Última Parada 174 (Última Parada 174, 2008)

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Por Bruno Pongas

Última Parada 174 ganhou destaque ao ser indicado como o longa brasileiro nas seletivas do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2009. Algo que inicialmente gerou estranheza, já que quando isso aconteceu, pouca gente sequer sabia da existência do filme – quiçá o tinha visto. Felizmente, a trama do diretor Bruno Barreto foi precocemente descartada, alvo de muitas críticas aqui no Brasil e no resto do mundo.

Baseado na fatídica tragédia do ônibus 174, no Rio de Janeiro, quando o jovem Sandro do Nascimento fez uma série de reféns e provocou um dos maiores alardes da história da TV brasileira, o filme, que é inspirado no competente documentário Ônibus 174, do diretor José Padilha, conta a história do acontecimento sob uma ótica distinta da que foi relatada pela imprensa de todo o mundo.

Na época, jornais, rádios e TV massificaram o acontecido e fizeram com que o caso repercutisse internacionalmente. Contando os fatos de uma forma parcial – algo reprovável – a imprensa sequer deu voz à família do jovem sequestrador – que sumiu de foco poucos meses após sua morte no carro da polícia. Depois de cair no esquecimento, no ano passado, o filme Última Parada 174 reviveu a tragédia; dessa vez, nada de depoimentos de reféns ou policiais se desculpando pelos erros ou tiros dados ‘sem querer’. Barreto traz a história de Sandro do Nascimento – aquela mesma que poucos chegaram a conhecer.

No entanto, o diretor e o roteirista, Braulio Mantovani – o mesmo de Cidade de Deus e Tropa de Elite – também optou por apresentar a história de Sandro de uma forma parcial – da mesma maneira que fez a imprensa, só que pelo lado contrário. Sendo assim, o filme humaniza o jovem e tenta justificar suas atitudes pelos diversos problemas sofridos na infância. É verdade que quando garoto ele teve poucas oportunidades, o que contribuiu para ele entrar desde cedo no mundo do crime. Também é citada a passagem da covarde chacina da candelária, quando policias cariocas mataram seis menores e dois maiores de idade no centro histórico do Rio de Janeiro – parte essa que é muito pouco aprofundada e merecia muito mais cuidado dos produtores.

Mesmo com uma série de graves problemas e sem grandes perspectivas de ascenção social, nada justifica matar e promover o sofrimento de outras pessoas – como ele fez em momentos de sua trajetória. Aos defensores do comportamento do garoto, vale retratar as passagens de sua convivência com a mulher religiosa que tentou colocar um rumo em sua vida. Algumas metáforas batidas também rodeiam o longa, como quando ele parte rumo ao centro da cidade em uma espécie de barco e, ‘sem querer’, seus livros caem na água, indicando que os estudos foram deixados para trás.

O elenco em si tem bom desempenho, especialmente de Michel Gomes e Marcelo Mello Jr., que interpretam, respectivamente, o Sandro na fase adulta e o Alê monstro. No mais, o filme de Bruno Barreto é burocrático e cheio de falhas. Daqui alguns anos, muita gente ainda lembrará do epísodio com o ônibus no Rio de Janeiro; contudo, a trama que tentou construir uma história verídica sob um ponto de vista diferente será facilmente esquecida. E pensar que esse foi o filme brasileiro que disputou as seletivas do Oscar – dessa vez o Brasil apresentou um candidato muito fraco, infelizmente.

Minha Nota: 5.5

Direção: Bruno Barreto
Gênero: Drama
Duração: 110 minutos
Elenco: Michel Gomes, Marcelo Mello Jr., Ana Gabriela, Cris Vianna, Ana Cotrim, Tay Lopez, Vitor Carvalho e André Ramiro.

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5 Respostas to “Última Parada 174 (Última Parada 174, 2008)”

  1. Leka Marcondes Says:

    Olha, é bem feitinho, os atores são bons, e em matéria de ‘denúncia social’ é bem melhor do que Tropa de Elite. Mas é bem determinista sim, pq o Sandro veio de uma família ‘estruturada’ e ‘decente’, mas teria caído em desgraça pelas circunstâncias, da mesma forma que o Alê verdadeiro teria virado criminoso pela falta de oportunidade, família, incentivo… blabla.
    Agora, uma idéia: aproveitando a música a la Gustavo Santaolalla, por que não imitar babel e mostrar respectivamente duas histórias distintas, a do Sandro e a da menina que morreu quando os policiais atiraram nela por engano?

    É tudo uma questão de referencial.

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