Guerra ao Terror (The Hurt Locker, 2008)

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Por Bruno Pongas

O nome Guerra ao Terror sugere muitos tiros, pouco conteúdo e uma ideologia rasa. Num cenário hipotético, podemos imaginar os norte-americanos transbordando bondade, como sempre, e qualquer país do Oriente Médio sendo massacrado por nada.

Culpa disso, claro, é de quem traduziu The Hurt Locker para Guerra ao Terror. Em inglês, Hurt Locker significa um período de grande sofrimento e angústia, sentimentos esses retratados no filme com primor. Em português, no entanto, o título perde todo seu significado literal, o que é lamentável.

Erros à parte, Guerra ao Terror traz à tona um tema interessante, pouco explorado entre o gênero. Kathryn Bigelow, diretora, e Mark Boal, roteirista, nos colocam diante de duas personalidades distintas: JT Sanborn e William James. Ambos cumprem seus últimos dias na guerra norte-americana contra o Iraque. Enquanto Sanborn está enfadado e só pensa em voltar pra casa, James é o que podemos chamar de viciado. Sim, trata-se de um viciado em guerra.

Essa pequena história pode significar pouco para alguns, mas a meu ver levanta um debate bem interessante: até que ponto a guerra vicia? Quem está no Exército, sobretudo num país como os Estados Unidos, tem que estar preparado a qualquer momento. Isso requer a ruptura quase que total dos laços afetivos. Aos poucos, deixa-se de formar um ser humano para se criar uma máquina de guerra, pronta para matar sem piedade.

O maior interesse aqui passa a ser do Estado, cegamente viciado em poder. As guerras, além de poder, rendem dinheiro através da indústria bélica e alimentam o ódio do ser humano, sentimento que se torna o principal combustível das já citadas máquinas. Percebemos, assim, que se forma um ciclo quase que inquebrável.

Talvez seja esse o maior trunfo de Kathryn Bigelow, que conseguiu profundidade num tema que geralmente é mal explorado. Além do viés ideológico, Guerra ao Terror também se destaca em outros aspectos. Tecnicamente o filme é perfeito. A diretora consegue impor à trama um ritmo acelerado e extremamente tenso. É praticamente impossível perder o foco ou deixar de torcer pelos protagonistas.

Falando neles, Anthony Mackie e Jeremy Renner fazem um trabalho de primeira. Renner, o viciado Sargento William James, fez por merecer a lembrança da Academia na categoria “Melhor Ator”. Destaque também para o menos conhecido Brian Geraghty, que talvez merecesse ser indicado como “Melhor Ator Coadjuvante”.

Guerra ao Terror é o melhor filme de guerra da última década. Seria pretensioso da minha parte compará-lo a clássicos do gênero, como Apocalipse Now e Platoon, mas tenho certeza que estamos diante de um dos clássicos do futuro.

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