Brüno (Brüno, 2009)

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Por Bruno Pongas

O humor negro e nonsense de Sacha Baron Cohen inovou a maneira de se fazer comédia com o carismático Borat, em 2006. Nesse ano (2009), foi a vez de Brüno – um repórter gay austríaco que tenta a vida na América – chegar ao circuito mundial. Se o primeiro foi um sucesso justamente por ser inovador, o segundo fica devendo e muito nesse quesito. Seguindo basicamente o mesmo modelo de Borat – muito porque Sacha repete a parceria com o diretor Larry Charles e com alguns dos (vários) roteiristas – Brüno só acaba se salvando por raros momentos inspirados – o que veremos no decorrer desse texto.

Hei de confessar a vocês, caros leitores, que tenho um ligeiro preconceito com filmes desse tipo. Há quem ame comédia escrachada, eu respeito, mas é um tema que eu já olho torto logo de cara. Contudo, quando vi o aparentemente ingênuo repórter Borat Sagdiyev aprontando poucas e boas, ainda por cima com uma excelente crítica à ignorância do povo norte-americano (todos os povos têm seus ignorantes, é sempre bom frisar), achei divertidíssimo, rolei de rir e me despi de qualquer tipo de pré-conceito. No entanto, com o arrogante repórter austríaco tive uma experiência completamente distinta. Sem carisma, o personagem decepciona e garante pouquíssimas risadas.

Estruturalmente falando, vemos muito de Borat em Brüno. Por que? É simples: a narrativa de ambos é praticamente idêntica, o que dissipa qualquer suspiro de originalidade pretendida pelo longa. Trocando o estilo da personagem e algumas piadas aqui e ali, é praticamente impossível distinguí-los. Outro ponto que pode aborrecer o espectador é o fato de ninguém saber até que ponto o que acontece é totalmente verdadeiro. Obviamente existem algumas partes montadas para encher o roteiro… sem elas, a obra, que já é curta, viraria quase um média-metragem (penso que seria bem melhor assim… menos artificial e muito mais hilariante).

Como em todo filme de comédia, Brüno, apesar de ruim, também tem os seus momentos de glória. Posso enumerar alguns que me fizeram abrir um ligeiro sorriso. O primeiro, e para mim disparado o melhor de todos, é quando Cohen vai a um programa de TV com seu bebê – o africano O.J. A plateia, majoritariamente negra, fica furiosa com os absurdos proferidos pelo ator: “troquei o bebê por um Ipod… do U2! acham que é pouca coisa?”, diz ele tentando explicar como conseguiu o garoto… é genial! Outra passagem que garante boas risadas é a do exército. A cara dos oficiais ao ver o novo recruta é im-pa-gá-vel! O final, com uma centena de homens em polvorosa pelo discursso homofóbico da personagem (que ‘vira’ hetero, pasmem!), além de divertido, mostra como ainda existem pessoas com esse tipo de racismo lamentável.

Apesar de alguns bons momentos, a trama demora a decolar e carece muito de carisma. Nem mesmo o bom trabalho de Sacha Baron Cohen salva o longa, que só escapa de ser um completo fiasco pelos raros lampejos de genialidade que já citei. Como crítica à sociedade, Brüno também deixa a desejar. Há uma única parte em que realmente ficamos abismados: quando ele tenta contratar um bebê para fazer uma série de coisas estapafúrdias. O pior é saber que os próprios pais sujeitariam seus filhos a qualquer coisa só por causa do dinheiro: “Tudo bem vestir seu filho de nazista e empurrar um outro bebê vestido de judeu para o forno?”… “Para o forno? Claro, sem problema algum”… é muita ganância, ou estupidez mesmo…

Minha Nota: 5.0

Direção: Larry Charles
Gênero: Comédia
Duração: 81 minutos
Elenco: Sacha Baron Cohen, Gustaf Hammarsten, Clifford Bañagale, Chibundu Orukwowu, Josh Meyers, Bono Vox, Elton John, Chris Martin, Slash, Snoop Dogg, Paula Abdul, Harrison Ford, Sting e Miguel Sandoval.

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16 Respostas to “Brüno (Brüno, 2009)”

  1. charlesmh Says:

    Oi Bruno! O filme do teu chará até que é engraçado, mas não chega aos pés de Borat. Pra mim, as melhores piadas foram a do Harrison Ford e da adoção da criança africana. abs.

  2. Kau Oliveira Says:

    Bruno, serei sincero: ODEIO com todas as minhas forças Borat. Entretanto, acho a idéia de Brüno mais digna, mas em termos de execução dessa idéia não digo nada pq não vi o filme hahahahaha. Prefiro deixar pro DVD…

    Abs!

    • Bruno Pongas Says:

      Charles: Eu achei tudo mto chato, salvo algumas exceções como eu disse no texto.

      kau: Borat é legal, cara! hahaha mas pra quem odeia comédia escrachada demais deve odiar. Eu odeio esse tipo de comédia, mas ainda assim curti Borat. Já Brüno é mais do mesmo, só que beeeeem pior!!!

  3. remivaletlaronoopibu Says:

    Sou como Kau, odiei Borat com todas as minhas forças! (Aliás, atualmente o coloco como pior filme que eu já assisti na vida) e fiquei sem vontade nenhuma de assistir Brüno!

  4. Hugo Says:

    A sua crítica sobre “Bruno” (filme que eu ainda não assisti) poderia servir para o que penso de “Borat”. Acredito que o marketing e a polêmica foram muito melhores que o filme em si. Tirando poucas passagens engraçadas, o restante do longa não se sustenta como comédia ou mesmo crítica.
    Sei que muitos gostaram, mas não entrei no clima do longa.

    Abraço

  5. Luís Says:

    Não sei… eu comecei a assistir Borat e achei uma das coisas mais chatas do mundo, mas ahco que eu devo revê-lo, desta vez até o final, para ter uma opinião mais completa!
    Sobre Brüno, vi uma entrevista com o personagem na revista Veja: achei ridículo e pretendo assistir somente para poder meter o pau no filme!

    Obrigado pelo selo, Bruno. Eu e o Renan ficamos muito contentes em recebê-lo.
    ;)

  6. Wally Says:

    Engraçadíssimo este filme. Ainda que tenha exageros e noções distorcidas. Garante momentos hilariantes e ácidos.

    Nota 7

  7. Mayara Bastos Says:

    Odeio “Borat” também com todas as minhas forças, rsrsrsrs. E achho que “Brüno” vai no mesmo nível. ;)

  8. Amanda Lourenço Says:

    Quero ver esse filme justamente porque a maioria das resenhas que leio falam mal a respeito ;)
    Vai que eu tenho uma opinião diferente e passe a achá-lo um puta filme?! rsrsrs

    Beijooos!

    • Bruno Pongas Says:

      Amanda…
      O Sacha é uma cara que divide opiniões, portanto eu não duvido que você goste do filme. É meio ‘ame ou odeie’ :D

  9. Gisele Says:

    Sabem q eu adorei?? Na verdade eu e meus amigos fomos os únicos q restaram na sala do cinema… na metade do filme, aliás naqueeeela parte, quase todo mundo foi embora… (esse todo mundo=10 pessoas). Como eu já conhecia o Brüno do programa do Sacha (Ali G), então já sabia mais ou menos o que me esperava… ele é assim mesmo, escrachadão, nojento, e tudo o mais… ele na igreja tentando dar em cima do pastor foi o máximo.. curso para vivar hetero!! ADOREI!!

  10. César Ribeiro Says:

    Me diverti prá caramba, puta filme legal, ri muuuito, tanto em Borat com em Bruno. Porém, achei Borat mais crítico, o que não quer dizer que Bruno não o tenha sido.
    Nota 10

  11. diego maderal Says:

    bem.. nao gostei da critica. primeiramente, por que nao achei que analisou a fundo os motivos de cada situação embaraçosa. Com Bruno ele expõe de maneira nua e crua o preconceito do povo americano de diferentes meios, como caçadores do interior, militares, casa de swing e etc… Até tentou se transformar em hetero indo a um pastor, para mostrar tb o ponto de vista evangelico sobre o homossexualismo. Isso eh genial. Em BORAT ele usa o humor negro muito mais gratuitamente que em bruno. E a ultima cena, na luta livre, simplismente é genial.

  12. fabio Says:

    nao gostei!! o filme era nojento desses que a gente fica louco para mandar par frente.Gostaria que fosse borat 2 numa segunda visita a America.

  13. PJ Says:

    Quando fui assitir o filme esperava o banal, umas boas risadas sem grandes reflexões.
    Logo nas primeiras cenas do filme, ele me surpreendeu. De fato a exposição de pênis, não é muito bacana… Mas o que de fato vale é a intenção, percebi que a intenção dele era nos chocar com o que mais repudiamos, e nos fazer refletir.

    Ele consegui comigo. pensei em todas as atitudes homofobicas, moralistas, racistas, fanáticas que já vi, todas as pessoas narcisistas que são deslumbradas com a fama, e as verdades “absolutas” . Não tenho duvidas que o filme Brüno não é mais um besteirol. Ele é um filme que quer lhe fazer rir, mas da nossa propria desgraça, a desgraça de nos acharmos superiores aos outros por sermos heteros, ou gays, por sermos palestinos ou israelenses, negros ou brancos.

    Me lembrei da estória da “Roupa invisivel do rei”, todos fingem ver algo que não existe.
    Alguns pela fé desmedida, pelo moralismo exacerbado, pelo fanatismo, ou por ideologias.
    Sacha Baron fez o papel do auxiliar do alfaiate, que foi sincero e disse:

    – Não, ele não está vestindo nada, ele só está nu.

    E no final das contas estamos todos nus, pois nossas crenças, nossa moral, nossa sexualidade, nossas ideologias não passa de roupas invisiveis (que só os inteligentes veem) que encobrem nossa real natureza… a natureza HUMANA, que buscamos tão estupidamente negar.
    É uma piada triste, mas honesta.

  14. Taly Says:

    Simplesmente a maior perca de tempo da minha vida.
    Não consegui achar Nada de útil nesse filme. Esses lances de natureza humana, comédia escraxada é só uma forma de tentar achar algo que não existe no filme, só por que apareceram reais celebridades nele.

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