Anjos e Demônios (Angels & Demons, 2009)

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Por Bruno Pongas

Adaptar um livro parece ser uma das tarefas mais difíceis dentro do cinema. Nunca se agrada a gregos e troianos; algumas partes passam em branco, outras ganham detalhes em demasia e o público reclama querendo ver sua passagem predileta alvo de um melhor retrato. Ron Howard, renomado cineasta de Hollywood e vencedor do oscar de melhor filme e diretor por Uma Mente Brilhante, em 2001, resolveu assumir o risco de adaptar um dos maiores best-sellers dos últimos tempos, o fenômeno Codigo Da Vinci.

No entanto, Howard deixou um pouco a desejar, pois a riqueza de detalhes contida no livro de Dan Brown parecia impossível de ser transposta às telonas. De fato, o longa, na época (2006), apesar de ser um sucesso de bilheteria (se tornou a 27ª maior da história do cinema), naufragou na burocracia e na falta de ousadia. A crítica simplesmente acabou com o diretor, que apesar disso, voltou dois anos depois com Frost/Nixon, longa que concorreu ao último oscar (2009), e conta com detalhes a entrevista histórica entre o ex-presidente norte-americano, Richard Nixon, e o apresentador David Frost.

Após dar nova guinada à carreira, Ron Howard resolveu se aventurar em mais um best-seller de Dan Brown. Dessa vez o alvo seria Anjos e Demônios, que conta nova história ficcional envolvendo a Igreja Católica. Como pano de fundo, aqui, temos a morte de um cientista, que foi assassinado por uma sociedade secreta, os Illuminati. Eles roubam um artefato perigoso, chamado antimatéria, e ameaçam explodir o reduto católico às vésperas da escolha do novo papa. Para evitar que isso ocorra, chamam, mesmo a contragosto, o simbologista renomado da Universidade de Harvard, Robert Langdon (Tom Hanks) – aqui há o início de uma série de clichês que permeiam a trama: Langdon é chamado como o salvador da pátria, como se fosse o grande herói que salvará a humanidade.

Se compararmos a nova empreitada cinematográfica de Ron Howard à Codigo Da Vinci, podemos notar claramente que o diretor soube consertar alguns erros e evoluiu em diversos aspectos. O principal deles sem dúvidas é o roteiro, que se antes era defasado em sua narrativa, aqui é muito ágil e prende o espectador durante todo o tempo – exceto pelo início um pouco cansativo. Outro ponto importante é a fidelidade à história de Dan Brown; Anjos e Demônios é bem fiel à obra original, diferentemente do filme anterior, que ficou devendo nesse quesito.

Para quem gosta daquele filme de ritmo acelerado, que mantêm o público tenso e vibrante do início ao fim, Anjos e Demônios é uma boa pedida. Mesmo para quem nunca sequer leu algum livro da série (caso desse que vos fala), o número de reviravoltas dentro da trama é bem realista e em nenhum momento se tornam óbvias. O final também é muito bem construído e surpreendente. Howard, com o auxílio de Dan Brown, consegue fazer com que o espectador desconfie das atitudes de vários personagens ao mesmo tempo – o que dá aquele gostinho de poder dialogar com a história. Sorte dos fanáticos pela série, que finalmente podem ver uma obra de Dan Brown bem adaptada para as telonas – méritos de Ron Howard.

Minha Nota: 7.5

Direção: Ron Howard
Gênero: Suspense
Duração: 138 minutos
Elenco: Tom Hanks, Ewan McGregor, Ayelet Zurer, Stellan Skarsgard, Pierfrancesco Favino, Nikolaj Lie Kaas.

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4 Respostas to “Anjos e Demônios (Angels & Demons, 2009)”

  1. Paulo Geroldo Says:

    Ótima resenha, Brunão. Assisti este filme semana passada e a diferença dele para o Código Da Vinci é grande. Eu daria até uma nota maior para o filme. Mas seu texto está muito bem escrito.

  2. Bruno Pongas Says:

    Valeu Paulão!

    É sempre bom ter quem leia o que você escreve, dá até um ânimo extra pra fazer novas resenhas, assistir mais filmes e tudo mais!

    Abraço!

  3. Sandra Says:

    Boa Noite!
    Adorei tua resenha… mas vou te dizer que deverias ler os livros, tu tens uma cabeça genial, se tivesse lido, os detalhes certamente estariam expressos em teu texto. Eu adoro Ler as obras antes de assistir aos filmes e depois comparar a imaginação do autor com a minha.

    Parabéns!

    • Bruno Pongas Says:

      Obrigado pelos elogios Sandra.

      Olha, o ideal é sempre ler as obras, realmente, e quando se tem essa oportunidade a resenha fica bem mais interessante. Mas a correria de hoje em dia de trabalho + faculdade + rotina corrida acaba fazendo com que leiamos menos livros ou dedicamos menos tempo a eles, infelizmente. Mas fico feliz que você tenha gostado da resenha, espero que tenha gostado de todo o blog também!

      Obrigado!!!

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