Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992)

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Por Bruno Pongas

Quentin Tarantino teve ascenção meteórica e impactante na história do cinema. A temática sanguinária e divertida, apesar da antítese entre ambas, encantou o público, que enxergou no diretor um grande ícone. E Tarantino não fez por menos; brilhou num cinema em que há pouco espaço para a irreverência, onde quem faz algo diferente geralmente amarga o insucesso. Mas quem liga, afinal? Ele é ídolo suficiente para sobreviver ao conservador mercado estadunidense, e isso cansou de provar durante toda a carreira.  A academia jamais premiou seus filmes como deveria, prova disso é uma estatueta solitária de melhor roteiro para Pulp Fiction: Tempo de Violência. Com justiça, diga-se de passagem, já que Pulp Fiction é sem dúvidas um dos melhores filmes de todos os tempos. Tarantino construiu assim sua carreira; odiado por alguns, idolatrado por muitos, sempre diferente de tudo e de todos, o que inegavelmente fez dele esse tremendo ícone.

Como podemos imaginar uma cena de tortura? Agoniante? Violenta? Perturbadora? Nada disso. Que tal… divertida? Pois é! Em uma das melhores cenas de Cães de Aluguel, o diretor coloca frente a frente um assassino sem escrúpulos diante de um policial sem a mínima defesa. A tortura que se sucede, com tudo o que se tem direito em um belo thriller policial, é maravilhosamente hilariante, digna dos melhores filmes de comédia – coisa que só Tarantino pode nos proporcionar. E só de pensar que Cães de Aluguel é apenas o segundo longa da carreira do cineasta… mal sabíamos o que estava por vir; o já citado Pulp Fiction e Kill Bill I e II falam por si só.

Como nosso assunto aqui é Reservoir Dogs, vamos falar um pouco sobre ele. A história conta sobre um assalto a banco – mais ou menos bem-sucedido -, executado por seis bandidos que nunca haviam se visto antes na vida. O objetivo do bando, após o roubo a uma joalheria, era se encontrar em um armazém. No entanto, em meio ao assalto, a polícia chegou inesperadamente, o que despertou uma suspeita dentro do grupo sobre um possível traidor. Em meio às suspeitas, é criada toda uma atmosfera que envolve o espectador. Quem é o traidor? Existe mesmo alguém que entregou o grupo? Aparentemente todos os criminosos haviam sido escolhidos a dedo. Assim, o filme é construído sob uma forma bastante original. Tarantino, que também assina o roteiro, abusa do vai-e-vem na história, e, em meio a flashbacks do roubo e da escolha dos bandidos, vai construindo um cenário que nos permite tentar adivinhar se há mesmo um traidor – coisa que só nos é revelada na parte final da trama (surpreendentemente, diga-se de passagem).

Pode-se dizer que muito do sucesso do longa se deve ao sensacional desempenho de seu elenco. Michael Madsen nos brinda com um dos personagens mais fascinantes que eu já ví – o sanguinolento Mr. Blonde. Na mesma toada, Steve Buscemi está magnífico na pele do divertido Mr. Pink – que garante de longe as passagens mais hilárias do filme. O já veterano Harvey Keitel e Tim Roth, que interpretam Mr. White e Mr. Orange, respectivamente, também fazem um trabalho admirável. Além deles, Quentin Tarantino também participa como Mr. Brown – que garante uma das falas mais cômicas da trama quando é mostrado o flashback da escolha dos nomes de cada um. Falando nisso, essa veia humorística é bem típica da carreira do diretor, que se usa desse mesmo recurso em seus outros grandes filmes. Em Cães de Aluguel, é impossível não se deliciar com a primeira cena, em que os seis ladrões, juntamente com o chefe e organizador do assalto, discutem em uma mesa de restaurante sobre temas aleatórios, como o real significado da música ‘Like a Virgin’, da Madonna (a teoria de um deles pelo menos é bastante razoável).

Para finalizar, outra coisa que chama bastante atenção no longa é a excelente trilha sonora, que influi diretamente no clima descontraído e informal da trama. No final das contas, podemos observar que Cães de Aluguel é muito mais do que um clássico do cinema, é também uma obra-prima do genial Quentin Tarantino, que consegue nos surpreender positivamente a cada filme lançado. Falando nisso, olhos atentos para Bastardos Inglórios, que deverá estrear em meados de outubro e é promessa de mais um grande trabalho do diretor. Dessa vez, ele divide os holofotes com uma grande estrela de hollywood, o astro Brad Pitt. Pelo que li até agora, o filme, que disputou o concorrido Festival de Cannes, recebeu algumas críticas negativas, embora isso não queira dizer muita coisa, especialmente para a legião de fanáticos por Quentin Tarantino. 

Minha Nota: 10.0

Direção: Quentin Tarantino
Gênero: Policial/Suspense/Ação
Duração: 99 minutos
Elenco: Michael Madsen, Quentin Tarantino, Kirk Baltz, Randy Brooks, Lawrence Tierney, Chris Penn, Harvey Keitel, Tim Roth, Steve Buscemi e Edward Bunker

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3 Respostas to “Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992)”

  1. Wally Says:

    Filme antalógico de Tarantino que é genial da cabeça aos pés (ou seria de início ao fim). Só não considero a melhor direção dele. Mas é um dos roteiros mais brilhantes.

    Nota 8.5

    Ciao!

  2. Filipe Cury Says:

    Sensacional. Simplesmente sensacional. E trilha sonora, então? De primeira…

  3. O Cara da Locadora Says:

    Um dos meus preferidos de todos os tempos… na verdade acho que prefiro ele ao Pulp Fiction… hum, nem sei…

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