Avatar (Avatar, 2009)

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Por Bruno Pongas

Depois de muito tempo ausente por aqui, com outros projetos para tocar e um pouco de falta de tempo aliado a preguiça de ir ao cinema, estou de volta para comentar uma obra que achei maravilhosa e impressionante. Sim, vou falar do blockbuster-megasucesso-de-bilheteria, Avatar.

E James Cameron é um cara engraçado, né? Muita gente fala mal de Titanic, que é brega, que é isso, que é aquilo, mas é outro filme muito bom, à frente de seu tempo em diversos aspectos. Para mim não merecedor de tantos prêmios, claro, mas isso quem deve julgar são os especialistas. Nós, meros blogueiros cinéfilos, apenas brincamos de comentar cinema, e nos divertimos com isso, óbvio.

Mas Avatar é uma experiência como eu nunca antes tinha vivenciado no cinema. Uma técnica exuberante, efeitos especiais de deixar qualquer um boquiaberto e uma trama, querendo ou não, eficiente. Críticos de cinema, por mais que muitos deles tenham estudado para isso, adoram encontrar defeitos onde simplesmente não existem. Falar que o roteiro é fraco? Tudo bem, é um argumento aceitável, pois a história pouco foge da tão desgastada “saga do herói”, em que uma pessoa vem do nada e aos poucos vai construindo um mito ao seu redor até terminar como o grande salvador do mundo.

Só que temos que parar e pensar. Uma coisa é utilizar um roteiro assim e construir uma história chata, pouco interessante, tediosa, arrastada… outra coisa é transformar um enredo simples em algo fascinante, e acho que está aqui o grande trunfo de James Cameron. Um roteiro para ser bom não precisa ter mil reviravoltas e um final imprevisível. Um roteiro bom consegue prender o espectador durante quase três horas na cadeira e fazer com que essa mesma pessoa fique na expectativa e torcendo profundamente para a sorte dos personagens.

Avatar é bem costurado, tem o toque de humor na hora certa, tem o toque de drama na hora certa e é eficiente na hora de distribuir as cenas eletrizantes. A música é bem utilizada, a maquiagem é de outro mundo e os efeitos especiais dispensam comentários. Trata-se de um trabalho moderno, em que o espectador simplesmente imerge naquele mundo cheio de vida e cores. É até triste quando sobem os créditos, pois, como o personagem principal, vivemos toda a experiência intensamente, como se estivéssemos fazendo parte daquela tribo.

Confesso que comprei meu ingresso esperando algo inovador, e garanto que saí do cinema com a certeza de que assisti um dos mais belos e magníficos filmes dos últimos tempos, onde o coletivo se sobressai perante o individual. Ou seja, não há nenhum destaque específico, nenhum ator é melhor do que o outro, simplesmente o conjunto é que se destaca. James Cameron me surpreendeu positivamente; assistiria ao longa mais umas duas ou três vezes com todo o prazer.

O retrato de uma humanidade perdida

James Cameron foi bem cuidadoso na hora de abordar o tema. O retrato ali exposto é semelhante ao que vivemos nos dias de hoje. Vemos potências mundiais brigando desumanamente por jóias raras da natureza, observamos ganância e lamentamos o fato de presenciarmos tudo isso sem a possibilidade  de fazer nada.

É difícil apontar alguma diferença evidente entre a raça humana que invade Pandora e os Estados Unidos, que assolam o Iraque procurando petróleo. Há pouca diferença entre os seres humanos do filme e os seres humanos de cérebro pequeno que arquitetam um jeito de se infiltrar na amazônia brasileira.

Mas ao pensar bem, talvez haja alguma diferença. No mundo real as coisas são feitas apoiadas em desculpas esfarrapadas. O Iraque foi invadido sob a ideia de depôr a sanguinário ditador Saddam Hussein. Verdade? Mentira. Querem colocar bases militares na Amazônia para controlar o narcotráfico. Verdade? Mentira! As grandes potências apoiam Israel numa guerra religiosa onde ambos têm razão. Para tudo há um jogo estúpido e ganancioso de interesses.

Avatar realmente tem uma história que pode ser considerada clichê, mas as metáforas ali contidas são muitas. Piedade? Essa palavra não existe no imperialismo. Natureza? Ela não é necessária quando se tem dinheiro. É esse pensamento que rege a humanidade nos dias de hoje. A lógica capitalista faz as pessoas perderem qualquer tipo de discernimento e as torna cegas a ponto de fazê-las passar por cima dos outros sem tomar conhecimento.

Água e vida em outros planetas são constantemente procuradas em investimentos gigantescos. Há dinheiro e ganância de sobra para isso. Quem pensa que o objetivo é apenas desvendar os mistérios do universo está enganado. Há dinheiro em jogo. Tudo que for necessário para obter mais e mais lucro será feito. O ser humano é ingrato com a vida, com a natureza, com tudo. A humanidade está perdida… talvez não caminhe para o fim, como muitos teóricos do apocalipse pregam, mas seu fim moral já está decretado faz tempo.

Ultimamente tenho sido bem generoso com as notas, mas com Avatar é impossível ser rígido; merece nota máxima.

Minha Nota: 10.0

Direção: James Cameron
Duração: 162 minutos
Gênero: Ação/Drama/Suspense
Elenco:
Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi, Joel Moore.

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11 Respostas to “Avatar (Avatar, 2009)”

  1. Pedro Tavares Says:

    Acho que você continua bastante generoso com as notas. hehehe

  2. Luís Says:

    Aê.. finalmente voltaram à ativa!
    Pensei que tivessem abandonado de vez esse blog…

    Mas, então… ainda não assisti AVATAR e estou com um pé atrás. Acho que deve ter muitos efeitos especiais e pouca história. Mas vou conferi-lo logo e voltarei para dizer o que achei.

  3. Brenno Bezerra Says:

    Atualmente, esse é o filme que eu estou com mais vontade de ver.

  4. Wally Says:

    Wow. Super elogios. Vejo o filme amanhã. o/

  5. O Cara da Locadora Says:

    Um marco na história do cinema… FIlmaço…

  6. Rafaela Melo Says:

    eu confesso que eu fui assistir Avatar esperando que não fosse lá grande coisa . mas do começo ao fim do filme eu cheguei à conclusão que eu tava beem errada ! inclusive fiquei assustada quando vi a duração do filme , achando que ia morrer de tédio na cadeira do cinema , e juro que nem vi o tempo passar e estranhei quando o filme acabou , porque eu tava realmente muito envolvida com o filme . Avatar é desses filmes que te prendem do começo ao fim , que te mostram um mundo novo e te faz querer fazer parte dele . Tem também toda a questão de impactar à quem assiste sobre como a humanidade é , que não se preocupa com os outros , como é arrogante e egoísta . A forma como o filme mostra como o coletivo tem poder é incrível , assim como da relação com a natureza e a conexão com os seres . Os efeitos são sensacionais (e eu passei boa parte do filme esperando que ficasse noite para as coisas brilharem no escuro , haha) . enfim , achei muito bem feito e digno da nota que você deu . (:

  7. Pedro Henrique Says:

    E é mesmo uma obra-prima!!! O meu filme preferido no ano passado!

  8. Nasp Says:

    Avatar é tal e qual o Titanic….. sucessos tão grandes como este atraem muitos e muitos critcos que vão apontar mil e um defeitos…….

    Sim o argumento é simples e já visto, mas nem assim os outros (cineastras, argumentistas e produtores) conseguem filmes destes….e com estas receitas quêm é que não gostava de estar por trás de um filme destes???

    Se calhar não é assim tão facil como falar…….

    Avatar é um filmaço como são todos os filmes de James Cameron

  9. Matheus Says:

    Vou ser um pouco chato e discordar. Aliás, acho que “Avatar” está causando mais burburinho do que deveria. Quando penso nesse filme de Cameron, não me vem à cabeça esse filme espetacular que todo mundo diz. E só pra constar, prefiro mil vezes mais “Titanic”.

  10. Leonardo Marques Says:

    Confesso que não sou fã desse tipo de filme, mas Avatar é um dos melhores no genero ficção extrema. O que mais gostei no longa foi o detalhismo contido. Sem se importar com a duração o filme nos faz conhecer fielmente Pandora e acabar até fazer nos sentir vontade de se tornar um Navi.

  11. Alyson Says:

    De fato é um baita cinemão que deixa a ambição de lado e usa seus milhões para nos trazer uma experiência única que nos faz quer que o tempo de filme se dobre para nunca mais sairmos de Pandorum.

    Abraços!

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