Colateral (Collateral, 2004)

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Collateral-Lebensgefahr

Por Bruno Pongas

Colateral é daqueles filmes tensos, cheios de momentos eletrizantes e que causam aquele arrepio na espinha a cada nova cena que é mostrada. Diria que nem alguns erros bobos – até certo ponto grosseiros – colocam em risco a qualidade da trama, que prima pelo suspense do início ao fim. Quem dirige é o experiente Michael Mann, autor do premiado O Informante e de filmes como Ali, autobiografia do maior ícone da história do boxe – Muhammad Ali.

A história conta uma noite na vida de Max (Jamie Foxx). Como em todas as outras noites, ele estava seguindo sua rotina e guiando seu taxi pelas ruas de Los Angeles. Em uma das paradas, no entanto, ele conhece o aparentemente inofensivo Vincent (Tom Cruise). Sem conhecer  os reais interesses dele, o taxista aceita uma generosa quantia de dinheiro para passar o restante da noite como seu motorista particular. Contudo, a história toma outros rumos quando Max descobre que o antes inofensivo homem é nada mais nada menos do que um matador de aluguel.

O roteiro do longa tem lá suas qualidades, e isso é indiscutível. Durante as quase duas horas de filme, em pouquíssimos momentos vemos passagens desnecessárias e muito menos desinteressantes – o que ajuda a mantêr o ritmo frenético da trama. Há, entretanto, algumas falhas e clichês que para alguns críticos ‘malinhas’ podem ser consideradas imperdoáveis. Uma dessas e talvez a principal é justamente na parte final, em que vemos o herói fazendo de tudo para salvar a mocinha das garras do ‘bandido mau’. Outra é, para variar, esteriotipar os criminosos/traficantes como de origem sul-americana (bom, pelo menos já nos acostumamos com isso, afinal, por aqui só tem criminoso e traficante mesmo…) – lamentável. Existem outras cenas menos relevantes, mas que também merecem destaque, como celulares que perdem a bateria quando mais se precisa dela… a famosa Lei de Murphy. Bom, se conseguirmos passar uma borracha ou fazer vistas grossas a esse tipo de erro, tudo fica perfeito – ainda mais nos 30 minutos finais, em que há mil reviravoltas (originais, acredite!).

Muito da qualidade de Colateral se deve ao bom desempenho dos atores, em especial de Jamie Foxx. Foxx deixa transparecer nitidamente a agonia de estar ‘refém’ de um psicopata-maluco-inescrupuloso, o que quase lhe rendeu uma estatueta da academia como melhor ator coadjuvante – coisa que ele viria a ganhar no mesmo ano (dessa vez indicado a melhor ator) com o excelente retrato de Ray Charles em Ray. Assim como Foxx, mas sem o mesmo brilhantismo, Tom Cruise consegue dar vida com qualidade ao perturbado Vincent. No mais, ninguém se destaca com tanta grandeza – talvez Mark Ruffalo na pele do detetive Fanning, embora ainda seja um papel menor dentro da trama.

Para resumir, Colateral consegue se destacar dos demais filmes do gênero por possuir um roteiro bem amarrado e uma série de reviravoltas plausíveis – sem fazer com as coisas soem artificiais. Michael Mann, aqui, nos brinda com mais um ótimo filme de sua carreira. Falando no diretor, seu novo trabalho, que estréia em meados do mês que vem (julho), é muito aguardado pelo público e crítica. O nome é Inimigos Públicos e conta a história de uma ‘corrida’ do FBI atrás de três mafiosos nos anos 1930. No elenco, muitas estrelas de hollywood, como Johnny Depp, Christian Bale e Marion Cotillard. Vale a pena conferir.

Minha Nota: 8.0

Direção: Michael Mann
Gênero: Policial/Suspense
Duração: 119 minutos
Elenco: Tom Cruise, Jamie Foxx, Jada Pinkett Smith, Mark Ruffalo, Peter Berg, Bruca McGill e Javier Bardem.

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3 Respostas to “Colateral (Collateral, 2004)”

  1. Wally Says:

    É um baita filme de ação como apenas Michael Mann poderia ter realizado. Muito bem conduzido e atuado com brilhantismo, é daquele tipo de filme que envolve e de instiga. Adorei.

    Nota 8.5

    Ciao!

  2. O Cara da Locadora Says:

    Realmente um filme interessantíssimo com atuações excelentes…

  3. Red Dust Says:

    É uma boa história. Bem desenvolvida e melhor realizada. Nota-se a marca pessoal de Michael Mann. Tom Cruise está intratável, mas Jamie Foxx, dentro do que se pedia para o seu papel, também o não está menos.

    Abraço.

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