguir prender o espectador durante a maior parte da fita. Mesmo as mais de duas horas passam rápido, e ao primeiro sinal de enfraquecimento o filme acaba – um grande mérito. No final das contas, concluo que mesmo a Rota merecia um trabalho de melhor qualidade e mais caprichado (especialmente na parte técnica, que é praticamente amadora). Do jeito que foi apresentado, no entanto, o longa de Elias Junior é desprezível, seja como arte, como documentário ou como qualquer outra coisa que se proponha.

Curiosidade: Conte Lopes, ex-membro da Rota e atualmente Deputado Estadual pelo PTB, faz uma pequena ponta no filme. Seu desempenho, no entanto, é sofrível como o do restante do elenco. Falando nele, vale ressaltar que a trama é inspirada em seu livro, intitulado ‘Matar ou Morrer’.

Minha Nota: 3.5

Direção: Elias Junior
Gênero: Ação/Policial
Duração: 138 minutos
Elenco: Mauricio Bonatti, Flávio Micchi, Alex Morereira, Thiago Guastelli, Ivan Villabel, Leandro Pres, André Prado, João Prado e Conte Lopes.

Inimigos Públicos (Public Enemies, 2009)

setembro 7, 2009
O filme mostra a época em que gângsters eram tratados como heróis pela mídia e pelo povo.

O filme mostra a época em que gângsters eram tratados como heróis pela mídia e pelo povo.

Por Alessandra Marcondes

Inimigos Públicos tem todas as características necessárias a um blockbuster: um trailler energizante, atores-estrela mega competentes (Johnny Depp, Marion Cotillard e Christian Bale), um bandido que mais parece mocinho e uma história de amor de arrasar corações. Mas é com dor no coração que eu afirmo: mesmo assim, o filme simplesmente não dá certo. Como toda película baseada em livro que por sua vez é baseado em história real, o longa se preocupa demais em reproduzir fielmente os fatos, com sua abundância de personagens, sem ter tanto tempo para explicá-los. Resultado? Mesmo o espectador mais atento acaba confundindo os bandidos do grupo de John Dillinger (Depp) com os policiais de Melvin Purvis (Bale) nas horas de ação, e fica sem saber que lado está ganhando a cada homem que cai baleado.

Não é exagero. O filme parece eterno em suas 2 horas e 20 minutos, porque vemos Depp umas três vezes capturado, escapando de três prisões diferentes, e sendo pego outras três. Bastava dar uma amostra de cada, desde que bem feita. Lembro que muita gente criticou a extensão interminável do filme A Troca, e depois de assistir, o defendi – ainda acredito que cada pedacinho dele tenha uma razão de existir. Já em Inimigos Públicos, digo com toda a certeza que isso não acontece. A Troca mostra as tantas vezes em que a mãe quase encontra o filho perdido pois a realidade é exatamente assim, e é esse detalhe – da esperança ora dada, ora tirada – que torna a vida das famílias de crianças desaparecidas tão desesperadora. Já Inimigos Públicos não acrescenta grandes coisas à trama em seu vai-e-vem, e se torna chato para quem olha de minuto a minuto o relógio torcendo para que chegue logo o final.

A história remete a uma época distante e mitológica, que talvez nunca tenha existido de fato: em tempos de fome e miséria trazidos pela Grande Depressão de 1929, surge o bandido com síndrome de Robbin Hood, se vingando dos poderosos bancos que tiram mais e mais de quem já pouco tem. Também se utiliza de elementos já apropriados por vários filmes deste estilo, fazendo uma espécie de homenagem ao cinema gângster, com seu glamour ultrapassado e eterno ao mesmo tempo. Mesmo assim, o longa não passa de um apanhado sem graça da história, e só não é mais desinteressante devido à força das atuações. Foi boa, por exemplo, a escolha de mostrar tanto John Dillinger quanto o agente Purvis como homens decentes, de moral: fica a critério do espectador decidir se está do lado do primeiro, que defende a moça de um almofadinha que exige o seu casaco, ou do segundo, que a resgata da sessão de tortura mesmo que isso custe a fuga de seu inimigo.

O filme é carregado de ambiguidades, encarnando na ordem e no caos um pouco do sentimento confuso daquela época de transições. Porém, ao romancear demais a trama, Michael Mann mudou o foco do livro, pouco importando se aquilo tudo existiu e tem íntima relação com o que vivemos hoje, desde que nutra nosso saudosismo e nossos anseios por uma sociedade cor-de-rosa. A saga de Dillinger nunca seria possível em tempos de FBI, CIA e comunicação global, e ao cortar a conexão da trama com o nosso andar histórico, Inimigos Públicos joga fora o potencial de raciocínio e questionamento próprio do cinema para se tornar vazio, de facilidade semelhante à novela da globo ou aos programa de auditório de domingo. Entretenimento e pipoca, só.

O trailler me prometeu um filme de ação à moda antiga, com Johnny Depp encarnando o charme de Clark Gable em Vencidos pela Lei. Acenderam as luzes, subiram os créditos, e eu fiquei esperando mais cenas do bandido pelo qual torci, aquele que assalta bancos mas é piedoso com seus funcionários, cavalheiro e romântico com as mulheres, que tem o charme triplicado pelo clima de perigo. Senti falta inclusive de mais música (para quê escolher a genial Ten Million Slaves, de Otis Taylor, se era para explorar tão pouco?). Talvez o erro tenha sido meu; já deveria imaginar que, em tempos de torturadores, psicopatas, maníacos e estupradores, um filme com bandido belo e íntegro não me convenceria. O triste é que Inimigos Públicos tem a pretensão de contar a história, homenagear o cinema e saciar nosso imaginário com um belo romance, mas faz tudo pela metade e acaba não significando coisa alguma.

“Eu posso roubar um banco a qualquer momento
Eles tem que ficar alertas a todo momento.
Nos divertimos hoje e não pensamos no amanhã,
Por isso estamos no topo do mundo.”

Direção: Michael Mann
Gênero: Drama/Policial
Duração: 140 minutos
Elenco: Christian Bale, Johnny Depp, Marion Cotillard, Channing Tatum, Stephen Dorff, Giovanni Ribisi, Lili Taylor, Leelee Sobieski e Billy Crudup.

Rambo IV (Rambo, 2008)

setembro 1, 2009

Rambo IV

Por Bruno Pongas

O eterno marombado Sylvester Stallone tem dado um gás extra em sua carreira cinematográfica nos últimos anos. Dono de personagens icônicos como Rocky Balboa e John Rambo, o ator e diretor parece estar em ótima forma. Em 2006 reviveu o lendário Balboa num filme bastante elogiado por público e crítica. No ano passado (2008), foi a vez do truculento Rambo voltar às telonas. Aos 63 anos, Stallone corre, pula, mata… faz tudo como se ainda fosse o mesmo jovem de décadas atrás. É claro que sempre haverá uma meia duzia dizendo que sua forma física é mantida através de anabolizantes… pura besteira! Cabe a nós avaliar seu comportamento apenas diante das câmeras.

No quarto episódio da franquia, o impiedoso John Rambo volta mais violento do que nunca. Falando nisso, é bom avisar aos de estômago fraco que Rambo IV possui cenas bem fortes – de dar inveja, inclusive, aos mais sangrentos filmes de terror. Brincadeiras à parte, a nova empreitada do soldado quase-imortal possui alguns prós e muitos contras. Aliás, já que vamos falar mal, é bom iniciar por um ponto chave: os diálogos em alguns momentos chegam a ser risíveis, manjados e nada profundos: “Viva por nada ou morra por algo” (essa foi uma das célebres frases do nosso Confúcio do século XXI).

Os esteriótipos também aparecem com muita clareza no episódio. Temos os soldados maus que matam tudo o que aparece pela frente, os americanos idiotas que se portam como os melhores do mundo, a mocinha que é presa e acaba incentivando a volta do ‘aposentado’ Rambo… e por aí vai. Além, é claro, da previsibilidade do roteiro. Ninguém precisa assistir ao filme para saber o que vai acontecer no final. 

A história por si só é bem fraquinha. O roteirista Art Monterastelli tinha um leque infinito de possibilidades ao retratar o cotidiano vivido pelo povo de Mianmar. No entanto, a falta de cuidado e sensibilidade resultou numa obra rasa e sem o mínimo fim ideológico – o que é uma pena, pois se trata de um assunto ainda pouco explorado pelo cinema. Para piorar, vemos clichês disparados a todo o momento, sem dó nem piedade do espectador, que aguenta firme durante pouco mais de 90 minutos só por causa do bom trabalho de Stallone.

Pois é, caro leitor! Apesar de ser um longa descartável em quase tudo, o veterano Sylvester Stallone até que consegue um resultado interessante (bem acima da média no gênero). Ao optar por fazer um filme curto, Stallone é bem objetivo e prende o espectador durante todo o tempo. Nisso ele acertou em cheio e foi bem inteligente, já que a maioria dos diretores por aí acha que história boa é aquela que demora uma eternidade para acabar. No mais, ele aplica muito bem elementos básicos do cinema – como trilha sonora, por exemplo.

Podemos dizer que Rambo IV tem seus bons momentos. É extremamente frenético, eletrizante e empolga quem está assistindo com propriedade (especialmente nos 30 minutos finais). Fica difícil cobrar uma obra-prima ou algo do tipo. O quarto episódio da saga de John Rambo é mais do mesmo, só que bem mais violento e divertido – tirando o efeito canhestro daquela bomba explodindo no meio da floresta, é claro.

Minha Nota: 7.0

Direção: Sylvester Stallone
Gênero: Ação/Suspense
Duração: 91 minutos
Elenco: Sylvester Stallone, Julie Benz, Matthew Marsden, Graham McTavish, Reynaldo Gallegos, Jake La Botz, Tim Kang, Maung Maung Khin e Paul Schulze.

Corra, Lola, Corra (Lola Rennt, 1998)

agosto 19, 2009

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Por Bruno Pongas

O velho continente é famoso por produzir filmes reflexivos, inspiradores, românticos e inteligentes. Há sempre alguma ‘bomba’ vinda de lá, mas no geral, a maioria dos trabalhos acaba rendendo bons frutos. Um desses que merece todos os elogios é Corra, Lola, Corra, obra que mescla uma série de técnicas numa coisa só. O resultado final é interessantíssimo. Difícil acreditar que uma mistureba mixada em pouco mais de uma hora e 20 minutos poderia pintar com tanta qualidade. Méritos para Tom Tykwer e sua equipe, que com um belo roteiro e uma ótima montagem produziram um dos melhores filmes da década de 1990.

Logo de cara somos apresentados aos personagens principais. Lola é filha de banqueiro, de família desestruturada e com um namorado digamos que… encrenqueiro. Manni é um fora-da-lei e está num péssimo dia. O chefe de sua quadrilha confia a ele a quantia de 100 mil marcos. Azarado que é, o rapaz perde o dinheiro após um pequeno entrevero no metrô. Sem a grana e precisando prestar contas com o chefe, Manni planeja assaltar uma loja para sanar seu prejuízo. É meio dia e quarenta… Manni irá executar o assalto dali a quinze minutos – a menos que Lola chegue no local antes desse horário. Será que o plano vai dar certo? É mais ou menos nesse ritmo que a história é conduzida, cheia de momentos eletrizantes (daqueles de deixar o espectador completamente vidrado).

Tom Tykwer, diretor e roteirista, transforma o longa numa grande brincadeira, num enorme mundo de coincidências e acasos. Por exemplo: quando há um acidente aéreo sempre aparecem aquelas pessoas falando para os jornais em tom dramático: “nasci de novo, era pra estar naquele voo mas meu filho passou mal e tive que adiar para mais tarde”. Embora o exemplo soe pouco esclarecedor, vale dizer que Tykwer se usa desses pequenos detalhes do nosso cotidiano para montar seu enredo. O famoso “e se” é a tônica da trama (e também a sua própria mensagem). Se o Manni não tivesse pego o metrô nada teria acontecido com o dinheiro, ou teria? Se a Lola tivesse comprado a bicicleta talvez ela conseguiria evitar uma tragédia. O grande trunfo do filme é exatamente esse: lida com coisas corriqueiras do nosso cotidiano, coisas com as quais estamos bastante acostumados. Pensar nisso tudo, ainda mais após assistir a Corra, Lola, Corra é uma grande viagem, um exercício imaginativo fantástico e indescritível.

O roteiro inteligente é o principal trunfo da obra. Mesmo que seja inspirado em alguns clássicos, como o próprio Um Corpo Que Cai (há alguns elementos bem semelhantes explicados pelo próprio diretor), o trabalho de Tykwer é essencialmente original. Original por contar a mesma história diversas vezes com um final diferente, por mostrar que milésimos de segundo podem mudar uma vida inteira. Por essas e por outras eu considero Corra, Lola, Corra uma das obras-primas dos anos 90. Tudo tem grande sintonia: o carismático desenho que retrata Lola descendo as escadas, a trilha sonora empolgante, o desempenho do elenco… tem também a câmera manual, que é usada para retratar os momentos do pai da garota com a amante. Isso, aliás, é muito bem sacado, pois contribui para criar aquele clima pessoal, supostamente secreto.

Sobram elogios, realmente sobram. Confesso que sou suspeito para falar qualquer coisa sobre o filme… sou nada mais do que um grande fan. Sei que de vez em quando os fanáticos apelam um pouco e tendem a superestimar algo apenas comum. No entanto, o montante de prêmios vencidos pelo longa mostra que existem mais pessoas que compartilham do meu parecer. Talvez os mesmos que tenham visto em Lola Rennt uma viagem sensacional em torno de coisas simples do nosso cotidiano. Isso parece meio doido, é verdade, mas se até Amelie Poulain pode ser feliz vivendo a simplicidade da vida e imaginado quantas pessoas têm orgasmos pelo mundo, nós também podemos nos deleitar com o mar de casualidades que nos cerca.

Minha Nota: 10.0

Direção: Tom Tykwer
Gênero: Ação/Policial
Duração: 81 minutos
Elenco: Franka Potente, Moritz Bleibtreu, Herbert Knaup, Nina Petri, Armin Rohde, Joachim Król, Ludger Pistor e Suzanne von Borsody.

Na Natureza Selvagem (Into the Wild, 2007)

agosto 16, 2009

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Por Alessandra Marcondes

Quando ouvi falar de Na Natureza Selvagem, tive a impressão de que seria exposta a tomadas fantásticas de uma natureza distante que me diriam: ‘isso não é para você’. Talvez um filme que servisse de marketing para o ecoturismo, e recortasse a realidade árdua da selva de forma amena e feliz, típico de Globo Repórter e afins. O que encontrei, entretanto, atropelou minhas expectativas e, de tão excepcional, deu as costas para elas e saiu andando, sem nem ligar.

Um rapaz chamado Chris foge da família, da carreira, do dinheiro e de outras convenções para varrer o mundo aos seus pés. Fugindo da mediocridade burguesa de sua família, mirou o Alasca e todo seu significado selvagem como forma perfeita de libertar sua alma, em viagem interior que prometia horizontes inabitados pela grande maioria dos homens. Em capítulos que dividem a grande empreitada como em atos teatrais, conhece tipos bem característicos em harmonia com a fase vivida: repare na presença dos hippies cumprindo o papel de pais em “o nascimento”, os dinamarqueses estranhíssimos e a bebedeira com o amigo trambiqueiro situados em “adolescência”, e o velho homem símbolo de um amadurecimento inevitável, em “sabedoria”.

Reconheço que sou uma menina urbana, e ficar acampada longe de um bom chuveiro quente num lugar cheio de mosquitos não é muito a minha praia. Mas mesmo que nem todos nós desejemos efetivamente a empreitada de Cris, é inevitável invejar sua coragem. Abandonar tudo o que se conhece como seguro e arriscar o novo é atidude de homem crescido, e deixar celulares, cartões de crédito e cigarros para trás deve dar uma sensação magnífica de liberdade que a maioria dos homens infelizmente não terão a oportunidade de vivenciar. Talvez tenha certa ingenuidade nas atitudes do menino rebelde que despreza tanto a vida burguesa que sua família lutou para ter, mas ganhar um carro como presente de formatura dos seus próprios pais mostrou que os dois não entendiam nada a seu respeito, nem respeitavam seus instintos e seus sonhos.

Há um alerta visível para a falta de importância de conceitos supervalorizados pela nossa geração. As prioridades para o homem são discutidas a todo momento: é necessário ficar sozinho para compreender a si mesmo e entrar em harmonia com o mundo, ou de nada vale a felicidade se não for compartilhada? Essa foi uma das melhores frases que já ouvi na minha vida, e transformou o filme em muito mais do que a história sobre a introspecção de um personagem – me fez pensar na minha própria realidade, meus valores, meus sentimentos. E isso, meu caro leitor, é o que o cinema tem de melhor pra mostrar; é nessa hora que sabemos a qualidade da película que está na nossa frente, e damos graças aos céus pelo cinema simplesmente existir. Isso, caro leitor, é um bom filme.

Paisagens incríveis, diálogos poéticos e a trilha (aaaah, a trilha) desenhada exemplarmente por Eddie Vedder completam Na natureza Selvagem, tornando-o perfeito. Este sim mereceria uma nota 11 do cricrítico Bruno Pongas. Típico de filmes sobre viajantes, há a constante narração em off de reflexões do personagem principal e a presença abençoada de secundários que dão cor à vida do andarilho. Faz lembrar as personagens de Um Beijo Roubado, que, sendo tão magníficas, fazem o espectador torcer para que sejam reais. Algumas das cenas grudam na memória visual e não nos deixam para sempre: como quando Cris chora feito criança por ter matado um animal à toa, pois não conseguiu aproveitar sua carne; ou como aquele garoto com tanta certeza de si se transformou no final em criança novamente, com sentimentos tão humanos que são a saudade, o medo e a dor.

‘Chamar cada coisa pelo seu nome certo’ – foi o que faltou na hora de comer o fruto errado, e que fez o corajoso Alexander SuperTramp voltar a ser, finalmente, Christopher McCandless. Um final para chorar e continuar chorando pela meia hora seguinte. O final de um filme definitivamente excepcional.

Hapiness only real when shared.

Direção: Sean Penn
Duração: 148 minutos
Gênero: Ação/Drama
Elenco: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, Willian Hurt, Vince Vaughn, Jena Malone, Catherine Keener, Kristen Stewart, Brian Dierker e Hal Holbrook.

Onze Homens e um Segredo (Ocean’s Eleven, 2001)

agosto 8, 2009

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Por Bruno Pongas

Quando muitas estrelas se juntam para um único filme, das duas uma: ou vai ser um perfeito fiasco ou um grande sucesso. O ainda jovem diretor Steven Soderbergh (46 anos) vem construíndo aos poucos uma carreira interessante. Na filmografia, participou duas vezes da cerimônia mais simbólica do cinema. Aliás, o cineasta foi um dos poucos na história a emplacar duas obras entre as concorrentes num único ano. Traffic, que garantiu o primeiro oscar ao diretor e Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento. Vale lembrar que naquele ano o épico Gladiador foi escolhido como o melhor para a acadêmia. Gladiadores a parte, Onze Homens e um Segredo é um trabalho menor de Soderbergh. Menor no sentido de impacto, pois se levarmos em conta o que custou aos cofres da produtora e o que arrecadou, mudaremos um pouco o discurso.

Inspirado na obra homônima de Lewis Milestone (1960), o longa conta a história de Danny Ocean e seus amigos, bandidos clássicos que arquitetavam roubos gigantescos e pomposos em sua época. Devido ao estilo dos furtos e da calma do grupo, que dificilmente apelava para a violência, esses homens eram considerados ‘bandidos charmosos’, ou ‘bandidos mocinhos’, como preferir. Uma referência fácil é o atual John Dillinger, de Inimigos Públicos, que na sua época era considerado um mito, reverenciado e admirado pelo povo. Uma curiosidade aqui, é que a trama da década de 1960 contava com nada mais nada menos do que Frank Sinatra como personagem principal… (Sinatra fazendo jus a sua fama de mafioso). 

Soderbergh constrói um longa ágil, que vai direto ao assunto sem se perder em passagens desnecessárias. Talvez esse seja um dos grandes trunfos do longa, já que em poucos minutos – menos de 20 – somos apresentados a quase todos os personagens e ao plano de assalto aos cassinos. No entanto, como nada é perfeito, a agilidade pareceu tanta em tantos aspectos que a trama tem poucas cenas daquelas que você para e pensa: UAU!… apesar de muito bem feito em quase tudo, o longa carece de passagens mais trabalhadas, mais espetaculares – como pede o esquema de um filme desse tipo. Há ainda o romance entre as personagens de Clooney e Roberts, que apesar de demasiado clichê, tem a sua importância para a história… caso contrário, ele seria completamente descartável. Como destaque, o roteiro tem uma virada interessante e divertida no final, que me surpreendeu bastante.

O elenco fala por si só: Matt Damon, Casey Affleck, Don Cheadle e até a musa Julia Roberts como meros coadjuvantes? Pois é, o filme se dá ao luxo de ter atores desse nível como ‘figurantes’, podemos assim dizer. Entre os principais, Brad Pitt é destaque fazendo um papel que vem se tornando típico em sua carreira. Aqui, seu estilo lembra muito o de Tyler Durden em Clube da Luta (nem precisa falar que ele está pra lá de bem). George Clooney, por sua vez, também garante bons momentos interpretanto aquele que seria o personagem principal – Danny Ocean. No entanto, quem ofusca a luz de todos os outros é o cubano Andy Garcia. Se você procura saber o que é um bom ator e como se portar diante das câmeras, assista a esse filme e aprenda um pouco com ele. Como Terry Benedict, dono dos cassinos, o ator da show em cena e rouba o filme para sí com grande estilo. A cada cena que ele aparecia o longa ganhava alguns pontinhos a mais comigo – principalmente nas partes em que ele tentava se manter calmo mesmo com tudo dando errado.

No final das contas, Onze Homens e um Segredo é daquele tipo de entretenimento sem compromisso, daqueles que você assiste simplesmente para se divertir, sem precisar pensar. Se você for daqueles que procura algo sério, para refletir, passe bem longe desse trabalho. No entanto, como um blockbusterzinho de vez em quando também é bem-vindo, esse é daqueles que tem bons momentos, uma história interessante e muito bem montada, ao contrário da maioria dos super-sucessos-de-bilheteria por aí. Ah, e dica para os apreciadores do lado musical da coisa: a trilha sonora é genial!

Minha Nota: 7.5

Direção: Steven Soderbergh
Gênero: Comédia/Policial/Suspense
Duração: 116 minutos
Elenco: George Clooney, Brad Pitt, Julia Roberts, Matt Damon, Casey Affleck, Don Cheadle, Andy Garcia, Elliott Gould, Bernie Mac, Scott Caan, Carl Reiner, Shaobo Qin, Topher Grace e Joshua Jackson.

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Kill Bill – Volume 1 (Kill Bill: Vol. 1, 2003)

julho 28, 2009

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Por Bruno Pongas

Sabe quando você vê um filme e nem precisa esperar subir os créditos para identificar quem é o diretor? Quentin Tarantino é um desses caras, de talento único e estilo facilmente reconhecível. Fazem parte do seu extenso repertório os roteiros nada lineares e banhos de sangue bem abundantes. Nesse ponto, aliás, Tarantino não decepciona os sanguinários de plantão, e mesmo seus personagens mais inspiradores passam por maus bocados. Algumas vezes o excesso de sangue jorrando das veias toma lugar das visceras escapando dos corpos, o que de certa forma até suaviza o conteúdo da trama; e vou mais além: no caso de Kill Bill, essa brincadeira com o sangue torna o filme até mais divertido, com uma ótima pitada de comédia.

Como todos sabem, o trabalho recebeu inúmeras críticas por ser dividido em duas partes (Volume 1 e Volume 2). Tarantino foi acusado de mercenário, de só pensar no dinheiro, disso e daquilo… particularmente eu penso o contrário. Em um único longa, o diretor teria que fazer muitos cortes para condensar uma obra de mais de três horas em pouco mais de 120 minutos. Seria um trabalho árduo e sacrificante, pois eliminar determinadas passagens deve ser das tarefas mais incômodas para um profissional desse tipo. Assim, o cineasta teve liberdade dentro da produtora, a Miramax, e pôde fazer o que queria: dois longas, completos, sem muitos cortes. Há quem diga, no entanto, que desta maneira Kill Bill – Volume 1 ficou sem um final decente. Mais uma vez eu penso diferente, pois afirmar isso é o mesmo que recriminar todos os filmes que possuem uma sequência – Senhor dos Anéis, por exemplo.

Na parte técnica, o longa é exemplar; deveria servir de exemplo para muitos profissionais iniciantes. Tarantino sabe brincar com efeitos de luz, sombra, cores… uma legítima aula de como se fazer cinema. Falando nisso, basta lembrar da cena em que a sempre bela Uma Thurman luta contra uma centena de pessoas (ou quase isso!). O efeito em preto e branco ali usado serve praticamente para suavizar aquele conteúdo excessivamente violento e deveras exagerado – integrante do mundo particular de Quentin Tarantino. Antigamente, esse tipo de recurso servia para que os filmes pudessem passar pela censura, pois sem isso alguns deles jamais seriam aprovados. É com essa brincadeira de referências que o diretor baseia a maior parte de seus trabalhos, inclusive sua obra-prima: Pulp Fiction.

A saga da noiva heroína (ou anti-heroína, como preferir) que busca se vingar dos seus ex-companheiros tem um roteiro e uma montagem bem semelhantes às cultuadas tramas antecessoras do cineasta. Há quem diga que em Kill Bill a ordem dos fatores pouco importa e que se a história fosse contada com linearidade nada seria mudado. Está errado quem fez esse tipo de julgamento, pois basta uma breve analisada com bom senso para que as dúvidas sejam completamente dissipadas. Com linearidade, o filme teria seu ápice muito cedo e um final pouco emocionante – justamente por isso que Tarantino optou pela montagem fora de ordem.

Falando nisso, os 20 minutos finais, que envolvem a já citada luta de Uma Thurman contra os membros da Yakuzasão simplesmente eletrizantes e muito bem dirigidos. A violência nua e crua dos primeiros capítulos dá lugar a um toque mais artístico, mais refinado, fazendo com que o espectador se renda à beleza daquelas pessoas se degladiando, se mutilando, sem que essas cenas se tornem chocantes ou estarrecedoras. Tudo isso ganha forte auxílio de uma belíssima fotografia. Aliás, a parte artística do longa é primorosa, desde os recursos técnicos até o anime que introduz a personagem interpretada por Lucy Liu, que é de uma estética impressionante e extremamente violenta – até mais do que o próprio filme.

Kill Bill é uma das primeiras obras-primas dos anos 2000, ao lado da trilogia de J.R.R Tolkien e do gângster Os Infiltrados (entre outros). Contribuem para isso a inteligência de Quentin Tarantino, o desempenho pungente de Uma Thurman, um elenco inspirado e uma história envolvente. Tudo isso aliado a uma trilha sonora muito gostosa e adequada – uma das características do diretor. Além disso, o segundo volume mantêm o nível do primeiro episódio, o que é um pouco raro nos dias de hoje. E só para finalizar, uma atriz local pouco conhecida me despertou bastante interesse e achei seu trabalho muito interessante; trata-se da japonesa Chiaki Kuriyama, que dá vida à terrível Gogo Yubari e garante uma das melhores cenas de luta do longa.

Minha Nota: 10.0

Direção: Quentin Tarantino
Gênero: Ação/Comédia/Drama
Duração: 111 minutos
Elenco: Uma Thurman, Sonny Chiba, Chiaki Kuriyama, Julie Dreyfus, Michael Madsen, David Carradine, Daryl Hannah, Vivica A. Fox, Lucy Liu e Michael Parks.

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