O Cavaleiro das Trevas e o IMAX

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Por Roberto Furuya

Depois de meses na geladeira, estou de volta para mais análises parciais, críticas furrecas, muitos blockbusters e comédias românticas. E para começar de onde parei, nada melhor que retomar minha última postagem. Era julho de 2008 e eu rasgava elogios ao injustiçado filme de Christopher Nolan. Digo injustiçado por saber dos resultados do Oscar 2009. Das oito categorias em que concorreu, venceu apenas duas: edição de som e ator coadjuvante. Nada mais justo do que dar o prêmio póstumo – o segundo apenas na história da Academia – para Heath Ledger.

Mas o que tinha de ser falado sobre o Cavaleiro das Trevas já foi dito inúmeras vezes. Venho lhes passar minhas impressões sobre o novo formato de cinema, pioneiro no Brasil na sala do Shopping Bourbon, em São Paulo. O IMAX, originalmente Image Maximum, é a resposta da indústria cinematográfica para a queda crescente de espectadores nas salas de exibição.

Não é mais segredo o fato de que as pessoas vão menos ao cinema, seja pela internet e sua facilidade em baixar filmes, seja pelo valor elitista estipulado por grande parcela das redes cinematográficas. Mas, a verdade é uma: o cinema perdeu um pouco de seu glamour e muito de sua aura. Além das perdas essenciais, o que mais se perdeu foram as cifras das produtoras.

Para atrair seu antigo público e, por que não, uma nova legião de fãs, o cinema se reciclou. Mas sem nenhuma revolução. O IMAX é mais do mesmo, mas em proporções muito maiores. Numa comparação real, a maioria das telas medem cerca de 12 metros de comprimento por cinco metros de altura. A tela do Unibanco IMAX, em São Paulo, mede singelos 21 metros de comprimento por 14 de altura. O som também é diferenciado. Sem mais as antigas caixinhas de som. Com a nova tecnologia, o som é surround – três vezes mais potente que o antigo. Outra diferença impressionante está na resolução da imagem – incríveis dez mil por sete mil pixels enchem sua tela de texturas, cores e vida. Para fazer a comparação, as telas antigas compartilhavam 2048 por 1080 pixels. Mas a cereja do bolo ainda não foi citada; a grande cartada do IMAX é sua compatibilidade com o 3D. Com uma tela mais côncava, torna-se mais fácil a adequação desse formato.      

Uma experiência sensorial de pura imersão. Essa é a palavra de especialistas sobre a experiência IMAX. Tenho de concordar. A primeira cena de Batman, um assalto a banco, revela tomadas aéreas da cidade de Gotham. Assistir à cena foi como observar uma paisagem numa lente grande-angular gigante. Para quem nunca tinha visto tela tão grande, foi difícil assimilar tanta informação de uma só vez. Imagine então quando as primeiras legendas apareceram, discretas, na parte de baixo do telão. Não sabia se lia, se olhava para o lado esquerdo, para cima, para baixo… Mas a sensação de estar perdido cessa em poucos minutos e você se acostuma à novidade. Acostuma-se de tal maneira que todas as outras salas nunca mais serão boas o suficiente.

Eu recomendo, apesar do preço salgado cobrado pelo ingresso. Quem quiser apreciar a sétima arte ao cubo terá de desembolsar R$ 30,00. Um valor alto demais para os padrões econômicos da maioria da população. Mas não entrarei nessa discussão. Limito-me a bancar o advogado do diabo.

Direção: Christopher Nolan
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 144 min
Elenco: Christian Bale (Bruce Wayne), Heath Ledger (Coringa), Michael Caine (Alfred Pennyworth), Aaron Eckhart (Harvey Dent), Morgan Freeman (Lucius Fox), Gary Oldman (Jim Gordon), Maggie Gyllenhaal (Rachel Dawes).

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3 Respostas to “O Cavaleiro das Trevas e o IMAX”

  1. Bruno Pongas Says:

    Robertão da D volta com sua tradicional paixão pelo morcegão!!!

  2. Leka Marcondes Says:

    Minha nossa, 30 reais? Em busca de maior público, o cinema apelou para o elitismo novamente. Malditas megalomanias compatíveis com os blockbusters! De qualquer forma, é bom te ter de volta, Betão!

  3. Roberto Camargo Says:

    Sim, decididamente o preço cobrado contradiz a espera de retorno do público às telonas. Entretanto, vale lembrar que aqui é o Brasil, onde o consumo de cultura (principalmente internacional) se eleva a valores que cheiram a superfaturamento…

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