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ESPECIAL HP: Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire, 2005)

agosto 5, 2009

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Por Roberto Camargo

A primeira tomada é feita quase toda digitalmente. Nagini, a cobra de Lord Voldemort, atravessa, soberba e pixelizada, a tela. Essa é uma pequena amostra do que Harry Potter e o Cálice de Fogo pode proporcionar ao espectador. A quarta aventura do jovem bruxo, aliás, é o livro com maior potencial como material cinematográfico – em matéria de blockbuster repleto de efeitos especiais. Dragões, sereianos, o torneio tribruxo e o retorno de Lord Voldemort a uma forma física.

Na batuta, após a boa – porém breve – passagem de Cuarón, assume Mike Newell. O currículo desse inglês é bastante vasto, principalmente pela sua história na televisão. Entretanto, é nos filmes que ganha maior destaque. Em 1977, dirigiu O Homem da Máscara de Ferro. Décadas depois, lançou sucessos como Quatro Casamentos e um Funeral, Donnie Brasco e O Sorriso de Monalisa. Em 2005, foi convidado para dirigir a quarta aventura de Potter. Entregou-nos, na época, o melhor filme do bruxo.

Para quem não conhece a história, aí vai um pequeno resumo. No seu quarto ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, Harry Potter (Daniel Radcliffe) tem um novo encontro com a morte. Seu colégio recepciona um lendário torneio entre as três maiores escolas bruxas do mundo. Esse torneio reserva as mais perigosas missões, como enfrentar um dragão apenas armado com sua varinha. Tradicionalmente, são três apenas os competidores e todos devem ser maiores de 17 anos. Esse ano, no entanto, um quarto integrante figurou entre os competidores. E ganha um doce quem adivinhar quem foi…

A narrativa ganha cores logo na primeira sub-história: a Copa do Mundo de Quadribol. A paisagem da cena da chave do portal está belíssima, assim como a fotografia composta contra o sol. O design do estádio de quadribol lembra muito os estádios de futebol do nosso Primeiro Mundo. Tantos aspectos positivos terminam tão logo o ministro da Magia inicia a partida. Ao invés de mostrar a partida, o diretor corta a cena e vai direto para o pós-jogo. Tenho certeza que muitos fãs esperavam pela final entre Bulgária e Irlanda, e eu me incluo nessa porcentagem.

O elenco permanece o mesmo, com adicionais interessantes. Robert Pattinson, o atual queridinho das mulheres, dá vida a Cedrico Diggory, representante de Hogwarts na disputa pela taça tribruxa; Katie Leung encarna a insossa Cho Chang, por quem Harry tem uma paixonite; Clémence Poésy, como Fleur Delacour (sinceramente esperava uma atriz mais bonita para viver a Fleur…); Stanislav Ianevski representa o astro de quadribol Vitor Krum; Brendan Gleeson introduz o auror e novo professor de Defesa contra as Artes das Trevas, Olho-Tonto Moody; e Miranda Richardson vira Rita Skeeter, a sensacionalista repórter do Profeta Diário.

Depois de listar exaustivamente quase todo o elenco, você deve estar rogando pragas contra mim, pois esqueci, talvez, da maior figura entre os estreantes. Ralph Fiennes, sim, o Paciente Inglês, ressuscita a figura humana de Lord Voldemort. E como grande ator que é, encontra o tom perfeito para o frio lorde das trevas. Talvez a face ofídica que Rowling cita em seus livros tenha ficado exagerada, uma vez que sumiram com o nariz de Fiennes e colocaram uma fenda em seu lugar. Mas, exagerado mesmo, só os cabelos longuíssimos de Potter e Rony Weasley (Rupert Grint)…

Pitacos de cri-crítica a parte, o filme é muito bom, surpreendendo até mesmo aqueles que não vão com a cara dessa fantasia inglesa. Harry Potter e o Cálice de Fogo enche os olhos com seus efeitos digitais, faz rir de vez em quando e traz a morte de maneira sutil e, porque não, emocionante.

Minha nota: 8.0

Direção: Mike Newell
Gênero: Aventura/Drama/Suspense  
Duração:
157 minutos
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Alan Rickman, Tom Felton, Robert Pattinson, Ralph Fiennes, Robbie Coltrane, Maggie Smith, Clémence Poésy, Stanislav Ianevski, Brendan Gleeson, Miranda Richardson, Timothy Spall e Michael Gambon.

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ESPECIAL HP: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, 2004)

julho 27, 2009

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Por Roberto Camargo

Assim como Bruno, tenho grande simpatia pelo menino-que-sobreviveu. Acompanho as aventuras de Potter há um bom tempo. Lembro-me que primeiro vi o filme, depois comprei as quatro primeiras obras. E esperava ansiosamente pelo lançamento das continuações, fossem nas páginas dos gordos livros ou nas telonas. Se tenho um arrependimento relacionado a Harry, o único é ver o submarino  vender todos (sim, todos!) os sete livros por R$80,00! E pensar que gastei bem mais do que isso… Mas como lamentar não vai me ajudar em nada, muito menos fazer com que o tempo volte, vamos à crítica de Prisioneiro.

Para a grande maioria dos fans, as adaptações no cinema não chegam à altura das palavras de Rowling. J.K não é revolucionária em nada para a literatura, mas tem a capacidade de escrever uma história suficientemente interessante, bem amarrada, e, sobretudo, que agrada diferentes públicos. Chris Columbus (diretor da Pedra Filosofal e da Câmara Secreta), no entanto, delimita um pouco essa flexibilidade de público e nos entrega películas com teor mais infantilesco. O desgaste é percebido e, para o terceiro filme, a cadeira de diretor é substituída.

A escolha, sem dúvidas, foi uma grande surpresa: Alfonso Cuarón, um mexicano quase desconhecido, foi escalado. Seu currículo, na época, possuía apenas dois filmes de maior conhecimento do público brasileiro: A Princesinha e Y Tu Mamá También. Mesmo assim, não tão populares. A aposta, entretanto, deu certo. Diferente do antigo diretor, Cuarón escolheu tons mais escuros em sua paleta de cores, contrastando com a bela (e colorida) fotografia de paisagens. Assim, O Prisioneiro de Azkaban redefiniu a série e fez com que os outros filmes trilhassem por um caminho mais sombrio.

Nesse epísódio, Harry Potter (Daniel Radcliffe) volta a Hogwarts para cursar seu terceiro ano na escola de magia e, como de praxe, se envolve em mais uma grande aventura. Dessa vez, Sirius Black – um perigoso assassino – foge de Azkaban, de onde nenhum outro bruxo jamais havia fugido. A situação piora quando os rumores apontam que Sirius fugiu da prisão para matar Potter. O roteiro leva a história de maneira lenta, o que faz crescer a intensidade do desfecho. O tal desfecho, aliás, é a melhor parte do filme. A sequência dos dementadores no lago é tensa e emocionante.  

Os efeitos especiais, marca da série, mais uma vez são destaque. O lobisomem e o dementador, assim como Bicuço, não desapontam nenhum fan. O Salgueiro lutador ganha vários takes, ora agarrando um passarinho, ora perdendo suas folhas para o outono. Algo relacionado aos efeitos que me decepcionou foi a figura do sinistro. O cão que representa a morte, um mau agouro, não é tão assustador como deveria ser. Parece mais um cão vira-lata.

O time de atores, como de costume, é um dos trunfos do diretor. Os três adolescentes protagonistas não dão uma aula de atuação, mas suas imagens estão tão vinculadas a Harry, Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson), que não consigo mais imaginar qualquer outro ator para interpretar o trio de bruxos. Alan Rickman, como Severo Snape, e Michael Gambon, como Dumbledore, mostram domínio e conhecimento sobre suas personagens, sempre roubando a cena nas poucas oportunidades que aparecem. O terceiro filme inaugura ainda a participação de figuras mais famosas no meio cinematográfico. Gary Oldman encarna Sirius Black, e Emma Thompson dá cores à sua Trelawney. A atriz consegue imprimir um ritmo perfeito para sua personagem, que alia a loucura e presunção da professora.

Tantos elogios, no entanto, não apagam os erros de Cuarón. Talvez na tentativa de dar sua cara ao universo da magia, o diretor tropeça em algumas cenas que poderiam ser cortadas. As primeiras imagens mostram Harry na casa dos Dursley praticando uma magia de iluminação com sua varinha. Quem é fan sabe que os bruxos menores de 17 anos não podem praticar magia fora dos terrenos de Hogwarts, o que seria detectado pelo Ministério. Erro para o diretor. Outra cena que me incomodou foi a prévia do discurso de Dumbledore. Ao invés de colocar o chapéu seletor cantando ou escolhendo as casas dos calouros, Cuarón optou por um coral de alunos carregando sapos em seus colos. Na minha opinião, precipitado.

Como balanço final, vitória para os acertos. Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban marca o começo de uma nova fase nos filmes. Mas, por se tratar de uma continuação, não é recomendada aos não-iniciados. A terceira parte da série possui uma trama interessante, pistas para os cinéfilos mais atentos e um final surpreendente. E é a estreia de Cuarón na cadeira de diretor, mas também seu adeus.

Minha nota: 7.0

Direção: Alfonso Cuarón
Gênero: Aventura/Drama/Suspense  
Duração: 141 minutos
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Alan Rickman, Tom Felton, Emma Thompson, Gary Oldman, Robbie Coltrane, Maggie Smith, David Thewlis, Richard Griffiths, Matthew Lewis, Bonnie Wright, Timothy Spall e Michael Gambon.

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Speed Racer (Speed Racer, 2008)

julho 4, 2009

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Por Roberto Camargo

Corra Speed! Corra!

Primeiramente, peço perdão aos fãs da série original, pois nunca assisti a um episódio sequer do piloto e seu lendário Mach 5. O que pude fazer foram pesquisas sobre o famoso anime da década de 60, antes de escrever essa crítica. Logo, vou me ater a comentar o filme, sem muitas comparações com o desenho.

Os irmãos Wachowski, as mentes que nos entregaram Matrix (as duas sequências não são tão dignas de nota), retornaram às telonas com o longa Speed Racer. E junto ao filme, vieram novas abstrações de Larry e Andy. Para começar, o mundo das corridas idealizado pelos diretores é uma experiência psicodélica e surrealista. Cores quentes e vivas que parecem se movimentar dão o tom de velocidade. Os carros e pistas são totalmente inventivos – mas fiéis aos desenhos de Tatsuo Yoshida. As personagens são caricaturas, com destaque para o núcleo de humor, protagonizado pelo simpático Gorducho (o desconhecido Paulie Litt), irmão mais novo de Speed, e seu chimpanzé Chim Chim.

O figurino também ultrapassa a linha do real e parece ser muito forçado – tudo dentro do universo de Speed. Mas o maior diferencial da fita são os truques utilizados pelos diretores. Aí vai a receita: coloca-se um ator real em primeiro plano e o fundo da imagem é preenchido por conteúdo 2D. A manobra dos Wachowski é uma clara homenagem ao desenho original. Além disso, utilizam-se de um recurso pouco comum. Ao invés de fazer cortes na passagem de uma cena para outra, a transição é feita através do movimento do rosto em close de alguma personagem, arrastando consigo o próximo plano. Sim, é bastante confuso de se ler. Mas entenda como um tipo de encadeamento de imagens. Ou vá logo assistir ao filme!

A história – sim, ainda há uma história – começa na infância do protagonista, Speed Racer (sim, seu nome de verdade é Speed, interpretado por Emile Hirsch), quando seu irmão mais velho, Rex Racer (Scott Porter), é um grande piloto de corrida, arrojado e campeão. Após a morte do irmão, o filme salta para o futuro e mostra Speed numa jornada para se igualar a Rex. O rapaz mostra talento no volante aliado à coragem e instinto, o que fez com que vencesse uma corrida e despertasse o interesse de grandes escuderias.

A Royalton oferece ao jovem uma proposta tentadora, mas ele recusa, provando lealdade à montadora de seu pai (John Goodman), a Racers Motors. Contrariado, o dono da Royalton resolve provar que o mundo das corridas é, e sempre foi, uma grande armação, um verdadeiro jogo de bastidores. A partir daí, a missão de Speed é lutar contra as gigantes montadoras, vencer o Grand Prix e mostrar a todos que uma corrida se vence na pista e não nos bastidores.

O roteiro não é o grande trunfo da película. Diversas pistas durante a trama deixam claro seu desenlace. No entanto, o conjunto geral resulta num bom filme. No elenco, nota para Susan Sarandon, como a mãe do herói, e Christina Ricci, como Trixie, a namorada do rapaz. E curiosidade para os brasileiros: a Petrobrás faz uma ponta no longa!  

Speed Racer é por vezes engraçado, futurista ou emocionante, mas sempre simpático. Um programa para toda a família, além, é claro, para amantes do entretenimento – como eu.

Direção: Larry e Andy Wachowski
Gênero: Ação/Comédia/Esporte
Duração: 135 minutos
Elenco: Emile Hirsch, Susan Sarandon, John Goodman, Christina Ricci, Matthew Fox, Scott Porter, Roger Allam, Richard Roundtree.

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Hitch: Conselheiro Amoroso (Hitch, 2005)

maio 26, 2009

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Por Roberto Camargo

Ah, quem dera se cada um de nós pudesse contar com Alex Hitchens…

Seu emprego é o amor; sua vida é o amor. Cada palavra, cada movimento, cada instante é friamente calculado para impressionar a pessoa amada. Lições como essa são aprendidas na ótima comédia romântica Hitch (2005). Estrelada por Will Smith, é um dos melhores filmes para assistir a dois. Ou entre amigos. Ou com a família. Enfim, um filme que lhe garantirá risadas, sorrisos e suspiros – seja com quem ou quando for.

A história se passa em Nova York, onde Alex Hitchens (Smith) ensina, no anonimato, homens apaixonados a conquistar a mulher amada. A maioria dos casais que o doutor do amor consegue formar foge do lugar-comum dos relacionamentos, quando a patricinha escolhe o bonitinho e blá-blá-blá. Aqui, o nerd mais hardcore conquista uma bela mulher apenas por mostrar quem ele é. Por dentro.

Dentre seus contratantes, a película foca o conto de Albert Brennaman (Kevin James), contador introvertido, asmático e acima do peso. Kevin James, aliás, é um dos pontos altos do filme. Com uma atuação brilhante no quesito comédia, o ator nos brinda com cenas inesquecíveis, como a aula de dança e o “primeiro beijo”. Albert trabalha para uma herdeira e socialite, Allegra Cole (Amber Valetta), por quem é perdidamente apaixonado. Disposto a chamar sua atenção, o contador contrata o maior especialista na área: Hitch.

Nesse meio tempo, a personagem de Smith conhece Sara Melas (Eva Mendes), uma bela jornalista de fofocas que não costuma baixar sua guarda para o sexo oposto. Ele acredita que ela seja a mulher certa, então decide investir todo seu charme e conhecimento teórico na relação. Não nos surpreende quando o consultor de casais se enrola todo e erra em quase tudo nos encontros com Sara. As situações criadas nos encontros rendem outra grande parte das risadas que damos quando assistimos Hitch.

A trama dessas quatro personagens se encontra quando a jornalista começa a seguir uma pista de que a socialite está saindo com alguém improvável. Assim, acaba descobrindo que ele não conseguiu isso sozinho, teve a ajuda de um profissional…

Hitch não é um filme de arte. Sequer tem força para se tornar icônico (apesar das personagens de Will Smith e Kevin James serem hilárias e marcantes). Mas o trabalho do diretor Andy Tennant (de Para Sempre Cinderela e Ana e o Rei) merece aplausos, principalmente por saber dosar o óbvio e o inusitado e se apoiar na química da dupla Smith/James.

Ouvi diversas opiniões sobre a película. Uns disseram que o filme se trata de um documentário… Outros não gostaram, embora nenhum de seus argumentos tenha me convencido. Bruno Pongas daria uma nota 8.0. Leka Marcondes diria: Regra número 1 para conquistar uma mulher: não há regras. Uma outra publicação recomendaria um baldão de pipoca para assistir Hitch.

Eu? Eu simplesmente recomendo.

Ps.: esse foi, acreditem, o primeiro filme assistido em conjunto pela equipe MovieforDummies! Destaque para Leka e sua raiva absoluta com a reviravolta no final; para mim que, descontente, contei o filme todo antes de sua metade; e para Pongas e seu ronco sincero…

Direção: Andy Tennant
Gênero: Comédia romântica
Duração: 105 minutos
Elenco: Will Smith, Eva Mendes, Kevin James, Amber Valetta, Julie Anne Emery, Jeffrey Donovan, Adam Arkin.

O Cavaleiro das Trevas e o IMAX

março 26, 2009

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Por Roberto Furuya

Depois de meses na geladeira, estou de volta para mais análises parciais, críticas furrecas, muitos blockbusters e comédias românticas. E para começar de onde parei, nada melhor que retomar minha última postagem. Era julho de 2008 e eu rasgava elogios ao injustiçado filme de Christopher Nolan. Digo injustiçado por saber dos resultados do Oscar 2009. Das oito categorias em que concorreu, venceu apenas duas: edição de som e ator coadjuvante. Nada mais justo do que dar o prêmio póstumo – o segundo apenas na história da Academia – para Heath Ledger.

Mas o que tinha de ser falado sobre o Cavaleiro das Trevas já foi dito inúmeras vezes. Venho lhes passar minhas impressões sobre o novo formato de cinema, pioneiro no Brasil na sala do Shopping Bourbon, em São Paulo. O IMAX, originalmente Image Maximum, é a resposta da indústria cinematográfica para a queda crescente de espectadores nas salas de exibição.

Não é mais segredo o fato de que as pessoas vão menos ao cinema, seja pela internet e sua facilidade em baixar filmes, seja pelo valor elitista estipulado por grande parcela das redes cinematográficas. Mas, a verdade é uma: o cinema perdeu um pouco de seu glamour e muito de sua aura. Além das perdas essenciais, o que mais se perdeu foram as cifras das produtoras.

Para atrair seu antigo público e, por que não, uma nova legião de fãs, o cinema se reciclou. Mas sem nenhuma revolução. O IMAX é mais do mesmo, mas em proporções muito maiores. Numa comparação real, a maioria das telas medem cerca de 12 metros de comprimento por cinco metros de altura. A tela do Unibanco IMAX, em São Paulo, mede singelos 21 metros de comprimento por 14 de altura. O som também é diferenciado. Sem mais as antigas caixinhas de som. Com a nova tecnologia, o som é surround – três vezes mais potente que o antigo. Outra diferença impressionante está na resolução da imagem – incríveis dez mil por sete mil pixels enchem sua tela de texturas, cores e vida. Para fazer a comparação, as telas antigas compartilhavam 2048 por 1080 pixels. Mas a cereja do bolo ainda não foi citada; a grande cartada do IMAX é sua compatibilidade com o 3D. Com uma tela mais côncava, torna-se mais fácil a adequação desse formato.      

Uma experiência sensorial de pura imersão. Essa é a palavra de especialistas sobre a experiência IMAX. Tenho de concordar. A primeira cena de Batman, um assalto a banco, revela tomadas aéreas da cidade de Gotham. Assistir à cena foi como observar uma paisagem numa lente grande-angular gigante. Para quem nunca tinha visto tela tão grande, foi difícil assimilar tanta informação de uma só vez. Imagine então quando as primeiras legendas apareceram, discretas, na parte de baixo do telão. Não sabia se lia, se olhava para o lado esquerdo, para cima, para baixo… Mas a sensação de estar perdido cessa em poucos minutos e você se acostuma à novidade. Acostuma-se de tal maneira que todas as outras salas nunca mais serão boas o suficiente.

Eu recomendo, apesar do preço salgado cobrado pelo ingresso. Quem quiser apreciar a sétima arte ao cubo terá de desembolsar R$ 30,00. Um valor alto demais para os padrões econômicos da maioria da população. Mas não entrarei nessa discussão. Limito-me a bancar o advogado do diabo.

Direção: Christopher Nolan
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 144 min
Elenco: Christian Bale (Bruce Wayne), Heath Ledger (Coringa), Michael Caine (Alfred Pennyworth), Aaron Eckhart (Harvey Dent), Morgan Freeman (Lucius Fox), Gary Oldman (Jim Gordon), Maggie Gyllenhaal (Rachel Dawes).

Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008)

fevereiro 23, 2009

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Por Roberto Camargo

Quem teve a ousadia de me procurar no dia 18 de julho de 2008 não me encontrou. Para qualquer pessoa que aprecia um bom filme, esse dia havia se tornado feriado desde que foi anunciado como a estréia da continuação do renovado guardião de Gotham. Eu estava debaixo de uma máscara de morcego e envolto por uma capa preta. Mentira. Mas não nego que essa idéia chegou a passar pela minha cabeça.
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Muita expectativa foi gerada ao redor de Batman – O Cavaleiro das Trevas. Li inúmeras críticas relacionadas à película, a maioria positiva e uma ou duas que falavam alguma coisa de ruim. Sentei-me na sala de cinema pronto para ver uma atuação de Heath Ledger digna do Oscar. Esperava, novamente, por um show de ironia por parte do Alfred de Michael Caine. Rezava por uma Rachel Dawes mais convincente na pele de Maggie Gyllenhaal. Ansiava por Christian Bale e sua reinvenção do melhor herói dos quadrinhos.
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Vi exatamente o que esperava. E mais! Um Aaron Eckhart dando verossimilhança para seu Harvey Dent. E os também notáveis Lucius Fox de Morgan Freeman e comissário Gordon de Gary Oldman. Mas mais do que tudo, o que mais me entreteve foi o roteiro bem amarrado, um tabuleiro de xadrez no qual o movimento de uma única peça define o rumo de todo o jogo. Créditos para Christopher Nolan, que nos brindou com uma narrativa densa, atuações brilhantes e uma aula de ação com elementos de drama e comédia.
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A primeira cena do filme nos dá um gostinho de toda a insanidade que vem pela frente. Um assalto a banco feito por ladrões vestindo máscaras de palhaço. Um palhaço matando o outro, por ordens do chefe, para que a quantia roubada fosse dividida entre menos pessoas. O chefe é o Coringa. A segunda cena mostra uma transação entre os membros da Máfia e o vilão do primeiro filme, o Espantalho. A ação é interrompida por um grupo de Batmans armados. Após uns instantes de tiroteio, eis que surge o original.
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Nota para a visão colocada pelo diretor. Uma vez que uma pessoa normal coloca uma fantasia e resolve virar o herói da cidade, ele será seguido por outras pessoas que também acreditam poder carregar esse fardo. A realidade está bastante presente no longa. Dessa vez, o cavaleiro negro sai ferido. Bem ferido.
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Não posso contar mais nada. Bem que queria. Recomendo. Assistirei novamente sem dúvida. É um filme com cenas de ação que não deixarão com que pisquem. Um filme com um herói mais humano, mais fraco, mais covarde, mas mesmo assim, mais Batman do que nunca. Um filme que mostra a queda de um homem e o nascimento de um vilão. Um filme sobre esperança, sobre loucura, sobre coragem e sobre sacrifício. Um filme fúnebre, como a morte de seu mais talentoso filho. Um filme dark, como Batman mostrou que deve ser.
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Entrei no cinema com a esperança de ver o melhor filme da temporada. Saí com a certeza. E não pensem que se esquecerão com facilidade da risada de Heath Ledger, para sempre Coringa. Descanse em paz.
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Direção: Christopher Nolan
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 144 min
Elenco: Christian Bale (Bruce Wayne), Heath Ledger (Coringa), Michael Caine (Alfred Pennyworth), Aaron Eckhart (Harvey Dent), Morgan Freeman (Lucius Fox), Gary Oldman (Jim Gordon), Maggie Gyllenhaal (Rachel Dawes).

Eu Sou a Lenda (I Am Legend, 2007)

fevereiro 23, 2009

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Por Roberto Camargo

Will Smith é o maior astro do mundo. Acompanho seu trabalho desde a série The Fresh Prince of Bel-Air, Um Maluco no Pedaço aqui no Brasil. Crescer junto com sua meteórica carreira foi um privilégio, uma vez que pude acompanhar grandes sucessos, como Independence Day, a série Bad Boys e Inimigo do Estado. Apesar de enfileirar ótimos títulos, Eu Sou a Lenda não está na lista das melhores películas do ator.

O enredo nos traz uma Nova York modificada, uma selva de asfalto, prédios e plantas. Esse retrato passa-se três anos após a descoberta da cura do câncer. A suposta cura acabou virando uma epidemia que matou a grande maioria da humanidade. Os poucos que sobreviveram sofreram algum tipo de mutação que faz com que tenham aversão ao sol, sintam gosto pela carne humana e ganhem mais força e agilidade. Ou seja, para nossa civilização ocidental, transformaram-se em vampiros (embora tenham aparência de zumbis).
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Robert Neville (Will Smith) é imune a esse vírus e incorpora o papel do último homem na face da terra. No meio da história podemos ver flashes sobre sua vida logo antes do surto. Instantes antes de isolarem a cidade. Pouco antes de se separar de sua família, para nunca mais vê-los.
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A refilmagem do clássico dirigida por Francis Lawrence tropeça em sua proposta de mostrar a solidão do protagonista, transformando essa solidão em um marasmo para o espectador. Não posso tirar seus méritos por mostrar precisamente a loucura de um solitário ou a inércia de um mundo sem pessoas para interagirem, mas um filme inteiro no formato de monólogo não é o que se pode chamar de atraente. Exceção para a interpretação de Smith, que consegue, só em cena, arrancar risos ou causar drama a quem o está assistindo.

Destaque também para a “interpretação” da fiel escudeira de Neville, a cadela Sam. Uma curiosidade para nós brasileiros é a participação da atriz verde e amarela Alice Braga (Cidade de Deus, Cidade Baixa). O que ela faz ou deixa de fazer, quem é ou o que é, isso não me convém contar. Fica aqui o convite para você assistir.
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Mas se quiser entretenimento bom de verdade, recomendo-lhes Hancock, que sairá agora em julho e conta também com todo o talento de Will, além do roteiro de super-herói mais original de todos os tempos.
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Direção: Francis Lawrence
Gênero: Suspense
Duração: 101 minutos
Elenco: Will Smith, Alice Braga, Thomas J.Pilutik, Salli Richardson e Charlie Tahan.

O Melhor Amigo da Noiva (Made of Honor, 2008)

fevereiro 23, 2009
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Por Roberto Camargo
O que você faria se um moleque fantasiado de Bill Clinton invadisse seu quarto, deitasse na sua cama e te chamasse de Monica? Você se tornaria o melhor amigo dele! Esse é o início da ótima comédia romântica O Melhor Amigo da Noiva.
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A história continua 10 anos depois do inusitado primeiro encontro descrito acima. Tom (Patrick Dempsey) é um desses solteirões convictos que criam até regras como não repetir a mesma mulher por duas noites seguidas. Hannah (Michelle Monaghan) é sua melhor amiga, moça linda, engraçada e companheira – que leva a palavra relacionamento muito mais a sério que Tom.
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Os dois levam uma vida perfeita juntos. Saem sempre que têm algum tempo livre, dividem e adivinham a sobremesa um do outro e são confidentes. Talvez essa seja a concepção de vida perfeita para Tom, uma vez que tem cérebro com a amiga e peitos com as outras que coleciona por noite. Não é ideal para Hannah, que pensa em se casar por estar na beira dos 30.
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O quadro muda quando ela viaja por seis semanas para a Escócia fica órfão de sua melhor amiga. O protagonista começa a perceber o quanto foi cego durante os últimos 10 anos e descobre que está, ou melhor, é apaixonado pela moça. A comédia nasce aqui. Quando volta, a amiga traz na bagagem um exemplar da nobreza escocesa. E um anel de noivado. As notícias ruins não param de chegar, culminando na de que o casamento do recém-formado casal está marcado para poucas semanas. Mas ainda havia tempo para a pior notícia de todas. Tom ainda seria convidado para ser a “primeira madrinha” de Hannah…  A partir daí, o plano do bonitão foi tentar convencê-la de que um foi feito para o outro como madrinha, já que não sairia do lado dela desempenhando essa função.
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Há boas piadas espalhadas pelo filme, como a humilhação masculina sofrida por Dempsey no vestiário pelo concorrente ou os esbarrões no garçom ou a prova de lingerie de Monaghan. Nota também para a direção de Paul Weiland e participação especial de Sydney Pollack, como o pai de Tom. O Melhor Amigo da Noiva desponta como uma das melhores comédias românticas do ano.
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Sua fórmula é manjada, mas o ritmo da narrativa faz com que você acabe torcendo pelo sucesso de Dempsey. Embora você saiba o final desde a primeira cena, vale a pena apostar nesse conto de fadas moderno, que nos mostra que o amor ainda existe e que pode estar bem ao seu lado.
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Direção: Paul Weiland
Gênero: Comédia
Duração: 101 minutos
Elenco: Busy Philipps, Michelle Monaghan, Patrick Dempsey, Kevin McKidd, Kelly Carlson, Sydney Pollack, Kathleen Quinlan e Beau Garrett.

1408 (1408, 2007)

fevereiro 23, 2009

1408

Por Roberto Camargo

O conceito para filmes de terror se perdeu em algum lugar do tempo entre Drácula e um dos milhares de garotos que já reencarnaram o coisa ruim. O espectador que é fã desse gênero conta com poucas opções para apreciar um bom filme, ou tomar um grande susto. De um lado da balança temos ótimas películas, como O Exorcismo de Emily Rose e Sweeney Tood. Do outro, refilmagens saturadas de antigos longas ou de clássicos nipônicos.

1408 não me pareceu candidato a entrar na seleta lista dos melhores terrores do ano. O que me incentivou a assisti-lo foi um único nome: John Cusack. O ator consagrado é sinônimo de boas atuações e garante sempre um bom entretenimento. Além disso, o elenco conta com a presença de outro medalhão de Hollywood, Samuel L. Jackson, que participa num papel secundário.

O roteiro, em linhas gerais, mostra o trabalho do autor de livros sobrenaturais Mike Enslin (Cusack). Seus livros desmistificam lugares que são tidos como assombrados. Em uma de suas investidas rumo ao desconhecido, acaba recebendo um bilhete que dizia para não entrar no quarto 1408 do Dolphin Hotel, em Nova York. Ou seja, um convite tentador para visitar a terra do Central Park, do antigo World Trade Center e dos Friends.

Quando chegou ao hotel, foi levado ao gerente (Jackson) que tenta convencê-lo de todas as maneiras que não é uma boa idéia pernoitar naquele quarto. De nada adiantou a insistência, uma vez que o destemido escritor não mudaria de opinião, não perderia sua história.

A partir daí, o filme se passa inteiro dentro do quarto. Dentro da proposta que o diretor Mikael Hafström abraçou, o filme pode ganhar uma crítica positiva. Câmeras fechadas tornam a perspectiva claustrofóbica, o som da respiração do protagonista causa sensação de sufoco. Mas o produto como um todo não funciona. Segundo uma amiga minha, “1408 é um filme feito com o único intuito de nos assustar”.

Sem dúvida o é. Mas nem  mesmo a proposta de nos assustar funciona tão bem. A adaptação do romance do mestre do terror, Stephen King, não rende uma boa película. Assista se quiser um terror mais psicológico. Ou se já estiver cansado de torturas em quartos escuros e ligações que te matam em uma semana.

Direção: Mikael Hafström
Gênero: Terror
Duração: 104 minutos
Elenco: John Cusack, Samuel L. Jackson, Mary McCormack, Jasmine Jessica Anthony e Christopher Carey.

Três Vezes Amor (Definitely, Maybe, 2008)

fevereiro 23, 2009

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Por Roberto Camargo

Juro de pés juntos que a minha intenção inicial era ir ao cinema num feriado de 1º de maio unicamente para assistir ao blockbuster Homem de Ferro. Mas por pura falta de sensatez fui às cegas sem comprar antecipadamente minha entrada, sabendo que a sala estaria lotada por ser quase uma estréia num feriado chuvoso. Dito e feito, lá estava eu na frente do guichê entre os dois filmes que ainda não tinham se esgotado as entradas: um romance e algo com o Colin Farrel. Bem, admito que sinto uma pequena atração por comédias românticas, talvez por representarem exatamente aquilo que não acontece na vida real. Por terem, quase sempre, um final feliz. Utopias desenfreadas à parte, minha escolha foi Três Vezes Amor, com direção e roteiro de Adam Brooks, roteirista do segundo Bridget Jones.

A história começa com o enunciado que cerca de 50% dos casamentos americanos terminam em divórcio. Will Hayes (Ryan Reynolds, ator canadense que você deve se lembrar da refilmagem de Horror em Amityville) está dentro dessa porcentagem. O jovem se encontra em processo de divórcio e tem uma filha, Maya (Abigail Breslin, a talentosa menina indicada ao Oscar de atriz coadjuvante por Pequena Miss Sunshine), de aproximadamente 10 anos.

Após uma aula de educação sexual, a menina começa a questionar o pai sobre sua história de amor com a mãe, além de gritar por onde passa a palavra pênis… Ademais, o protagonista resolve contar a história, mudando os nomes de todas as mulheres que apareceriam no conto. No caso, as três principais mulheres que passaram por sua vida. O desafio foi lançado à menina: descobrir qual dessas seria sua mãe. E o roteiro foi desenhado.

Não é um primor de criatividade. Mas os pequenos elementos fazem dessa película uma boa pedida, principalmente para os jovens casais que ainda vivem uma relação baseada em saliva e açúcar. Abigail tem certa química com Reynolds. Aliás, esse papel parece ter sido feito para o ator, que já passou da casa dos 30. Destaque também para o trio de moças que disputam o coração do herói.

Elizabeth Banks (fez Um Virgem de 40 anos, é a mulher da cena antológica do xaveco repetido) interpreta Emily, amor de faculdade de Will. Isla Fisher (a irmã louca de Rachel McAdams em Penetras Bons de Bico) faz April, uma jovem que trabalha numa copiadora na campanha do presidente Clinton. A mais consagrada das três, e que dispensa apresentações, é Rachel Weisz que encarna Summer, jornalista amiga de Emily.

O enredo tem suas reviravoltas, mas o clímax, que seria a descoberta de quem seria a mãe, perde em intensidade para o desfecho. Muitos dos espectadores podem sair chateados da poltrona do cinema. Talvez seja filme para ser alugado em casa. Ou não. Basta que você vá preparado para assistir a Três Vezes Amor, não Homem de Ferro.

Direção: Adam Brooks
Gênero: Comédia Romântica
Duração: 111 minutos
Elenco: Ryan Reynolds, Isla Fisher, Elizabeth Banks, Rachel Weisz, Abigail Breslin, Kevin Kline, Kevin Corrigan, Derek Luke, Alexie Gilmore e Annie Parisse.