Sobre Pais e Filhos (Winter’s Solstice, 2004)

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Única cena que se salva: farto das mancadas dos filhos, o pai despeja suas camas no jardim.
Por Alessandra Marcondes

A sinopse no verso do DVD intitulado “A Guerra dos Winters” – que, por algum motivo obscuro, não obedece a tradução oficial do título do filme para “Sobre Pais e Filhos” – promete ao espectador uma história iniciada pelo dramalhão de uma família que perde a figura materna, sofrendo alterações misteriosas quando surge outra mulher em seu cotidiano. Molly Ripkin (interpretada por Allison Janney) viria para a vizinhança dos Winters desejando fugir de suas frustrações profissionais em busca de novas amizades. Do outro lado da moeda, Jim Winters (Anthony LaPaglia) tem sérias dificuldades em se relacionar com seus filhos Gabe e Pete (Aaron Stanford e Mark Webber, respectivamente), e precisa claramente de algum tipo de ajuda que substitua sua falecida esposa.

O filme parte de circunstâncias já famosas na sétima arte: pessoas que sofrem caladas conseguem dar sentido em suas vidas após o contato com gente também problemática, se unindo em torno de uma mudança para o bem comum. No caso de Sobre Pais e Filhos, entretanto, a trama vai escapando sutilmente da fórmula fácil de resolução enquanto se arrasta por tomadas silenciosas, dando muito mais importância para cenários do que para explicações, sem que o roteiro resolva, no fundo, as questões pelas quais foi motivado. Concordo que os cenários são belíssimos, e a trilha sonora embala aquele misto de beleza e melancolia da forma mais tocante possível. Porém, o filme estanca, e seus poucos minutos (90 no total) parecem uma eternidade aos olhos de quem assiste.

Josh Sternfeld, diretor e roteirista do longa, tentou não cair na obviedade dos romances conto-de-fada: seu quase casal principal – com cenas de uma ternura forçada que quase não aparecem – já tem mais idade do que os protagonistas de  “Doce Novembro” e “Um bom ano“, por exemplo {também baseados na saga de pessoas infelizes que, unidas, passam por transformações} então faria sentido um filme mais reflexivo e menos adolescente.  Porém, se preocupando demais em fugir do padrão, Sternfeld se esquece de contextualizar sua história, tornando impossível a identificação de quem assiste com o que acontece na tela. Portanto, um filme que se pretendia artístico e profundo acaba escancarando sua superficialidade quando os créditos sobem a tela, sem que aquela hora e meia tenha mudado absolutamente nada na saga das personagens, quiçá na existência de quem o assistiu.

Iniciamos o filme já sabendo o cenário que vamos encontrar, e não somos surpreendidos em nenhum momento. Personagens sem passado impedem uma análise de sua personalidade, então as atitudes dos filhos remetem a uma rebeldia sem causa, enquanto a frieza do pai parece motivada por um egoísmo sem tamanho. A personagem de Allison Janney – que não deveria estar ali, inclusive, considerando as obras de melhor qualidade das quais já participou, como As Horas e Juno – simplesmente não se encaixa no meio daquelas pessoas apáticas, e nem faz sentido de existir, já que no fundo não acrescenta coisa alguma à trama, e nem participa de um possível casal prometido pela sinopse. O filme não tem choradeira, não tem assassinato em família, não tem grandes amores, não tem nenhuma história que valha a pena. E o único suspense durante o produto todo é resultado da seguinte pergunta: “Mas será que algo vai acontecer?”. Pois bem, nada acontece.

Todo mundo pensa que criar um jardim é fácil…
difícil mesmo é sua manutenção

Direção: Josh Sternfeld
Gênero: “Drama”
Duração: 89 minutos
Elenco: Anthony LaPaglia, Aaron Stanford, Mark Webber, Allison Janney, Michelle Monaghan.

Uma segunda opinião – prova que eu não fui maldosa:
http://www.laboratoriopop.com.br/pagina.php?abrir=texto_colunista.php&idcolunista=%207&idcoluna=10

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3 Respostas to “Sobre Pais e Filhos (Winter’s Solstice, 2004)”

  1. Bruno Pongas Says:

    PQP, filme chato! Um dos piores que eu vi ultimamente…

    Quase nada se salva. O LaPaglia vai bem, o tal do Mark Webber tbm… A trilha sonora, como dito, tem seu destaque… De resto, pode amassar e jogar no lixo que não fará a MÍNIMA falta.

    Filme horrendo, nota 4.0!

  2. Alessandra Marcondes Says:

    4.0 é muito! ;P

  3. Alyson Says:

    Um nome tão interessante e profundo quanto a relação entre pais e filhos, resultar nesse tipo de produto, né? Uma Pena. Recomendo o filme italiano “O Quarto do filho” que é um cinema simples de conteúdo profundo. Fica a recomendação. Abraços.

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