Simplesmente Feliz (Happy-Go-Lucky, 2008)

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Simplesmente Feliz

Por Bruno Pongas

Se todos nós tivéssemos um pouco da alegria embutida na personalidade de Poppy estariamos feitos. Ela, que leva sua vidinha simples em meio aos problemas do cotidiano, jamais deixa de ser uma pessoa alegre, bonita e encantadora. A personagem faz o que muitos de nós deixamos passar batido em nosso dia-a-dia: encara as coisas com naturalidade, sempre sorrindo e tentando achar o lado bom da vida. Mesmo que tal alegria possa soar artificial e irritante em alguns momentos, a excelente Sally Hawkins consegue nos brindar com um ótimo papel – uma verdadeira fábula indicada, sobretudo, aos mal-humorados.

Na história, Poppy é uma professora de escola primária, que, como já dito, procura ver o lado bom da vida em tudo. No dia em que sua bicicleta é roubada, ao invés de ficar furiosa como qualquer ser humano ‘normal’, ela simplesmente sorri, e vai atrás de uma auto-escola para aprender a dirigir. Seu instrutor, o carrancudo Scott (Eddie Marsan), é completamente o oposto dela… sempre mal-humorado, irritado e de mal com a vida. No entanto, ao conhecer a garota as coisas mudam, e é a partir daí que vemos a trama ganhar seu colorido especial.

Sob a batuta de um diretor qualquer, Simplesmente Feliz fatidicamente cairia no senso comum das comédias românticas: personagens estúpidos, roteiro fraco e final altamente previsível. A habilidade e experiência de Mike Leigh, contudo, faz do filme um pequeno achado dentro de 2008. Os personagens, quando em cena, aparecem de forma genial. Leigh os construíu com cuidado, com destaque especial, é claro, para Poppy, que goza de uma profundidade extrema. O introspectivo instrutor é outra grande figura, e nos remete a pensamentos mais pessoais: “será que também somos assim? até que ponto levamos a vida com seriedade exagerada?”. Scott é como um reflexo do nosso cotidiano… um pouco caricato, é claro, mas com atitudes que nos instiga a refletir.

É por essas e por outras que Mike Leigh é um cineasta respeitadíssimo. Mesmo com uma obra que custou pouco – praticamente um trabalho secundário em sua carreira – ele nos condecora com uma história divertida e tocante… sempre à sua maneira. O roteiro, que também é assinado por ele, se diferencia bastante do que temos costumeiramente no gênero. Além dos ótimos diálogos, Leigh compensa a certa previsibilidade do argumento com um trabalho firme, maduro e gostoso de assistir. Uma pena que os personagens secundários tenham ficado um pouco limitados… eles mereciam um tempinho a mais em cena. Falando neles, talvez seja esse o grande mérito do diretor: criar pessoas extremamente interessantes e verossímeis, daquelas que podemos tranquilamente encontrar em nosso cotidiano, no trabalho, na faculdade… onde quer que seja.

Simplesmente Feliz, assim como sua personagem principal, se destaca pela simplicidade. Sem grandes maneirismos, efeitos mirabolantes ou coisas de outro mundo… muito pelo contrário! Vemos aqui a arte em estado puro, de uma maneira que é difícil encontrar no cinema hoje em dia. Mike Leigh, juntamente com Sally Hawkins, merecem todos os créditos. Vale se ligar também na trilha sonora, que se encaixa como luva no colorido mundo da simpática Poppy.

Minha Nota: 7.5

Direção: Mike Leigh
Gênero: Comédia/Drama
Duração: 118 minutos
Elenco: Sally Hawkins, Alexis Zegerman, Andrea Riseborough, Samuel Roukin, Sinead Matthews, Kate O’Flynn, Sarah Niles e Eddie Marsan.

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14 Respostas to “Simplesmente Feliz (Happy-Go-Lucky, 2008)”

  1. Renan Says:

    Eu acho inútio ficar comentado sempre: Não assisti a esse filme, mas quero vê-lo. Mas essa é a verdade. Não o assisti ainda, mas quero vê-lo pois a maioria dos filmes que ganham uma indicação ao Oscar devem ter pontos bons. Pela sua crítica, o enredo parece ser válido, um pouco diferente do que estamos tão acostumados a ver.

  2. Caio Says:

    É legalzinho, mas nunca me surpreendi com Mike Leigh.

  3. Robson Saldanha Says:

    Não consegui, de maneira alguma, gostar desse filme. Achei-o chato e a protagonista é irritante. Parece que eu sou o chato da história mas a verdade é que ela é bem infantil e não tem limites pra coisas, ser feliz é importante mas deve-se saber ser feliz. hehehe

  4. BRENNO BEZERRA Says:

    DIVIDE MUITA OPINIÃO, VAMOS VER QUAL VAI SER A MINHA.

    • Bruno Pongas Says:

      Robson e Brenno: Realmente, a Sally Hawkins nesse papel divide muitos as opiniões. Particularmente eu gostei, embora tenha me irritado com ela em alguns momentos. Assim como o Robson disse, o fato de não haver limites na vida dela pode criar uma imagem de menina mimada que faz palhaçada pra aparecer. No entanto, com um olhar mais ponderado encaro a personagem como um exemplo… não que deveriamos ser daquele jeito efusivo demais, mas pelo menos tentar levar a vida com um pouco mais de bom humor (que as vezes falta muito).

  5. Dewonny Says:

    Olá, indiquei o blog de vcs no meu blogroll = http://cinedewonny.blogspot.com/
    Sobre o filme, achei bacana, Sally Hawkins tem uma simpática atuação, alto astral e de bem com a vida como sugere o tema proposto, valeu a pena!
    Abs! Diego!

  6. Luís Says:

    Bruno, , por favor, faça uma descrição do seu Blog resumidamente, tipo, umas 4 linhas, no máximo. Eu e o Renan vamos criar uma página sobre os parceiros e, para sermos justos, vamos abrir espaço para que os próprios parceiros escrevam sobre si.
    ;)

    Volto para comentar esse filme!
    o/

  7. Kamila Says:

    Eu quero muito ver esse filme porque adoro o diretor Mike Leigh. Porém, tenho medo de achar a alegria excessiva da Poppy extremamente irritante!!! rsrsrsrs

  8. Alex Gonçalves Says:

    Bruno, considero “Simplesmente Feliz” um dos melhores filmes exibidos neste ano até o instante. Mas. ao contrário do que você aponta, não acho um filme nem um pouco recomendável para pessoas mal-humoradas. Emprestei o DVD à minha irmã e ela quase o devolveu em minha cabeça, rs.

  9. Kau Oliveira Says:

    Bruno, eu tenho um odiozinho por este filme. Acho pretensioso demais por querer mostrar algo que, na prática, é difícil de ocorrer. Inclusive acho a Poppy uma coisa absurdamente chata e irritante! Parece uma pessoa drogada 24h por dia hahahahaha. Muito triste, pois adoro outros trabalhos de Leigh.

    Abs!

    • Bruno Pongas Says:

      Luis: Vou preparar o resuminho amanaha.. agora vou pra cama pq meu sono já está passando dos limites! hahaha

      Kamila: Complicado, ein? Acho que se vc for assistir já pensando que ela é uma mala sem alça é capaz de vc querer desligar o dvd na metade! hahaha… mas tente pq deverá ser uma experiência no mínimo interessante!

      Alex: Talvez eu tenha me expressado um pouquinho mal, mas quando disse que ele é recomendado às pessoas mal-humoradas, queria dizer que as atitudes da atriz, de encarar tudo numa boa, deveriam fazer mais parte do nosso cotidiano. Nós, que somos tão mal-humorados todos os dias :D

      Kau: Como eu disse ali em cima, esse filme é bem complicado nesse sentido. Ou vc se identifica com o jeito doido da mulher, ou vc quer literalmente matá-la! hahaha

  10. Red Dust Says:

    Não gostei. Além de irritante, não me cativou em nada…

    Abraço.

  11. Mayara Bastos Says:

    O filme me desperta curiosidade por ser dirigido pelo Mike Leigh, acho-o um diretor muito interessante, mas também tenho medo da Poppy, rsrsrs. ;)

  12. stella Says:

    Uma Poppy um pouquinho menos saltitante e gargalhante seria uma unanimidade. Quem convive com uma criatura sempre sorridente e prestativa sabe a maravilha que é.

    Mas se Poppy fosse apenas essa criatura anjelical não estaríamos discutindo aqui. Acho que Mike Leigh quis fazer dela um ser superlativo. Sua versão moderada era mulata, chamava-se Hortense Cumberbatch e apareceu em “Segredos e Mentiras”. O cara é um gênio!

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