Bravura Indômita (True Grit, 2010)

by

Por Bruno Pongas

Bravura Indômita é o que podemos chamar de “velho oeste moderno”. Os personagens, claro, seguem a linha durona, maltrapilha e mal humorada que caracteriza os filmes do gênero. Por trás disso, no entanto, há uma carga de sentimentalismo bem maior, diferente de obras clássicas, como Três Homens em Conflito, por exemplo.

É claro que Bravura Indômita contém todos os ingredientes do estilo faroeste, a começar pelos diálogos muito bem construídos e pelo humor refinado, passando pela bela fotografia e pela violência explícita, essência do gênero Western. A diferença aqui está na abordagem da obra, que pode até pecar no quesito originalidade, mas que ainda assim é bem interessante.

A história é focada na saga da jovem Mattie Ross (Hailee Steinfeld), garota de apenas 14 anos que viu seu pai ser assassinado pelo covarde Tom Chaney (Josh Brolin). Em busca de vingança, Ross contrata o destemido e cruel Rooster Cogburn (Jeff Bridges), uma espécie de caçador de recompensas da lei. É a partir desta premissa que a história se desenvolve.

Ross, apesar de jovem e aparentemente delicada, faz o estilo linha dura. Sem chegar aos pés do troglodita Cogburn, é verdade, mas sempre com a língua afiada e com respostas de deixar qualquer um de queixo caído. É claro que uma menina de 14 anos no papel principal de um filme de velho oeste dá outro tom à trama. Ross, mesmo sendo firme, tem seu lado “garotinha indefesa” bem explícito. Sua coragem é admirável, mas por trás dessa bravura toda há um ser humano bem frágil.

Cogburn, por outro lado, é um matador sem escrúpulos, temido por todos. Nem precisamos dizer que ele criará um laço paternal bem particular com a pequena Ross. E é exatamente aqui que o longa peca na originalidade. Isso, ao meu ver, passa longe de ser um defeito. É, ao contrário, interessante observar as mudanças de comportamento dos personagens, tratadas de forma sutil e bem humorada.

Falando em bom humor, Ethan e Joel Coen nos brindam com mais um trabalho recheado de qualidades. Como já citei acima, destaco em Bravura Indômita, sobretudo, os diálogos de primeira, inteligentes e permeados por um humor sutil, ligeiramente negro. A violência, mais contida que em No Country For Old Man, também se destaca e dá cor a um punhado de cenas. Vale ressaltar também a belíssima fotografia, que intercala o sol escaldante do deserto norte-americano com as nevascas do rigoroso inverno ianque.

Para finalizar, é impossível falar de Bravura Indômita sem citar o elenco inspiradíssimo. Jeff Bridges está novamente sensacional. Depois de ganhar a estatueta no último ano pelo papel em Crazy Heart, ele nos traz um Rooster Cogburn caricato, divertido e com um sotaque típico brilhante – coisa para poucos. Bridges deverá brigar novamente pelo Oscar, mas dessa vez o favorito é Colin Firth, de O Discurso do Rei. Quem também tem chances de levar o prêmio para casa é Hailee Steinfeld, que concorre ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Matt Damon, o Texas Ranger LaBoeuf, Josh Brolin, o malvado Tom Chaney, e Barry Pepper, o feioso Lucky Ned Pepper, também aparecem bem, mas foram deixados de lado pela Academia.

No final das contas, Bravura Indômita é um filmaço, mais um para a conta de Ethan e Joel Coen, que correm por fora na busca de seu segundo Oscar.

Anúncios

Tags: , ,

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: