Esses amores (Ces amours-là, 2010)

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Um, dois, três, quatro, cinco amores. Muitos amores, muitos personagens, muito pouca habilidade em definir um foco.

Por Alessandra Marcondes

Esses Amores é um filme de Claude Lelouch, um diretor que eu particularmente não conheço, mas ouvi falar por aí – ou melhor, li no blog da própria distribuidora do filme, cof cof – que adora misturar vários gêneros em seus filmes. Fato importante, explica muito sobre este filme, e sobre o que vou falar por aqui. Como não conheço a obra de Lelouch, me restrinjo a falar do filme pelo que ele é. E já adianto que o resultado é ruim.

Em cena temos Ilva (Audrey Dana), uma jovem de belos cabelos ruivos que se apaixona facilmente. Vivendo em uma França em plena Segunda Guerra Mundial, consegue se apaixonar por um oficial nazista que quase matou seu pai (!) e, depois, por dois soldados norte-americanos ao mesmo tempo. Fora eles, temos o seu pai, um projetista de cinema interpretado por Dominique Pinon; seu namoradinho francês que se torna rapidamente ex; o advogado que a defende desde o início do filme no tribunal por um crime que só desvendaremos ao final; a judia por quem tal advogado se apaixona no campo de concentração alemão; um casal de músicos que vive cantarolando pelo caminho da moça, não se sabe ao certo por quê. Ufa! O filme tenta dar conta do background de CADA personagem, sem nos poupar ainda de detalhes sobre o contexto histórico, passando lentamente por cenas de guerra e acontecimentos ligados a elas. Ah, misture à receita um monte de referências metalinguísticas ao cinema, e pronto! Temos um filme longo, confuso, e indefinido.

A ‘confusão’ dos fatos não é de todo ruim: faz você se esforçar para amarrar cada ponto da história, mas não deixa nenhum deles soltos – pelo menos eu não percebi. Mas várias cenas poderiam ser facilmente cortadas da história, totalmente desnecessárias, servindo só pra cansar a gente na cadeira. Faltou foco. Faltou norte. Me peguei pensando no que eu iria jantar depois da sessão em alguns momentos.

Isso se deve – e muito – à mistureba de estilos. O filme não sabe se é drama, se é comédia, se é romance ou musical. Não liga. Não dá tempo de sofrer pela brutalidade da guerra, pois logo depois somos levados ao meio de uma roda de dança frenética e feliz entre quem estava sofrendo há minutos atrás. Nem dá para nos apegarmos a uma história de amor ali, já que nossa protagonista cada hora está com alguém e – convenhamos – não parece sofrer nem se importar muito com nenhum deles, pelo menos com este aceleramento dos fatos. E também não é uma ou duas cenas que parecem ter saído de um musical da Broadway que vão tornar o filme uma comédia cheia de purpurina.
Então, lhe pergunto: o que raios é Esses Amores?

No mesmo blog que citei lá em cima, li que a intenção do longa era ser uma ‘síntese’ da carreira do diretor, uma homenagem ao cinema, etc e tal. Pois bem: do mesmo jeito que fiquei magoada com Lars Von Trier, pois ele não tinha o direito de fazer eu engolir guela abaixo o controverso “Anticristo” só porque andava depressivo, acho que esta maçaroca de acontecimentos e gêneros só faz sentido e é legal para o seu criador – e no máximo para a mãe dele, vai saber.

Entre umas 600 cenas, têm umas dez que valem a pena. A atuação de Audrey Dana até que salva, coitada. Mas achei todo o resto bobinho. A menina mal se revolta quando descobre (spoilers!) que os próprios amigos da família mataram seu pai. WTF?! E os clichês? Se apaixonar por um negro e um branco ao mesmo tempo, transformar o negro em bonzinho e o branco em mau e levá-los para a boate “Black & White”. E todos os ‘maus’ se dando mal (o nazista, o boyzinho) e os bonzinhos se dando bem (o advogado, o ex-namoradinho), e a ceninha forçada da música de ‘amor’ improvisada do final… Não acreditei em nada daquilo, não mexeu com meus sentimentos, não serviu pra muita coisa. Tipo comédia romântica de Hollywood, sabe? Um filme fácil, com final fácil, e também fácil de esquecer.

Feeling: vá sem esperar grande coisa. A história é ok, mas bobinha, e tem que ter saco pros vários vai-e-vem entre personagens e tempos diferentes. Vá se não tiver nada melhor passando, ou se as outras salas estiverem esgotadas – que foi o meu caso.

PS: fui na pré-estréia, o filme só entra oficialmente em cartaz no dia 26 de agosto.

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32 Respostas to “Esses amores (Ces amours-là, 2010)”

  1. Bruno Pongas Says:

    Eu gostei, mas concordo que o filme é confuso e nao se define. Pra mim a cena do general nazista tocando o hino da França ainda vale o filme. No mais, concordo com você em gênero, número e grau.

  2. Carla Furlan Says:

    Fico feliz que vcs tenham voltado a escrever. Sobre esse filme, até pensei em assistir, mas pelo jeito não vale a pena, né?

    • Leka Marcondes Says:

      Que bom que gostou, Carla! Combinamos de voltar a todo vapor, continue acompanhando ;)
      E olha, é bem o que eu falei: Vá se não tiver nada melhor. E olha que existem situações em que não tem nada melhor passando. Porque não é o pior filme que já vi na vida, então dá pra passar o tempo. Mas é bem longo, então tem que estar com saco.

  3. Anônimo Says:

    Gostei do filme.
    Não achei nada confuso.Talvez não tenham entendido porque não sabem História e porque não têm noção do que ocorreu, são novos e mal informados.
    Pra quem não conhece Claude Lelouch, tem que se informar melhor sobre diretores de cinema.

    • Bruno Pongas Says:

      Deixa eu ver se entendi: você está chamando a autora do texto de mal informada só porque ela não gostou do filme? É isso? Bem, acho que voltamos à época da ditadura…

    • Leka Marcondes Says:

      Olá, pessoa que resolveu me chamar de mal informada sem se identificar! Como disse no próprio texto, NÃO, eu não conheço Claude Lelouch. Isso não quer dizer que eu não ‘sei nada de história e não sei do que ocorreu’. Existem vários filmes que retratam brilhantemente os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, e acredito que não é necessário ter vivido a guerra na pele pra saber que Esses Amores não é um deles. Mas que bom que você gostou do filme! Pelo menos não saiu do cinema com a impressão de ter perdido 3 anos da juventude, como eu. Vai ver já perdeu, visto que me critica como se ‘ser jovem’ fosse um defeito, e como se você fosse muito sábio em seus 80 anos de idade. Mas já ouviu dizer que nossas impressões sobre um mesmo filme pode mudar conforme nossas primaveras?

      Se quiser discutir saudavelmente e fundamentar sua opinião sem ofensas, fique à vontade. Foi o que eu tentei fazer no texto – ou seria você Lelouch em pessoa para ficar tão magoado?

      Ah, tenho 22 anos e me chamo Alessandra, muito prazer. Sou nova sim, e tenho a vida inteira pela frente para dar minhas impressões sobre filmes na internet – maldita inclusão digital, não? – e aprender sobre cinema. E você, quem é?

  4. Suzane Lima Says:

    Não conheço o diretor e isso não é preciso pra saber se um filme é bom ou não. Este filme é ótimo. Não é mastigadinho pra quem tem preguiça de histórias. Aliás, não sei como quem tem preguiças de histórias vai ao cinema. E também não chega nem perto de ser confuso. As explicações vêm nas cenas seguintes, não sei que ansiedade é essa por uma história linear e quadradinha. É olhá-lo muito superficialmente ( muito mesmo!) para considerá-lo clichê. Tenho 21 anos, sou nova também e isso não tem nada a ver com achar o filme bom ou ruim. Um filme não precisa se enquadrar em um gênero pra ser bom. Ele é bom ou não é, e pronto. E esse, me desculpe, é muito muito muito bom. Me desculpe, de novo, mas tenho a impressão de que quem escreveu isso não é um crítico, mas alguém que quer ser um, dar uma opinião, sem saber realmente analisar as coisas de forma realmente inteligente, pelo menos essa é a impressão que essa crítica passa (não irei ler o blog inteiro pra confirmar ou não a impressão). Um pouco de leitura pode ajudar. (Me desculpe se sou crítica com a crítica, mas é que o filme é realmente muito bom e não poderia deixar batido um crítica tão ruim como primeiro resultado no google)..

    • Leka Marcondes Says:

      Oi, Suzane! Pra você ver, a indexação do Google às vezes é incapaz de acertar os seus gostos, mas esta culpa eu não tenho!
      Não sou crítica de cinema afamada não, nessa você acertou. Mas quem disse que eu tenho preguiça de histórias? Precisa me conhecer melhor, vamos marcar um café qualquer dia desses.
      Você reclama da minha superficialidade, mas a verdade é que o meu maior problema com o filme é ele ser superficial. Pode ser ‘muito muito muito bom’ pra você (não sei quais critérios utiliza para considerá-lo assim porque você não explicou, mas tudo bem, respeito) só que pra mim ele peca em coisas que estão intimamente ligadas: não tem foco, por isso tenta abraçar o mundo, e como consequência não aprofunda na história. Eu gosto de me transportar para a tela, me sentir na pele do personagem, me apaixonar, ou sofrer, ou dar gargalhadas junto com ele. {E cê vê só, você dizendo que eu tenho preguiça de histórias!}
      Só sei que esse comprometimento com o filme não conseguiram de mim, pq pra mim não basta uma meia dúzia de referências aqui e um carnaval de sentimentos dali pra eu considerar um filme bom.
      Mas que importância isso tem? É só a opinião de alguém que tem horror aos cri-críticos de cinema. De qualquer forma, obrigada por dar tanta importância a ela!!

    • jorge Says:

      É Suzane, o grande mal que o cinema de hollywood fez foi entregar tudo mastigadinho, TV style, exigindo pouco ou quase nada das legiões de Homers…

      Lembro de um casal assistindo Pulp Fiction e uma certa hora a menina levanta e diz pro namorado: “Amor, vamos embora, esse filme é muito confuso, uma bosta. O John Travolta já tinha morrido e agora apareceu de novo??” kkkkkkkkkkkk

      Fico imaginando esse pessoal assistindo Hiroshima, Mon Amour ou Ano Passado em Marienbad… :)

  5. Suzane Lima Says:

    Não é a sua superficialidade. É a superficialidade de sua opinião, pelo menos nesse caso. Já fui acusada disso também, por exemplo, quando vi Onde os fracos não tem vez e não vi nada demais naquilo. Ainda bem que vc tem uma opinião diferente da minha e nós duas podemos expressá-las e debatê-las. Mas às vezes a gente acaba pecando por usar alguns filmes e atribuir-lhes nossas pré-críticas. De que é insubstancial, de que é vulgar, de que é hollywoodiano….
    Nossas críticas estão virando lugares comuns. Tudo o que vc falou pode ser usado (e já foi) para definir vários filmes. Pense nisso, será que tudo isso veio de sua mente, ou você já viu críticas exatamente iguais sobre outros filmes?
    Eu não posso afirmar algo mais além de que o filme é ótimo. Soaria forçado. O que sei é que gostei do filme. É uma questão de identificação. Se vc se identifica na história do filme e dos personagens, com certeza vc vai entender o que está sendo mostrado ali… O filme transborda sentimentos. E é focado sim, tenho que discordar contigo de novo. Um tribunal em que se conta a história de como aquela pessoa foi parar ali, esse é foco. E se não for, que não seja. Não precisa ter foco pra ser bom (apesar de que é bem mais difícil de ser bom). Há vários filmes com essas características que você citou que são ruins. Mas não é por isso que todos que tenham essas características também vão ser ruins. Nem tudo é conto de fadas (com início, meio e fim). É um emaranhado de sentimentos e histórias sim, mas não contado com toda essa irresponsabilidade que você está falando.
    Vc, por outro lado, pode estar pensando que, por ser um filme não-comercial (eu acho, sei lá…), as pessoas saem por aí dizendo que é bom… sem reflexão… Isso acontece demais mesmo! Mas temos que nos desvencilhar dos estereótipos se queremos ser sensatas ao falar de alguma coisa. É como falam, não é só ser crítico, é ter senso-crítico (sensatez ao criticar).
    Vc mesma falou: “Eu gosto de me transportar para a tela, me sentir na pele do personagem, me apaixonar, ou sofrer, ou dar gargalhadas junto com ele.”.
    Se a pessoa não entender o personagem, acabou-se todo o resto.
    Como diria Fernando Pessoa: “Não me apregoem sistemas completos…” (http://www.lithis.net/44). Talvez seja isso o que vc esteja fazendo, uma crítica previsível para o filme errado.
    P S: Não quero ofendê-la, mas faz parte da profissão do crítico ser criticado também. Ah… E não saia por aí chamando as pessoas pra tomarem café, elas podem ser psicopatas… hehehe. De qualquer forma tô no Rio de Janeiro de bobeira, qualquer coisa é só falar. :D

    • Leka Marcondes Says:

      hahahahaha Ok, parei de chamar desconhecidos para tomar um café. Sou de SP, então quem sabe um dia? ;)
      Concordo com muita coisa do que você disse aqui, sobre os críticos terem uma visão esteriotipada e cheia de lugares comuns, sobre endeusarem filme europeu, sobre uma porção de coisas. Sim, eu sofro para sair da caixa ao escrever não só sobre cinema, mas sobre tudo na vida – e quem não sofre?
      Achar um filme bom ou ruim pode depender muito do momento que a gente vive, do dia em que a gente assiste, e da forma como a gente encara o mundo. É impossível opinar sobre qualquer coisa que seja da vida sem um referencial, sem inúmeros pré-conceitos.
      Não me identifiquei com a personagem pois não sei de ninguém no mundo todo que aceitaria com tamanha tranquilidade o fato de dois amigos da família terem matado o próprio pai (exemplo). E mesmo eu sendo uma daquelas que acredita que a gente pode se apaixonar por mais de uma pessoa ao mesmo tempo, ou uma logo em seguida da outra, não consegui acreditar na sinceridade dos sentimentos de Ilva – por causa dos cortes e do ritmo que o filme impõe, e não pela atuação, que achei de fato boa. Não estou reclamando do vai-e-vem não, na verdade eu acho ótimas narrativas não-lineares. Mas não consigo concordar que o diretor conseguiu usar desta artimanha de uma forma bem sucedida.
      Concordo mais com o Panda aqui embaixo do que com você. Mas sim, acho válida sua opinião e acho ótimo podermos discutir sobretudo de maneira respeitosa.
      Obrigada por comentar, e volte sempre :)

  6. Panda Amadei Says:

    O Filme é um emaranhado de histórias e personagens que tem um ponto em comum, o amor.

    Só que, existem algumas ressalvas. O jeito pela qual a personagem se apaixona pelos personagens é absurdo, beirando o ridículo. Se ela é tão emotiva e tem as emoções a flor da pele assim, porque ela não fez nada ao saber que o pai é assassinado?!

    O esteriótipo de “menino-branco-rico-mimado-péssimo-perdedor” entrando em conflito com o “menino-negro-pobre-e-com-bom-coração”, é tão maniqueísta e clichê quanto algumas fábulas da Disney, pior ainda é a redenção que o filme arruma para o personagem, um suicídio camuflado em um homicídio motivado por uma culpa que o atormenta no sub consciente.

    Isso tudo me gera uma dúvida, já que o filme usa temas tão reais e dramáticos como campos de concentração e o anti-semitismo, porque ele tangencia a inverossimilhança como quando o oficial alemão toca La Marseillaise ou o “musical” durante enquanto ela aguarda o veredito do juri? chega a ser BISONHO!

    Sem falar na incrível habilidade do filme em encompridar minha vida, dando a sensação que o tempo naquela sala de cinema escorria de maneira diferente, transformando pouco mais de 2 horas em 5.

    A verdade é que no final eu fiquei confuso, o filme é uma fabula romântica nos tempos de guerra?! É uma comédia/drama sobre alguém que não controla as emoções?! Ou é aquela famosa história de “Tudo acaba bem no fim” porque a filha dela se apaixona possivelmente pelo filho do advogado que ela dispensa no começo do filme e tanto falava sobre amá-lo em uma próxima vida?!

    A personagem principal é vítima da sua própria efemeridade amorosa, tornando-a um mero liga pontos na história. Personagem rasa demais.

  7. Bruno Pongas Says:

    Muito polêmico esse post! hahaha

  8. Amanda Says:

    Nossa! Quanta parvoíce! Não é porque vcs não entendem o filme ou saem de lá confusos que ele não presta. É sinal de que a cabeça de vcs que não é das melhores! Me deu até dor de estômago o detalhamento da má (ou falta de) interpretação de vcs. Parecem fofoqueiras falando da vida dos vizinhos. Blergh!

    • Leka Marcondes Says:

      Quem aqui disse que não entendeu o filme? Até elogiei a ‘confusão’ de fatos, porque ficam bem amarrados.
      E Amanda querida, se você acha que a cabeça dos outros tem problema só porque estes ‘outros’ não são da mesma opinião que você… sinto-lhe informar, vai encontrar muita gente ‘problemática’ no mundo.

  9. Maíra Says:

    É por conta dessas coisas que eu não tenho um blog… hahahaahahahaha! Vc não pode dizer sua opinião, se for contrária de alguém… não é pq a opinião é diferente. É pq vc é um idiota! Ou fofoqueiro, ou burguês… bla bla bla! Leka, vou ver esse filme fds… se eu gostar venho aqui descer o pau em vc, ok?! Beijoquinhas! :*

  10. roberto santos de carvalho Says:

    Antes de ir assistir este filme eu li quase todas as criticas, que, na mesma linha desta aqui ( a mais bem amarrada delas ) já avisavam dos inconvenientes deste filme.

    Neste caso, embora eu sempre soubesse a diferença do que é um filme do Lelouch, cheio de firulas e grandiloquências, e outro do Trufaut (este sim meu diretor predileto) já dono de muitas sutilezas, confesso que na minha cabeça sempre faço uma confusão de nomes entre eles.

    O que neste caso foi bom para mim, pois assim me dei mais uma chance de ver o enjoativo Lelouch ( portanto corretíssimo o feeling da autora: não espere nada deste filme), ainda que preparado para sair logo do cinema se a xaropada emplacasse logo de cara.

    Filme, portanto, para se assistir às quintas feiras, no Espaço Unibanco Augusta, quando o ingresso é quase metade do preço, e desde que nas salas ao lado não se tenha nenhuma opção melhor.

    Portanto, de capa, galocha e guarda chuva, embarquei em “Ces amours-là”, para logo na apresentação do filme ler a observação do autor ” história e personagens não são mera coincidência “.

    Equivaleria isso a dizer ” história baseada em fatos reais “, o que sempre nos faz ver o filme de um jeito diferente?

    Ou seria essa mais uma esperteza deste diretor, costumeiramente cheio de artifícios, para nos induzir a pensar que existiu mesmo aquela personagem mirabolante, daquele jeito mesmo que vemos no filme, quando na verdade é truque de montagem biográfica?

    Porque veja bem: com as “espertices” do desconstrutivismo (invenção francesa ) você pode inventar um personagem – que concentra fatos da vida real de diferentes pessoas – numa guerra verdadeira – e aí você diz que a história é baseada em fatos reais.

    Bem, esse Lelouch sempre esteve e continua na minha lista de diretores, em quarentena, e agora com mais desconfianças ainda, pensando no quanto ele poderia ser manipulador.

    Por isso continuarei a assiti-lo só às quintas feiras, com ingresso barato, embora no caso de ” Esses Amores ” recomendo que lhe dêem todos os descontos, pois feito isso sobra a oportunidade de se deliciar com grandes momentos deste filme pretensioso mas charmoso e envolto em tramas que não deixam de ser bem interessantes, apesar de muitas vezes forçadas.

    Neste caso o desconto é válido porque nada mais charmosa que uma situação de guerra onde nazistas ocupam Paris. Quando já valerá o ingresso poder conhecer aquela mistura de gaita com mini acordeon, que o nazista toca, ainda que seja aburda a cena onde ele toca a Marselhesa ao lado da nazistada toda.

    Mas faça de conta que faz sentido e curta a quimica entre o nazista e a francesa. Mesmo a trama envolvendo o pai, a filha e a resitência francesa, é muito boa, e faz todo sentido.

    Não fosse a ” linguiçaria ” Lelouch produtora de tantas variedades de encheção de linguiças cinematrográficas – o que torna o filme longo e rocambolesco demais – ainda assim ele é quase perfeito para romanticamente se assistir a dois. Culpa disso é a trilha sonora e a cena onde o advogado toca piston e piano ao mesmo tempo, mais o duets ao piano que faz com a polêmica personagem; musiquinha que depois peguei no You Tube e agora não me larga mais:
    http://7na6.multiply.com/video/item/761/761

    No mais adorei vir aqui e acompanhar toda essa discussão, tão instigante, mas categorizada, , o que nos faz ter a sensação do frescor de estar numa mesa de bar, depois do cinema, com gente que é uma companhia e tanto. Voltarei sempre.
    Roberto Santos de Carvalho

    PS- só acho que em razão do site e autora aceitarem a opinião de anônimos, tendo o poder de recusar sua postagem, então não faz sentido reclamar se a postagem foi aceita, quanto mais a critica tenha sido feita de forma aceitável, como a que vai ai acima.

    • Leka Marcondes Says:

      Obrigado pelo comentário tão cheio de detalhes e da opinião, para mim, mais válida do que nunca! Tem razão quanto à questão dos anônimos, já demos um jeito nisso. É que às vezes tenho o mal de acreditar que, assim como eu, os outros vão curtir uma discussão madura e aberta, como se fosse em uma mesa de bar, sem se esconder por trás do anonimato.
      Volte sempre, Roberto! :)

  11. Loredana Says:

    Claude Lelouch, pra quem nao sabe, e um dos maiores diretores do cinema frances, um dos expoentes da Nouvelle Vague, e pra mim, tao bom quanto Truffaut ou Godart. Achei sua critica confusa e bobinha mas o filme nao, este nao tem nada de confuso ou superficial, ele e simplesmente MARAVILHOSO. Mas esta e a minha opiniao que obviamente difere totalmente da sua, em genero, numero e grau. Sera que tambem serei execrada por isso como o foram os demais que tambem ousaram discordar??? Em todo caso, nao estarei aqui para ver ( ou ler mais precisamente) porque estarei certamente aproveitando melhor o meu tempo, quem sabe vendo algum outro fabuloso filme de Lelouch…

    • Leka Marcondes Says:

      Engraçado, fiquei com a impressão de que a única pessoa que foi ‘execrada’ aqui fui eu, exatamente porque não tive a mesma opinião que vocês. Pra cê ver como as coisas mudam de acordo com cada ponto de vista…

  12. MARIO GOUVEIA JR Says:

    É; FALTA A LEKA SE COLOCAR DENTRO DE UMA GUERRA PARA VÊR , COMO TUDO É CONFUSO, AS SITUAÇÕES SE INVERTEM A CADA MOMENTO, DIFICIL ACOMPANHAR COM UM
    RACIONAL AINDA NÃO AMADURECIDO.SOBREVIVENCIA E ANSIEDADE É O NOME DISSO.
    PARECE QUE A CRITICA É MAIS ORIENTADA PARA A PESSOA[
    QUE CRITICA DO QUE PARA O CLAUDE.JÁ QUE É ASSIM…
    A EXPERIENCIA E A INFORMAÇÃO MAIS PROFUNDA DO HUMANISMO E DA HISTORIA DO CINEMA ,COM CERTEZA
    MUDARA A OPINIÃO DE LEKA .

    • Leka Marcondes Says:

      Quem sabe, Mário. Sou uma sortuda por nunca ter vivido uma guerra na pele, mas acredito ter uma noção básica de como tudo é muito intenso e ‘confuso’ até certo ponto. Só acho que o filme poderia desenvolver melhor sua trama e seus personagens para promover a identificação do espectador com a história, que é o que o cinema faz de tão gostoso com a gente, e o que não aconteceu comigo em Esses Amores. Talvez tenha acontecido com você, mas com certeza não por questão de maturidade, e sim de momento, de orientação, de ponto de vista. Óbvio que a crítica é mais orientada para a pessoa que a escreve e não para o diretor, mas é o meu ponto de vista, e tenho todo direito de tê-lo, assim como respeito o seu direito de ter o seu.

  13. jorge Says:

    O filme é uma linda homenagem ao cinema, à obra de Lelouch, ao cinema francês, ao amor. Tem cenas brilhantes, como a do oficial alemão que toca La Marseillaise numa escaleta, a da corrida do século, o tiro do Jim no amigo Bob e do advogado-pianista tocando numa sala de concerto , acho que numa audição.

    O fato de você nunca ter visto um filme do Lelouch talvez explique seu desconforto com esse filme-síntese. Recomendo Um Homem, Uma Mulher ou Les Uns et Les Autres (Retratos da Vida), que também mistura fatos, lugares, épocas, personagens.

    E me surpreende também a sua interpretação de que os bonzinhos se dão bem, os mauzinhos se dal mal. O oficial alemão voltou pra Berlim, pra sua boate, o Bob boxeador morreu, mas tem o amor eterno de Ilva, e por aí vai. Um dos pontos altos do filme é justamente mostrar as pessoas como ela são, boas pra uns, más para outras. A Ilva namora um oficial alemão, que é ex-dono de boate, nao é um monstro. Sao pessoas comuns.

    Sabe aquela cena das mulheres tendo seu cabelo raspado após Paris ter sido libertada? Aquilo foi uma das coisas mais cruéis que se fez em nome da ‘justiça’ – são mulheres que de alguma forma se relacionaram ou colaboraram com os nazistas em Paris. Foram humilhadas em praça publica, seus cabelos raspados, algumas foram espancadas e até enforcadas. Tem um mini-documentario que rola por aí nos youtubes da vida que conta essa historia, triste de doer.

    Enfim, o grande barato do filme é justamente mostrar que ninguem é bidimensional, todos tem sua piracao, tem seus dias bons, e dias maus.

    Se eu fosse vc, revia o filme, de coração mais aberto.

    abs!

    • Leka Marcondes Says:

      Oi Jorge! Obrigada por passar por aqui, só te conhecia pelo twitter, rs.
      Acho que o filme tem cenas que se salvam, sim. Mas não gostei do conjunto não, e não porque eu seja do tipo homer que não entendeu Pulp Fiction ;)
      Obrigada pela indicação das outras obras de Lelouch. Vou procurá-las.
      Abraços!

  14. Marilia Franca Says:

    O melhor documentário sobre o pôs-guerra na França e “Le Chagrin et la Pitie” de Marcel Ophuls. Não sei se e sobre ele que o Jorge fala, mas recomendo muito.

  15. Tatyana Alves Says:

    Sim, mas cadê a trilha sonora mesmo??? Joguei no Google trilha sonora de Esses Amores e vim pará aqui! O M G!!!

  16. sander hahn Says:

    Alessandra.

    Não conhecer o diretor (Mais conhecido que feijão preto) do filme já parece demonstrar o pouco conhecimento que tens sobre cinema. Mas ao menos tens peito e desse a cara para bater. Parabéns por isso, o resto é ir a luta. Existem bons livros de cinema por ai. Quanto ao filme adorei, só a homenagem que Lelouch prestou ao cinema já vale o ingresso imagine o resto.

    Abraços

    Sander

  17. Vanessa Saldanha Says:

    O filme não é confuso e nem chato. É um lindo filme que prende demais a atenção e nos faz refletir sobre o recomeço, do qual todos deveríamos ter a chance de experimentar – sem medo. Só é preciso ter um pouco de sensibilidade e inteligência pra acompanhar o filme.

  18. Bob cane Says:

    Sabe de nada de cinema.. Paga pau de hollywood e não da valor ao cinema europeu que é a referencia de hollywood.
    Um filme lindo, uma trilha sonora linda que mescla as cenas como se a musica estivesse sendo feito ao vivo.
    Atores sensacionais, cenas lindas e a relação entre atores maravilhosa.

    Voce deve ser fã de novela pra fazer um comentário ridículo desse.

  19. Rosivaldo Colares Vidal Says:

    gostei do filme e, especialmente da música de introdução e uma outra a qual depois de cantada o executor da canção é morto por por um policial…. jóia…. Vai pra minha filmoteca !! Excelente piano; estou tentando absorver a melodia de algumas(5?)- motivo de eu estar, no presente momento postando este comentário- o objetivo é mais conseguir partitura , mesmo simplificada !!! infelizmente, nada!!!

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