ESPECIAL HP: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, 2004)

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siriuslupin

Por Roberto Camargo

Assim como Bruno, tenho grande simpatia pelo menino-que-sobreviveu. Acompanho as aventuras de Potter há um bom tempo. Lembro-me que primeiro vi o filme, depois comprei as quatro primeiras obras. E esperava ansiosamente pelo lançamento das continuações, fossem nas páginas dos gordos livros ou nas telonas. Se tenho um arrependimento relacionado a Harry, o único é ver o submarino  vender todos (sim, todos!) os sete livros por R$80,00! E pensar que gastei bem mais do que isso… Mas como lamentar não vai me ajudar em nada, muito menos fazer com que o tempo volte, vamos à crítica de Prisioneiro.

Para a grande maioria dos fans, as adaptações no cinema não chegam à altura das palavras de Rowling. J.K não é revolucionária em nada para a literatura, mas tem a capacidade de escrever uma história suficientemente interessante, bem amarrada, e, sobretudo, que agrada diferentes públicos. Chris Columbus (diretor da Pedra Filosofal e da Câmara Secreta), no entanto, delimita um pouco essa flexibilidade de público e nos entrega películas com teor mais infantilesco. O desgaste é percebido e, para o terceiro filme, a cadeira de diretor é substituída.

A escolha, sem dúvidas, foi uma grande surpresa: Alfonso Cuarón, um mexicano quase desconhecido, foi escalado. Seu currículo, na época, possuía apenas dois filmes de maior conhecimento do público brasileiro: A Princesinha e Y Tu Mamá También. Mesmo assim, não tão populares. A aposta, entretanto, deu certo. Diferente do antigo diretor, Cuarón escolheu tons mais escuros em sua paleta de cores, contrastando com a bela (e colorida) fotografia de paisagens. Assim, O Prisioneiro de Azkaban redefiniu a série e fez com que os outros filmes trilhassem por um caminho mais sombrio.

Nesse epísódio, Harry Potter (Daniel Radcliffe) volta a Hogwarts para cursar seu terceiro ano na escola de magia e, como de praxe, se envolve em mais uma grande aventura. Dessa vez, Sirius Black – um perigoso assassino – foge de Azkaban, de onde nenhum outro bruxo jamais havia fugido. A situação piora quando os rumores apontam que Sirius fugiu da prisão para matar Potter. O roteiro leva a história de maneira lenta, o que faz crescer a intensidade do desfecho. O tal desfecho, aliás, é a melhor parte do filme. A sequência dos dementadores no lago é tensa e emocionante.  

Os efeitos especiais, marca da série, mais uma vez são destaque. O lobisomem e o dementador, assim como Bicuço, não desapontam nenhum fan. O Salgueiro lutador ganha vários takes, ora agarrando um passarinho, ora perdendo suas folhas para o outono. Algo relacionado aos efeitos que me decepcionou foi a figura do sinistro. O cão que representa a morte, um mau agouro, não é tão assustador como deveria ser. Parece mais um cão vira-lata.

O time de atores, como de costume, é um dos trunfos do diretor. Os três adolescentes protagonistas não dão uma aula de atuação, mas suas imagens estão tão vinculadas a Harry, Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson), que não consigo mais imaginar qualquer outro ator para interpretar o trio de bruxos. Alan Rickman, como Severo Snape, e Michael Gambon, como Dumbledore, mostram domínio e conhecimento sobre suas personagens, sempre roubando a cena nas poucas oportunidades que aparecem. O terceiro filme inaugura ainda a participação de figuras mais famosas no meio cinematográfico. Gary Oldman encarna Sirius Black, e Emma Thompson dá cores à sua Trelawney. A atriz consegue imprimir um ritmo perfeito para sua personagem, que alia a loucura e presunção da professora.

Tantos elogios, no entanto, não apagam os erros de Cuarón. Talvez na tentativa de dar sua cara ao universo da magia, o diretor tropeça em algumas cenas que poderiam ser cortadas. As primeiras imagens mostram Harry na casa dos Dursley praticando uma magia de iluminação com sua varinha. Quem é fan sabe que os bruxos menores de 17 anos não podem praticar magia fora dos terrenos de Hogwarts, o que seria detectado pelo Ministério. Erro para o diretor. Outra cena que me incomodou foi a prévia do discurso de Dumbledore. Ao invés de colocar o chapéu seletor cantando ou escolhendo as casas dos calouros, Cuarón optou por um coral de alunos carregando sapos em seus colos. Na minha opinião, precipitado.

Como balanço final, vitória para os acertos. Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban marca o começo de uma nova fase nos filmes. Mas, por se tratar de uma continuação, não é recomendada aos não-iniciados. A terceira parte da série possui uma trama interessante, pistas para os cinéfilos mais atentos e um final surpreendente. E é a estreia de Cuarón na cadeira de diretor, mas também seu adeus.

Minha nota: 7.0

Direção: Alfonso Cuarón
Gênero: Aventura/Drama/Suspense  
Duração: 141 minutos
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Alan Rickman, Tom Felton, Emma Thompson, Gary Oldman, Robbie Coltrane, Maggie Smith, David Thewlis, Richard Griffiths, Matthew Lewis, Bonnie Wright, Timothy Spall e Michael Gambon.

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6 Respostas to “ESPECIAL HP: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, 2004)”

  1. Bruno Pongas Says:

    Chris Columbus definitivamente não foi uma boa escolha. ‘Harry Potter e a Pedra Filosofal’ marca um bom início da série, mas nas mãos de um diretor mais hábil, sem dúvidas conseguiria voos maiores. No terceiro episódio, Cuarón faz um trabalho bem melhor, pois muda completamente o clima bobinho que permeava os primeiros episódios. Como dito, ‘Prisioneiro’ foi um pontapé inicial para um reforma nos filmes da série, e isso vemos claramente em ‘Cálice de Fogo’ e ‘Ordem da Fênix’.

  2. christianjafas Says:

    Bruno,

    Eu gosto dos dois primeiros filmes … muitos acham que são infantis e são mesmo. Os livros são infantis.

    Eu vi os três primeiros filmes e só depois me interessei em ler os livros.

    E essa foi uma ótima experiência. Os livros acrescentaram informações que eram só pinceladas nos filmes e explicaram várias atitudes dos personagens. Mas de forma alguma os filmes saíram do tom presente no livro e isso significa que a adaptação foi satisfatória, aliás mais do que satisfatória.

    um abraço,

    Christian

    http://www.christianjafas.wordpress.com

  3. christianjafas Says:

    Ops, foi mal. Eu não estou acostumado ao blog comunitário, hehehehe.

    Mas voltando ao Chris Columbus, posso fazer uma desefa apenas baseado no que li nas entrevistas da época e na análise dos filmes.

    Eu revi todos os filmes para poder acompanhar 100% o novo que chegou esse mês aos cinemas. É uma mania. Fiz isso com X-Men, Matrix e O Senhor dos Anéis.

    É bom lembrar que os dois primeiros livros são infantis, possuem um tom mais ameno. Está lá. A mudança de tom aconteceu justamente no terceiro tomo. E por isso a mudança de diretor. O Cuarón apareceu para Hollywood com a temática adolescente (E sua mãe também) e fez um excelente trabalho com o terceiro filme da série.

    Acho que vale uma releitura do trabalho do Columbus nos primeiros filmes. Temos filmes com uma bela fotografia, ritmo e um ótimo elenco. Não deve ter sido fácil amansar aquela gurizada toda.

    Bom, é isso. Creio que vale dar uma segunda chance ao cara. O material que ele tinha para trabalhar era definitivamente mais infantil que os outros. E fora a desconfiança de se transpor um grande sucesso literário como Harry Potter aos cinemas.

    Abraços,

    Christian Jafas

    http://www.christianjafas.wordpress.com

    • Bruno Pongas Says:

      Cristian!
      Eu fiz o mesmo que você, revi todos os filmes!
      Quanto ao trabalho do Columbus, posso falar que no primeiro ele foi bem, embora em alguns momentos sua direção esteja muito pouco inspirada. O grande erro, ao meu ver, foi criar um segundo filme (Câmara Secreta) praticamente igual o primeiro. Como eu disse no meu post, parece que é o mesmo filme só que com uma cena ou outra um pouco diferentes…

  4. Beau Says:

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