Operação Valquíria (Valkyrie, 2009)

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Por Bruno Pongas

Antes de escrever a crítica, uma pitada histórica para situar o leitor: Ferido em combates no norte da África defendendo o exército nazista, o coronel Claus Von Stauffenberg voltou à Alemanha com visíveis marcas da terrível guerra. Em território germânico, descrente quanto ao sucesso do Reich, Stauffenberg foi arquiteto de um golpe que planejava a morte do ditador Adolf Hitler e a instauração de um novo regime no país.

Em 20 de julho de 1944, Stauffenberg finalmente conseguiu colocar seu plano em prática. No entanto, a bomba colocada com objetivo de matar o Führer, matou apenas quatro das 24 pessoas presentes no quartel general naquele dia – Hitler sofreu apenas ferimentos leves. Esse é o pano de fundo da mais nova empreitada de Tom Cruise, o blockbuster Operação Valquíria. Primeiramente gostaria de dizer que o filme me surpreendeu, ao contrário de muitas críticas que li por aí.

Tratar os horrores do nazismo sempre foi muito frequente no cinema hollywoodiano e mundial; entretanto, o que temos visto recentemente são filmes que abordam o mesmo tema sob uma ótica diferente – a do lado humanista dos nazistas. É bem verdade que  isso se tornou clichê devido a infinidade de filmes que são lançados no mercado a cada ano – a maioria de qualidade duvidosa -, caso de O Menino do Pijama Listrado e Um Homem Bom.

Felizmente Operação Valquíria foge à regra, e talvez o fato de retratar uma história verídica ajude nisso. Quem dirige a trama é o irregular Bryan Singer, que conseguiu ótimos resultados com a franquia X-Men mas deixou a desejar com o impactante Superman – O Retorno. Aqui, ele volta a trabalhar bem com uma direção ágil e eficiente – a história é contada com objetividade, sem que enrolações sejam necessárias.

O roteiro também merece elogios, já que atenta para detalhes importantes; o principal ponto foi começar o filme com uma narração em alemão feita por Tom Cruise, que lentamente é substituída por Inglês – idioma original da trama; se não é o ideal, pelo menos foi a forma mais honesta a se fazer, já que é realmente estranho ver um Adolf Hitler proferindo palavras em Inglês. Outros destaques são o belo figurino e a direção de arte; por ser um filme de época, já era de se esperar um bom figurino; no entanto, me surpreendi positivamente com a quantidade de detalhes, sejam eles na forma de portentosas bandeiras nazistas ou da piscina megalomaníaca com uma suástica desenhada – o que retrata bem a necessidade de ostentação que tinha o regime.

Destaque especial também para os atores; Por quê? Se houve um ponto em que a história falhou foi em seus personagens. Não há desenvoltura alguma neles e todos parecem iguais – pessoas com ideais semelhantes mas muito pouco aprofundados. É aí que entra o bom elenco, que conta com nomes como Kenneth Branagh, Bill Nighy e Terence Stamp – atores que mesmo com esse problema conseguiram dar um pouco mais de cor aos seus personagens.

Mesmo Tom Cruise, que ao meu ver foi injustamente crucificado pela crítica, está bem na pele de Claus Von Stauffenberg. Ele consegue demonstrar muito bem seus sentimentos, principalmente os de angústia e tensão; ao mesmo tempo, o ar pouco expressivo porém imponente transmite ao seu espectador toda a sua frieza e inteligência – para mim um bom desempenho.

Para finalizar, Operação Valquíria é bem mais interessante do que o que foi falado por aí, embora também passe longe de ser uma obra-prima do gênero. Talvez o pouco carisma da dupla ator principal (Cruise) e diretor (Singer) tenha contribuído para o que se comentou até aqui.

Minha Nota: 7.5

Direção: Bryan Singer
Gênero: Drama/Guerra/Suspense
Duração: 121 minutos
Elenco: Tom Cruise, Bill Nighy, Carice Van Houten, Christian Berkel, Eddie Izzard, Kenneth Branagh, Terence Stamp, Thomas Kretschmann, Tom Wilkinson.

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3 Respostas to “Operação Valquíria (Valkyrie, 2009)”

  1. lekamarcondes Says:

    Os ideais semelhantes e pouco aprofundados não fazem uma comparação com os sentimentos que regiam a época, de um nacionalismo exacerbado sobre o qual ninguém refletia a fundo?
    Bem, Tom Cruise para mim sempre será sem sal…

  2. Bruno Pongas Says:

    Eu acho que não, sabia? Tanto que, esses mesmos que são pouco aprofundados fazem parte dos poucos que querem derrubar Hitler. Mas bem, é uma questão interessante. O que importa é que o filme surpreendeu e muito.

  3. A Espiã (Zwartboek, 2006) « Movie For Dummies Says:

    […] Fazendo a conta para dados recentes, a partir de A Lista de Schindler diversos filmes com a temática Segunda Guerra Mundial/Nazismo foram jogados no mercado. Alguns de ótima qualidade, outros nem tanto. O assunto sofre de tal desgaste que recentemente o cineasta Bryan Singer também resolveu fazer seu longa ambientado na época, só que com um porém: falado em ingês. Alguém deve estar se perguntando: ué, mas como um filme que fala de nazismo e é ambientado dentro dos quartéis da SS pode ser falado em inglês? Pois bem, essa dúvida ninguém sabe ao certo responder, mas o fato é que o resultado até que ficou razoável. […]

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