Longe Dela (Away From Her, 2006)

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Por Alessandra Marcondes

Fazendo jus ao papel de participante feminina do blog, escrevo hoje sobre esse romance belíssimo de estréia de Sarah Polley (Minha Vida Sem Mim) na direção. Fiona (Julie Christie) e Grant (Gordon Pinsent) formam um casal maduro, que já passou por altos e baixos ao longo de vários anos, mas ainda é apaixonado. Assim, por cima, é só mais uma história de amor que resiste aos obstáculos da vida, satisfazendo o espírito de todos os espectadores que buscam finais felizes para seus próprios romances. Mas e se a pessoa amada é vítima de um mal como o Alzheimer, que não tira a vida, mas acaba com importantes lembranças referentes a ela?

O modo como essa doença pode afetar uma família inteira não está claro na mente de quem nunca a conheceu de perto. Porém, o filme dá uma noção desesperadora do que significa simplesmente esquecer em que gaveta ficam os talheres, qual suéter é o seu, ou qual foi a pessoa que presenciou seus momentos mais importantes nos últimos 40 anos.

Na trama, é justo Fiona que adoece. A mulher forte e decidida, que faz questão de se internar em uma clínica para não atrapalhar a vida de seu marido, enquanto ele pede que ela não vá – inverte-se o lugar comum em que o abandonado sempre é o doente. Grant, por sua vez, se mostra um homem mais interessante do que se imaginava: se contenta com o papel de amigo da esposa pelo fato de ela ter se esquecido quem ele é, e ainda observa respeitosamente o romance que ela passa a ter com um amigo de dentro da clínica.

Além da fotografia marcada por planos amplos e distantes que retratam a solidão das personagens, a trilha sonora delicada embala um filme que pode ser deseperadoramente triste sem perder a beleza que há em enxergar sempre o lado positivo da vida. A combinação do cenário gelado com a quantidade de luz que invade os corredores da clínica (quem assistiu, entenderá) combina com a personalidade de Fiona, que emana luz mesmo no meio da mais dolorosa situação. E Julie Christie, que foi muito bem escolhida para o papel (Sarah já havia trabalhado com ela antes, atuando em A Vida Secreta das Palavras) transmite toda essa mistura de sentimentos sem precisar pronunciar uma única palavra.

O filme é brilhante, e provoca uma melancolia boa depois que sobem os créditos. Para os menos sensíveis, vale a pena porque se destaca entre a multidão de romancezinhos feitos em cima de uma fórmula óbvia, existente no cenário atual. Já para aqueles que adoooram um dramalhão, confesso: chorei do começo ao fim.

“Não seria legal se a gente casasse”?
– e o que você disse? –
“Eu aceitei. Nunca quis ficar longe dela.”

Direção: Sarah Polley
Gênero: Drama
Duração: 110 minutos
Elenco: Julie Christie, Michael Murphy, Gordon Pinsent, Olympia Dukakis, Kristen Thomson, Wendy Crewson, Alberta Watson, Thomas Hauff e Katie Boland.

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