12 Homens e Uma Sentença (12 Angry Men, 1957)

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12hmens

Por Bruno Pongas

12 Homens e Uma Sentença é uma das grandes obras-primas da história do cinema. No ano em que foi lançado, 1957, o filme não fez tanto sucesso como esperado; o reconhecimeno à grande obra de Sidney Lumet veio apenas alguns anos mais tarde. Mesmo sendo um filme pouco visto – se comparado aos outros sucessos de bilheteria da época – a obra seria indicada a três Oscars: Melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro adaptado. Infelizmente a derrota veio nas três categorias; em todas para o também clássico A Ponte do Rio Kwai.

Sidney Lumet construíu uma carreira brilhante dentro do cinema; “12 Homens e Uma Sentença” foi seu primeiro filme – Lumet estreava na academia com o pé direito. Ao longo da vida ele bateu na trave por mais três vezes; seus filmes indicados nessas oportunidades foram: Um Dia de Cão (1975), Rede de Intrigas (1976) e O Veredito (1982). Recentemente, o cineasta dirigiu mais duas tramas; Sob Suspeita (2006) e Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto (2007). Aos 84 anos, Lumet mostra que ainda é capaz de dirigir com a mesma competência do início de carreira – sorte dos cinéfilos de plantão.

O roteiro de 12 Homens e Uma Sentença também foi escrito por um novato em Hollywood. Foi o primeiro e único filme que o roteirista Reginald Rose executou. E com brilhantismo, diga-se de passagem. O argumento é simples, muito simples; a trama se passa em uma sala durante todo o tempo, o que pode parecer chato e entediante – e o que poderia ser um problema para o roteiro de Rose.

Contudo, o que vemos é completamente diferente; a história, por mais simples que seja – um homem é acusado de matar o pai e o júri tem que decidir se ele é culpado ou inocente -, é muito bem trabalhada. Há um show de argumentação, os diálogos são excelentes e o diretor consegue mantêr o espectador vidrado na trama o tempo todo. Uma hora ele nos convence que o réu é culpado, outra hora, no entanto, temos certeza que ele é inocente. Esse jogo de culpado ou inocente perdura por grande parte do filme, até que uma hora há o desfecho; tudo é feito de forma brilhante, tudo se encaixa perfeitamente e é impossível não tomar partido de um dos lados.

O elenco tem atuação magistral; todos fazem um trabalho altamente competente – a começar por Henry Fonda. Fonda é um dos grandes ícones de sua geração, contudo, seu desempenho em 12 Homens e Uma Sentença passou batido nas premiações – uma pena. Outros grandes atores, como Martin Balsam, Lee J.Cobb e Jack Warden ainda fazem parte e ajudam a dar colorido ao espetáculo. Recentemente, o cultuado cineasta russo Nikita Mikhalkov adaptou o clássico na trama “12”. O filme foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro no ano passado, mas acabou sendo derrotado. O fato curioso é que 12 é bem mais longo que a obra original – 153 minutos contra apenas 96.

12 Homens e Uma sentença é simplesmente brilhante, tudo é pensado com minúcia, desde os entraves da história até a música – que se encaixa perfeitamente nos momentos certos. Tudo isso o torna uma obra-prima da história do cinema. É triste que uma trama como essas tenha levado poucos prêmios para casa, mas fica o registro de um dos melhores filmes da história do cinema americano e um dos melhores que eu já vi na minha vida.

Minha Nota. 10.0

Direção: Sidney Lumet
Gênero: Drama
Duração: 96 minutos
Elenco: Henri Fonda, Martin Balsam, John Fiedler, Lee j. Cobb, E.G. Marshall, Jack Warden

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2 Respostas to “12 Homens e Uma Sentença (12 Angry Men, 1957)”

  1. Paulo Sandes Says:

    Olá, Bruno
    Parabéns pelo seu texto, muito bom. Acabei de rever o filme depois de muitos anos. Achei sua página a partir de uma pesquisa sobre o roteirista. Concordo com você, a palavra para a trama é brilhante.
    Abraços

  2. Talitha Says:

    Boas informações, num texto sucinto e com pesquisa. Como estudante de cinema, não posso deixar de sentir falta das informações técnicas…Concordo plenamente. Um excelente filme da cinematografia americana e como não é de surpreender, Hollywoody não reconheceu, como também não o fez com várias obras primas, com vários diretores e atores. Haja visto nossa querida Fernanda Montenegro, ter perdido para Gwyneth Paltrow…

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