Rambo IV (Rambo, 2008)

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Rambo IV

Por Bruno Pongas

O eterno marombado Sylvester Stallone tem dado um gás extra em sua carreira cinematográfica nos últimos anos. Dono de personagens icônicos como Rocky Balboa e John Rambo, o ator e diretor parece estar em ótima forma. Em 2006 reviveu o lendário Balboa num filme bastante elogiado por público e crítica. No ano passado (2008), foi a vez do truculento Rambo voltar às telonas. Aos 63 anos, Stallone corre, pula, mata… faz tudo como se ainda fosse o mesmo jovem de décadas atrás. É claro que sempre haverá uma meia duzia dizendo que sua forma física é mantida através de anabolizantes… pura besteira! Cabe a nós avaliar seu comportamento apenas diante das câmeras.

No quarto episódio da franquia, o impiedoso John Rambo volta mais violento do que nunca. Falando nisso, é bom avisar aos de estômago fraco que Rambo IV possui cenas bem fortes – de dar inveja, inclusive, aos mais sangrentos filmes de terror. Brincadeiras à parte, a nova empreitada do soldado quase-imortal possui alguns prós e muitos contras. Aliás, já que vamos falar mal, é bom iniciar por um ponto chave: os diálogos em alguns momentos chegam a ser risíveis, manjados e nada profundos: “Viva por nada ou morra por algo” (essa foi uma das célebres frases do nosso Confúcio do século XXI).

Os esteriótipos também aparecem com muita clareza no episódio. Temos os soldados maus que matam tudo o que aparece pela frente, os americanos idiotas que se portam como os melhores do mundo, a mocinha que é presa e acaba incentivando a volta do ‘aposentado’ Rambo… e por aí vai. Além, é claro, da previsibilidade do roteiro. Ninguém precisa assistir ao filme para saber o que vai acontecer no final. 

A história por si só é bem fraquinha. O roteirista Art Monterastelli tinha um leque infinito de possibilidades ao retratar o cotidiano vivido pelo povo de Mianmar. No entanto, a falta de cuidado e sensibilidade resultou numa obra rasa e sem o mínimo fim ideológico – o que é uma pena, pois se trata de um assunto ainda pouco explorado pelo cinema. Para piorar, vemos clichês disparados a todo o momento, sem dó nem piedade do espectador, que aguenta firme durante pouco mais de 90 minutos só por causa do bom trabalho de Stallone.

Pois é, caro leitor! Apesar de ser um longa descartável em quase tudo, o veterano Sylvester Stallone até que consegue um resultado interessante (bem acima da média no gênero). Ao optar por fazer um filme curto, Stallone é bem objetivo e prende o espectador durante todo o tempo. Nisso ele acertou em cheio e foi bem inteligente, já que a maioria dos diretores por aí acha que história boa é aquela que demora uma eternidade para acabar. No mais, ele aplica muito bem elementos básicos do cinema – como trilha sonora, por exemplo.

Podemos dizer que Rambo IV tem seus bons momentos. É extremamente frenético, eletrizante e empolga quem está assistindo com propriedade (especialmente nos 30 minutos finais). Fica difícil cobrar uma obra-prima ou algo do tipo. O quarto episódio da saga de John Rambo é mais do mesmo, só que bem mais violento e divertido – tirando o efeito canhestro daquela bomba explodindo no meio da floresta, é claro.

Minha Nota: 7.0

Direção: Sylvester Stallone
Gênero: Ação/Suspense
Duração: 91 minutos
Elenco: Sylvester Stallone, Julie Benz, Matthew Marsden, Graham McTavish, Reynaldo Gallegos, Jake La Botz, Tim Kang, Maung Maung Khin e Paul Schulze.

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8 Respostas to “Rambo IV (Rambo, 2008)”

  1. Wally Says:

    Não gostei deste. Achei muito gratuito e oco, até mesmo para a série. É tão fraco quanto as outras duas sequências. O primeiro é o único filme que presta.

    Nota 5.0

  2. Pedro Tavares Says:

    Brutal, direto e eletrizante!

  3. Tiago Ramos Says:

    Daqueles filmes que não tenho curiosidade alguma em ver…

  4. Caio Says:

    Rambo IV só não supera o primeiro, que é obra-prima!

    • Bruno Pongas Says:

      Wally: Prestar prestar eu acho que nenhum é grande coisa. Como entretenimento todos são válidos – e aí sim entra o primeiro. Confesso que achei esse bem legal nesse sentido.

      Caio: Obra-prima eu acho que passa longe, mas como eu disse pro Wally, é um ótimo entretenimento.. diversão sem compromisso…

  5. O Cara da Locadora Says:

    Eu esperava uma “profundidade” maior, algo como um veterano traumatizado, sei lá… Achei fraco…

  6. Giorgio Says:

    RAMBO foi piorando a cada episódio. E se a gente prestar atenção, o 3 e o 4 são a MESMA história: alguém foi preso, vamos chamar o Rambo para soltá-lo. E dá-lhe um filme arrastado sobre um herói que precisa entrar num lugar, salvar alguém e sair de lá com vida.

    Sem contar que o Stallone não fez uma coisa que ele afirmou em Risco Total: um bom vilão valoriza o herói. O vilão de Rambo 4 é um militar pedófilo que não é páreo pra ele.

    Pra fazer isso, seria bom ter ficado só no primeiro Rambo.

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