Rumba (Rumba, 2008)

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Por Bruno Pongas

O cinema europeu em geral produz a cada ano obras magníficas. Muitos clássicos do velho continente são cultuatos até hoje em todo o mundo – até mesmo na terra do Tio Sam. Um dos principais expoentes é o cinema francês, que tem por costume produzir filmes com inteligência refinada e comédias muito gostosas de se assistir.

Estreou recentemente no circuito brasileiro a comédia Rumba. Em linhas gerais, o filme conta a história de Dom e Fiona, casal que vive no interior da França e dá aulas em uma escola local; ela, professora de inglês, e ele, professor de educação física. O relacionamento, que aparentemente parece sofrer com os entraves do cotidiano, tem seu ápice de alegria todos os dias quando o casal se reúne após as aulas para celebrar sua paixão – a música latina.

No entanto, a história muda de figura quando ao voltar de um concurso de dança – no qual foram vencedores -, eles sofrem um trágico acidente que mudará o rumo de suas vidas. Um roteiro desses daria um excelente drama, daqueles de derramar rios de lágrimas; contudo, esse é o palco de uma ótima comédia.

Dom e Fiona reúnem um misto de estranheza e felicidade; ao passo que vivem em um cotidiano desgastado e sem graça, se torna inevitável não notar a alegria que flui proveniente da dança e da música – simplesmente encantador. Um fato curioso é que ambos passam bem longe dos padrões de beleza atuais – o que dá ainda mais graça ao filme.

Para colorir de vez a trama, o casal apresenta trejeitos pra lá de curiosos e em algumas vezes invertidos; ela é uma espécie de “dona” da relação; basta notar a cena do carro quando eles rumam para o concurso de dança – algo está muito errado naquilo.

Com um roteiro simples, que na maioria das cenas optou pelo visual em detrimento dos diálogos – algo que ajudou muito no produto final -, Rumba é um filme que consegue divertir sem rumar para uma forma apelativa e se tornar ridículo, muito embora seja uma comédia um tanto quanto escrachada. O ponto positivo aqui é que tudo flui naturalmente, sem a necessidade de se forçar nada.

Destaco a fotografia e a maquiagem, que em tons claros e alegres ajudam a demonstrar que se pode ser feliz mesmo após uma tragédia. Só a título de curiosidade, tanto o roteiro quanto a direção são assinados pelos próprios protagonistas – Dominique Abel e Fiona Gordon, que se auto-dirigem na obra.

Rumba não é brilhante, embora eu só tenha coisas boas a dizer sobre o longa. Talvez nos tempos em que se torna cada vez mais raro se ver uma comédia de qualidade, Rumba aparece como uma surpresa muitíssimo agradável nos cenários europeu e mundial.

Minha Nota: 7.5

Direção: Dominique Abel, Fiona Gordon e Bruno Romy
Gênero: Comédia
Duração: 77 minutos
Elenco: Dominique Abel, Fiona Gordon, Bruno Romy e Philippe Martz

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2 Respostas to “Rumba (Rumba, 2008)”

  1. lekamarcondes Says:

    Quer dizer que o senhor tem um problema com mulheres donas da relação, é? :]
    Comédias européias, em sua maioria, vêm com aquele tom escrachado em um nível bem mais refinado do que pastelões norte-americanos. Vontade de assistir…

  2. Bruno Pongas Says:

    Hahahahaha claro que eu tenho problemas :D

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