Boa Noite e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck., 2005)

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Por Bruno Pongas

Embates históricos entre grandes políticos e jornalistas se fizeram presentes com bastante frequência durante o século XX. Enquanto no Brasil tinhamos a briga ferrenha entre Getúlio Vargas e Carlos Lacerda – desde o final da década de 1940 até meados dos anos 50 -, nos Estados Unidos pudemos observar um panôrama semelhante. Mais especificamente em 1977, Richard Nixon, ex-presidente norte-americano, confrontou intensamente o jornalista David Frost sobre seus controversos anos no comando da Casa Branca – tema que, inclusive, virou pauta de Frost/Nixon, filme indicado ao Oscar no ano passado (2008). Alguns anos antes, voltando à década de 50, tivemos outra luta que marcou época.

De um lado, o contestado senador por Wisconsin, Joseph McCarthy, famoso por sua intensa política anticomunista. Do outro, o renomado jornalista da rede CBS, Edward R. Murrow. McCarthy entrou para o senado americano em 1946, e, num período de quase dez anos, colocou seu nome na história (pelo lado negativo). A personalidade forte e as atitudes invasivas deram origem ao adjetivo hoje compreendido por Macarthismo. Esse conceito passou a ser empregado àqueles com atitudes antidemocratas, como as do próprio senador, que se valia de artifícios pouco ortodoxos para acusar os simpatizantes do regime comunista.

Com bastante habilidade, George Clooney consegue um bom trabalho atrás das câmeras, nos premiando com uma narrativa densa e impactante. O roteiro cuidadoso – também assinado por Clooney –  traz diálogos incrivelmente bem estruturados, de primeira qualidade. Boa Noite e Boa Sorte aparentemente tem tudo para ser um blockbuster, ainda mais se levarmos em conta o elenco recheado de estrelas. No entanto, o longa passa longe de ser comercial, e há uma série de motivos que comprovam isso: primeiro que ao optar por uma fotografia em preto e branco, Clooney já afasta logo de cara uma grande fatia do público, afinal, ainda há certo preconceito contra os filmes em PB. Segundo que os diálogos excessivamente longos e carregados assustam! – e logicamente devem espantar outra fatia da audiência. 

Falando em fotografia, o fato de se contar a história com ausência de cor legitima ainda mais a obra. O preto e branco, juntamente com o figurino caprichado e a música caracterizada, nos proporciona uma viagem direta aos anos 50. O que difere o filme de um clássico daqueles tempos é somente a qualidade da imagem, tirando isso, Boa Noite e Boa Sorte se passaria tranquilamente por um sucesso de época. George Clooney coleciona aqui uma gama infindável de acertos, pois tecnicamente seu trabalho é quase perfeito.

Para finalizar, outro ponto que merece bastante destaque é como o ambiente jornalístico é retratado. Quem é do meio sabe que esse mundo é comandado por interesses políticos, de patrocinadores e de pessoas que detém o poder… Clooney, nesse que foi seu segundo filme como diretor, nos revela os bastidores por trás das câmeras, o jogo de interesses onde manda quem tem dinheiro e a influência que os ‘poderosos’ têm sob os veículos midiáticos. Ou seja, além de servir como um retrato honesto da batalha entre Joseph McCarthy e Edward R. Murrow, o longa ainda deixa explícita a sujeira que ocorre no meio jornalístico – um prato cheio para qualquer cinéfilo.

Minha Nota: 9.5

Direção: George Clooney
Gênero: Drama/Histórico
Duração: 93 minutos
Elenco: George Clooney, Robert Downey Jr., Thomas McCarthy, Tate Donovan, Grant Heslov, Alex Borstein, David Strathairn, Jeff Daniels, Robert John Burke, Frank Langella, Patricia Clarkson, Matt Ross, Ray Wise e Reed Diamond.

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9 Respostas to “Boa Noite e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck., 2005)”

  1. Caio Says:

    “Certinho” demais para um politicamente incorreto.

  2. Pedro Tavares Says:

    Este filme é ótimo. Sem mais. :)

  3. Hugo Says:

    Eu destaco a grande atuação do ótimo David Strathairn. Eterno coadjuvante, aqui ele conseguiu seu papel de maior destaque na carreira.
    Grande filme, mas não para todos os gostos.

    Abraço

  4. ANABELA Says:

    Excelente filme para um público aduto, coisa cada vez mais rara, infelizmente. A fotografia preto e branco acaba por dar ainda mais credibilidade à história que está sendo contada. E concordo com o que se falou à respeito do Strathairn. Um bom ator que deveria ser melhor aproveitado.

  5. O Cara da Locadora Says:

    Eu não imaginava que o Clooney se tornaria tão grande como se tornou… Muito feliz com isso…

  6. Wally Says:

    Filmaço, né? O filme é conduzido de forma fascinante, e acho que é por isso que me fisgou tanto. O elenco, a direção tenebrosa e o texto impressionante. Não é perfeito, mas é virtuoso.

    Nota 8.5

  7. Mayara Bastos Says:

    Òtimo mesmo, do mesmo nível que “Frost/Nixon” foi ao contar sua história, e tudo é perfeito mesmo. George Clooney fez um ótimo trabalho como diretor neste filme. ;)

  8. Dewonny Says:

    Muito bom filme com um preto e branco perfeito, e grandes atuações do elenco. nota 8.0!
    Abs! Diego!

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