Buena Vista Social Club (Buena Vista Social Club, 1999)

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Por Bruno Pongas

A história da música cubana, assim como ela própria, é bonita e encantadora. Muitos dos músicos que fizeram sucesso estrondoso em meados da década de 1940 cairam no ostracismo nos anos seguintes; alguns deles, inclusive, ficaram mais de dez anos  sem tocar instrumentos, completamente ausentes e renegados no mundo musical. O documentário Buena Vista Social Club relembra com propriedade a volta por cima dessas personalidade, que inspiraram celebridades mais recentes como Manu Chao e o grupo cubano Orishas.

Para entendermos um pouco melhor sobre o que foi o Buena Vista Social Club – que fica um pouco mal explicado no documentário – é importante relembrar alguns fatos históricos. O Buena Vista era um clube de música dos mais conceituados em Havana na década de 40. Lá, tocavam os melhores músicos e compositores locais, como Ibrahim Ferrer, Rubén González, Pío Leyva, Compay Segundo, entre outros. Com o encerramento das atividades do clube – no finalzinho dos anos 40 -, grande parte desses artistas passaram a tocar em casas isoladas, mas sem o mesmo sucesso. O passar das décadas agravou a terrível crise pela qual passava a música cubana, que deixou seus ídolos de lado; músicos talentosíssimos foram esquecidos. No entanto, quando o lendário guitarrista e compositor Ry Cooder teve a ideia de juntar todas aquelas celebridades numa única mistura, num único disco, tivemos como resultado o Buena Vista Social Club (dessa vez o cd), que arrebatou um Grammy (Oscar da música) e foi aclamado por público e crítica.

O cineasta germânico Wim Wenders, que teve a boa iniciativa de filmar essa volta por cima, erra em alguns aspectos – como eu já disse anteriormente. Ao meu ver, acho que ele poderia ter se aprofundado um pouco mais na história da música cubana, buscar imagens antigas e fazer um paralelo com o momento atual – isso deixaria o trabalho muito mais rico e ainda mais interessante. Ele também falha ao tentar explicar o Buena Vista Social Club, que à princípio fica muito confuso para os novatos no assunto. Mesmo assim, nada que deixe o espectador entediado ou coisa do tipo, porque de resto só temos coisas boas a falar.

Wenders, na parceria com Ry Cooder, consegue resgatar esses ídolos do passado e nos apresenta entrevistas, relatos muito bem feitos com pessoas que marcaram história na música mundial. Encanta a simplicidade daqueles senhores (alguns deles com mais de 80 anos), humildes, muito inteligentes e admiráveis. O documentário apresenta uma parte do processo de montagem do disco e dos shows que eles fizeram juntos; um deles, inclusive, no famoso Carnegie Hall, nos Estados Unidos. Curioso aqui é como os cubanos reagem ao pisar em solo americano, admirados com a tecnologia megalomaníaca da maior potência mundial.

Buena Vista Social Club é o tipo de trabalho indicado a qualquer um: aos que amam somente cinema, que podem se deliciar com um trabalho muito bem feito e aos fanáticos por música, especialmente aos entusiastas do contagiante ritmo latino, que com toda a certeza amaram o documentário. A mescla da batida caliente com imagens da linda e antiga capital cubana garantem um tom artístico muito bonito. Assim, o longa ainda se destaca visualmente, enchendo os olhos do espectador a cada nova cena. Como curiosidade, temos que o documentário foi indicado ao Oscar em 2000, mas perdeu para o premiado One Day in September, que conta a história do trágico incidente terrorista nas Olimpíadas de Munique, em 1972.

O álbum completo está no site oficial do Buena Vista Social Club. Lá, clique em The Studio Album e depois em Tracklist. Divirta-se!

Minha Nota: 9.0

Direção: Wim Wenders
Gênero: Documentário/Musical
Duração: 100 minutos
Elenco: Compay Segundo, Eliades Ochoa, Ry Cooder, Joachim Cooder, Ibrahim Ferrer, Omara Portuondo, Rubén González e Amadito Valdés.

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6 Respostas to “Buena Vista Social Club (Buena Vista Social Club, 1999)”

  1. inimigosdogcc Says:

    Clocks

  2. christianjafas Says:

    Bruno,

    a idéia do documentário era mostrar como eles estavam naquele momento, mostrar aquele encontro. Os filmes podem não possuir todas as informações, mas nos abrem o apetite para buscar mais.

    Vale a pena um aditivo nessa história:

    Nos anos 90 muito se discutia sobre os caminhos do cinema. Uma geração de cineastas estava se batendo com a geração de videastas. O que é filme? O que é vídeo? Um produto feito em vídeo pode concorrer num festival de cinema?

    O Ry Cooder assumiu a produção do filme e chamou o Wim Wenders para dirigir com equipamento digital. Nos créditos finais eles colocam as câmeras que foram usadas. Eles utilizaram uma Sony VX-1000! Na época muito comum no Brasil.

    O filme só seria realizado se fosse feito dessa forma, era isso ou nada. O Wim Wenders topou e rodou o filme em digital e isso mudou. Um filme rodado em DV foi indicado ao Oscar!

    O que vale é o que está no suporte e não o suporte em si.

    Um abraço,

    Christian Jafas

    http://www.christianjafas.wordpress.com

    • Bruno Pongas Says:

      E o grande lance é que você percebe a câmera nervosa em alguns momentos, o que torna um negócio bem diferente.
      E eu concordo qdo você diz que o grande lance é mostrar como eles estavam naquele momento, e isso realmente abre o apetite do espectador (pelo menos o meu abriu)… mas acho que eles poderiam situar um pouco mais os iniciantes naquele assunto.. mas nada que estrague o trabalho, longe disso.

      Ah, e o Ry Cooder é genial, um cara muito subestimado na minha opinião!

  3. Kika Says:

    Adorei o blog, pessoal, estou adicionando!

  4. Christian Jafas Says:

    É, a câmera é bem leve e isso possibilita uma variedade incrivel de movimentos e uma liberdade fundamental para esse tipo de documentário.

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