A Chave de Sarah (Elle s’appelait Sarah, 2010)

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Por Alessandra Marcondes

Filmes de guerra sempre são fortes, pesados, dramáticos. Não tem como assistir de maneira indiferente. A Chave de Sarah é mais um longa (adaptado do bestseller homônimo de Tatiana De Rosnay) que retoma a barbárie com que foram tratados os judeus na Segunda Guerra, desta vez sob um pano de fundo – quase – novo: o filme parte do episódio acontecido na França em julho de 1942, quando 13 milhões de judeus foram presos em Paris no Velódromo de Inverno – espécie de estádio onde deveriam acontecer apenas competições de ciclismo, hóquei e outros esportes – em condições sub-humanas. Ao contrário do ocorrido em outros países, onde a própria SS alemã se encarregava de caçar os judeus e os mandar para os campos de concentração, em Paris foi a própria Polícia Francesa a responsável por isso. Assim, o episódio até hoje é mal encarado pelos franceses, que não gostam de lembrar e muito menos mencionar esta mancha na história de sua nação.

Partindo daí, o filme já merece ter reconhecido seu mérito. É um longa francês sobre um episódio que todo francês gostaria de esquecer. Além disso, temos uma trama envolvente e emocionante sobre a história de Sarah Starzynski (a brilhante Mélusine Mayance), uma menininha que foi levada para o Velódromo junto com seus pais e, depois, para um campo de concentração nazista. O nome do filme é este porque quando a polícia francesa chega na casa de Sarah, esta tranca o irmão no armário para que os oficiais não o levem também. A partir daí, carrega sua pequena chave por todos os cantos, tendo em mente o único objetivo de voltar para casa para libertar o irmão.

Na outra ponta, temos a história de Julia (Kristin Scott Thomas), ambientada anos depois, em 2002. Ela é jornalista e foi incumbida pelo seu editor de escrever sobre o episódio do Velódromo de Inverno, que faria aniversário de 60 anos naquele ano. Já bastante dedicada à reportagem, sua investigação vira quase uma obsessão quando ela descobre que seu marido vai herdar um apartamento onde a família Starzynski viveu antes de ser deportada. A partir daí, a história de Sarah vai sendo desvendada e os dramas pessoais da jornalista caminham junto, virando quase que uma história só. A trama é envolvente e, mesmo cheia de vai e vem entre as cenas de Sarah e Julia, consegue manter o espectador grudado na cadeira, aguardando ansiosamente o rumo que aquilo tudo vai tomar.

A Chave de Sarah tem uma história bem triste, do início ao fim. Apesar de a menina ter a ‘sorte’ de encontrar um oficial alemão solidário que abre caminho para que ela fuja do campo de concentração e, logo depois, cruzar com um casal que, também de bom coração, acolhe 2 crianças judias em plena Segunda Guerra, mesmo sabendo dos apuros que aquilo podia lhes causar, a saga da menina ainda é triste, dramática, e representa toda a dor, o sofrimento e as feridas que uma guerra deixa abertas mesmo depois de anos. Julia investiga a trajetória de Sarah até o fim da Guerra, quando esta é adulta e tenta recompor sua vida. Mas, como esperar o final feliz de uma pessoa que (spoilers!) viu seus pais serem exterminados pela Guerra e, (spoilerzão!!) foi a única responsável pela morte do irmão, que foi uma das mais horríveis imagináveis, morrendo sozinho, com fome e sede, e decomposto dentro de um armário? Esta, para mim, foi a parte mais FODA do filme, que incomoda a gente, que dói, e que não dá pra esquecer. Fiquei mal mesmo com isso, angustiada, e neste momento vi o quanto eu estava envolvida com a personagem. E é por isso que o filme é muito bom e vale a pena.

Na minha opinião,o único pecado da trama foi fazer um esforço tremendo para que Julia tivesse um final feliz, tornando-o um tanto forçado. O casinho de amor comprado do final tenta amenizar todo o sofrimento pelo qual passou Sarah, como se o final feliz de Julia de certa forma até justificasse tudo o que aconteceu. Para mim, ameniza a gravidade da Guerra, que nunca deveria ser amenizada. Mas de qualquer maneira, o conjunto do filme é bom, bem feito e emocionante.

Feeling: filme de Guerra, vá preparado para sentir o sofrimento da humanidade. Um dramão muito bem feito, envolvente e com uma perspectiva original, vale a pena para quem gosta do gênero.

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2 Respostas to “A Chave de Sarah (Elle s’appelait Sarah, 2010)”

  1. Bruno Pongas Says:

    Putz, tinha me esquecido do casinho de amor no final! Bem… depois de tanta tristeza, pelo menos alguma coisa pra te deixar feliz antes de ir embora pra casa.

  2. Sab. Says:

    Ela não “fica” com o filho de Sarah, se é o que pensam. E só pra corrigir: O guarda, Jacques, era um guarda francês que vigiava a rua de Sarah, porisso ela o conhece.
    Eu li o livro, e recomendo mais que o filme. É mais emocionante e triste, com mais detalhes.

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